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13/01/2016

Tranformando duas em uma

Negócio "engraçado" quando você tem filho e as culturas e tradições de cada um dos pais se misturam para formar uma única família. Se aqui em casa, ambos somos brasileiros, ambos baianos e ainda entramos "em choque". Fico imaginando como deve ser com minhas amigas casadas com  gringos.

Se tem uma coisa que me irrita é que para meu marido (não é questão de personalidade aqui e sim de cultura familiar mesmo) tudo tem um jeito certo de se fazer. Não estou dizendo de questões morais e sim coisas simples. Tem um jeito certo de abrir tal coisa, de guardar tal coisa, de pegar tal coisa. Ahhhhh, acho um saco! Na cultura da minha família, existem várias formas de se fazer algo, umas mais fáceis, outras mais difíceis, mas você pode tentar. Na do meu marido, só tem uma.

Se tem uma coisa que irrita meu marido (não é questão de personalidade aqui e sim de cultura familiar mesmo) é que eu faço as coisas sem pensar nos outros. Na minha cabeça, eu estou com um problema, paro, penso numa maneira de resolver e resolvo. Não fico me martirizando nem perdendo meu tempo. Isso é flexibilidade mental, uma das características de pessoas inteligentes (Ha!). Para ele, eu não dou importância, eu tento o caminho mais curto, não sou cuidadosa. Vê isso.

Um exemplo ridículo (para vocês terem ideia da minúcia da coisa), compramos uma airfryer e fomos fazer batata baroa "frita". Eu almocei, ele almoçou e sobrou um pouco. Eu peguei o "quetchichapi", que estava fechado e tentei abrir para tirar o lacre. Tentei, tentei e nada. Dei para ele que também não conseguiu. Minha ideia foi de, sem tirar a tampa, eu faria um furo no lacre e pronto. Marido ficou chateado, diz que quando faço isso, acaba saindo ketchup para tudo que é direção (o que é verdade), que ele acaba se sujando etc, que era para eu esperar ele acabar de comer, que ele abriria o negócio. Se você me conhece sabe que eu não sei esperar, especialmente quando é comida, especialmente quando é algo para ser comido quente e que não presta ser "requentado". Eu olhei para ele e furei o treco mesmo, feliz e contente. Ele me olhou bem chateado. Eu disse simplesmente "quando você terminar, é só abrir o lacre todo", porque né, dessa forma seria bom para mim, que comeria a batata quentinha e para ele, que quando fosse usar o negócio, estaria do "jeito certo". Ele ficou enfurecido por causa disso. Tipo, por causa disso?! Porque simplesmente eu "não fiz do jeito certo".

Estamos juntos faz 11 anos e meio e mesmo assim ainda passamos por esses "problemas". Fico só imaginando como será quando Alice crescer um pouquinho.

19/08/2014

O pesadelo

Estamos começando a olhar de leve as possibilidades de emprego para marido, já que nos próximos 12 meses ele precisa ter um contrato assinado para dar entrada nos papéis do waiver. Infelizmente vai ser  bem difícil ficarmos na Flórida (questões do waiver), então estamos olhando as vagas, pensando nos salários e outras possibilidades. Meu marido resolveu brincar da possibilidade de voltarmos para o Alabama, o que gerou um pesadelo na noite. Visualiza o meu sonho pesadelo:

Eu sentada na calçada do lado de fora da casa, com a cabeça apoiada nos joelhos, chorando desesperada dizendo que não queria ir para o Alabama. Meu marido me explicando que não tínhamos outra opção, não dava nem para voltar para o Brasil, o Alabama era a única possibilidade.

Pois bem, eu acordei tão tensa. Foi horrível mesmo!


A minha primeira opção ainda é a de voltarmos para o Brasil. Por n motivos. Meu marido quer voltar para o Brasil, assim como eu quero voltar para o Alabama.

Pois então que mudamos de assunto e eu fui falar com ele sobre uma brasileira que tinha conhecido, que ela estava de mudança daqui e estava super triste de deixar Gainesville. Que ela tinha morado 6 anos em um estado frio (esqueci o lugar) e que ela tinha detestado e que agora estava voltando. Marido interrompe o meu causo para questionar o porquê alguém mora em um lugar por tanto tempo sem gostar. Primeiro eu achei que ele estava brincando, mas quando olhei para cara dele, ele estava bem sério mesmo. Daí, eu coloquei o sorriso mais irônico no rosto e falei a verdade "por conta do trabalho do marido dela". Ele entendeu o recado, fez um carinho no meu ombro e achou por bem ficar calado. Eu também achei...

14/04/2014

Aposentadoria precoce do meu cargo de cabeleireira

Eu já comentei que era a responsável por cortar o cabelo do marido. Foi tudo bem durante 3 anos e 9 meses, até que esses dias....enfim, lá estava eu cortando o cabelo dele. Tudo igual, música de fundo, ele sentado, eu com a máquina e tal, até que quando fui fazer o pé do cabelo (portanto, com máquina zero), meu digníssimo marido deu uma tremida na cabeça e...lembra aquela propaganda que uma mulher vai ao salão, e cada espirro que dá, o cabeleireiro corta mais do que deveria? (não achei o link da propaganda para ilustrar o post)

Pois é, fez um furo considerável no cabelo dele...passei 30 segundos pensando se falava com ele ou se fingia que estava tudo bem, mas né, falei. Você acha que ele acreditou? Não acreditou, até que eu fui repetindo e ele foi vendo que era verdade e foi ficando tenso. Mas aí, eu fui rindo, rindo e rindo alto. Ele viu o estrago e ficou puto. Já eu não conseguia parar de rir, não da situação, que na hora não é engraçada, mas eu fiquei rindo de nervoso mesmo. Bom, eu diminui um pouco o pé do cabelo e ele penteou o cabelo de tal forma que disfarçou o estrago. Ficou ok e uma semana depois, já estava como se nada tivesse acontecido.

E foi assim que eu aposentei a máquina de raspar cabelo...

09/01/2014

A friaca que passou por aqui

Foi o maior frio que já passei na vida. Andar com Luffy com a (falta de)  temperatura de -19C (e mais ventinho gostoso fazendo a temperatura cair um pouco mais) não foi fácil.  Mas né, pelo menos eu tenho uma história para contar. Foi a primeira vez que eu vi a temperatura em Fahrenheit  chegar a um dígito, com sensação negativa (-6F de muito amor!). Fiquei me perguntando como que a galera no norte guenta um negócio desses. Tá doido!! Fiquei feliz por marido ter insistido que Gainesville seria melhor que Chicago. Porque lá em Chicago, com transporte público e a possibilidade de ir e vir a pé, eu iria sentir muito mais esse frio que não é de Deus (mas iria ficar feliz quando lembrasse de onde eu vim). 
Se você não consegue imaginar, conceber um frio desse, vou tentar explicar. O vento vira uma lixa em contato com sua pele (por mais que eu use camadas de roupa, sempre sobra uma parte que não tem como cobrir ou que o casaco não protege), é uma sensação nada agradável. O sol, que estava lá em cima, era um mero figurante desimportante, não servia de nada (mas tudo fica melhor com ele). Se nariz fica escorrendo do nada e os olhos ficam ardidos e vermelhos. Tudo que você pega te dá choque (porque estava bem seco). Pode ser a porta do carro, seu cachorro, seu marido. Chega um ponto que quando você muda de posição no sofá, toma choque no bumbum!!! Uma maravilha (só que ao contrário). Pegar uma coberta pesada pode dar choque também, assim como pegar no computador. Frio+tempo seco não é de Deus! E toda aquela beleza que você via nos filmes, aqueles casacos lindos, luvas e gorros, viram um “aaaaahh!!!”, uma dança de tira e põe roupa interminável. Uma dança de protetor labial, hidratante e cortizone eternos.

O maior frio que já peguei na vida não veio acompanhado de  neve. Pela primeira vez nesses anos de Alabama, não vi a neve. Quer dizer, pra ser justa, umas 7hs da manhã, enquanto tomávamos café, caiu uns floquinhos sem vergonha de neve (mas que já foram o suficiente para eu ficar feliz, admito), não durou 5 minutos e acabou. Kuén! Mas se tratando de Alabama foi bom, porque se nevasse mesmo, tudo iria parar. Assim, teve previsão de neve e por isso, na segunda e terça  as escolas e universidades só começaram às 10h. Eu não sei se é uma medida provisória, mas eu sei que aqui a possibilidade de neve é algo assustador, na minha teoria é quase fim do mundo mesmo. E para comprovar que a minha teoria é verdadeira, deixo vocês com a foto do corredor de pão do Walmart  no domingo (peguei essa foto no google imagem, mas estava assim mesmo. Ah, essa imagem é da previsão de neve de 2011...eles não aprendem mesmo). A galera fica alucinada e compra todos os pães e sei lá mais o quê para estocar em casa. Ahahahahahaha. O pessoal aqui é muito doido. Mas o bom é que sábado vai fazer 20C de calor. Daria para usar as Havainas, mas vai chover. O que nao eh algo triste já que significa que ficarei pelo menos 1 diazinho sem tomar choque :).
"Si nóis tem pão, nóis tá salvo"
 Em tempo: em gainesville fez -4C, o que é bastante frio também!

Conversa de casal:
Ela: que frio!!! Será que demora pra fazer calor outra vez?
Ele: nada! Quarta já vai fazer calor, aqui olha, 7C.
***
Ela sai de casa toda cheia de roupa (estava -9C) e quando sai do trabalho, coloca as camadas e vai buscar ele. Ela sente calor no caminho até o carro, quando entra no carro e liga o aquecedor, começa suar. Pega ele e comenta "nossa, esquentou bastante, tou suando aqui", ele "é, tá bem quente mesmo". Estava 5C...
***
Não, essas conversas não tiveram nada de sarcasmo, a gente mudou o parâmetro de temperatura mesmo. Espero que mudar isso seja rápido porque estaremos na Flórida em menos de 6 meses (desculpa, mas vou fazer a contagem regressiva aqui sempre, tou aguardando ansiosamente por esse dia!)
 

20/09/2013

O resultado saiu!

É com muita euforia e muita felicidade no coração que venho compartilhar a melhor notícias dos últimos tempos! Hoje foi o match. O resultado sairia às 12hs, mas eu estava tensa, grudada no celular, porque aqui as coisas sempre se espalham antes. Fui ao mercado e quando terminei e coloquei as compras no carro,  notei que havia uma ligação perdida. Era do Dr meu marido. Meu coração quase explode. Eu sabia que ele não iria me ligar outra vez tão cedo porque ele já havia me falado que está com 18 pacientes no serviço e que a coisa está complicada. Marido nunca deixa mensagem, mas ele tinha deixado. Vou eu toda empolgada ouvira mensagem e alguém sem noção começa a me ligar. Ufa, é marido! Daí ele começa a falar amenidades e eu "fala logo!!!", ele nos dá a boa notícia: Vamos para Flórida no próximo verão! Nossa, pense numa felicidade! Marido desligou o telefone rápido "estou no meu da visita" e  me deixou transbordando de alegria. Eu voltei do mercado com um sorriso de orelha a orelha e só repetia alto "obrigada, meu Deus; obrigada meu Deus".

Depois de pensar e repensar a respeito da cidade, tínhamos escolhido Gainesville para morar. Foi a nossa primeira escolha e foi onde marido conseguiu o match. Nossa, eu estou tão feliz que não há palavras nem em português nem em inglês para descrever o tanto de coisa boa que senti e ainda estou sentindo. Pra melhorar, vamos passar 8 dias na Califórnia de férias e se tudo correr como planejado, em dezembro vamos congelar por 8 dias no "velho mundo". Além disso, acabei de receber a nota do novo TOEFL que fiz e nossa, fui bem. Parece que já achei a universidade que irei aplicar para o PhD. Estamos pensando em comprar uma casa (uma casa de estudante, ainda não será de médico, mas fico feliz igual).

Qualquer dia desses venho falar como foi a caminhada até essa boa notícia. Mas adianto que marido queria Gainesville, eu queria uma cidade grande, no caso meu foco era Chicago (marido achou o serviço lá muito bom), claro que tinha a Columbia em NYC, mas ele voltou de lá já dizendo que era inviável para ele morar naquele "inferno" (ô dó). Marido queria a UF e usou de tudo para me convencer: poderemos comprar uma casa, moraremos perto do Renato (juro!), tem praia perto, tem Disney, o custo de vida é barato, poderemos viajar nos finais de semana, blablabla. No final das contas, escolhemos Gainesville e a UF escolheu marido também.

As nossas mãos na boca do gator em frente ao estádios dos Gators na UF
 Marido irá comemorar em grande estilo: plantão no final de semana. Eu vou organizar meus papéis para renovar meu passaporte para viajar em dezembro. Vamos sair para jantar também e Luffy definitivamente vai ganhar um osso suculento para celebrar junto. Bom, serão mais 9 meses de blog e de despedidas daqui e nossa, eu estou muito feliz.

Eu só desejo que esse final de semana seja tão cheio de boas emoções como o meu.

Um cheiro!


22/04/2013

Das coisas estranhas

1.Toda vez que preciso escrever números aqui em algum documento para um americano, preciso ser cautelosa porque eles não entendem meu 1 e meu 7. Eu faço o 1, com um tracinho embaixo e corto o 7 no meio, sabe? Foi assim que aprendi, mas aqui, quando faço o 1, eles me perguntam se é um 7 e quando faço um 7, eles me perguntam que número é aquele. Isso acontece com mais alguma expatriada ou é algo típico do "Alabema"? Um dia desses, precisei preencher uns papéis e a moça do RH fez essas perguntas. O chefão do RH, que é um amor, respondeu na minha frente "ah, antes eu também tinha dificuldade de entender esses números dos brasileiros, mas agora já entendi essa diferença".
Os número na primeira linha são como eu faço, na segunda linha,
como eu deveria fazer para ser melhor compreendida. Note que
tenho dificuldade para fazer o 7 sem o traço no meio :).


2. Esses dias, estava indo daqui “prali” na net e me deparo com a imagem abaixo. O que faço? Mando a imagem para marido dizendo que tinha adorado e que estava na promoção. A resposta dele “Vixe...mas se gostou, compre ué”. Aí eu fiquei preocupada, porque sério, meu marido achar que eu, em algum momento, acharia isso bonito, foi duro! E era primeiro de abril, mas ele preferiu acreditar que eu amei a tal bota e que estava empolgada para comprá-la. #preocupada

imagem daqui


3. Estou horrorizada com o preço do leite Ninho no Brasil. Meu marido disse  que a lata pequena está custando R$11. Aqui, ela vem direto do México e eu pago uns $4.40, em Salvador, a fábrica da Nestlé fica em Feira de Santana e o preço é esse absurdo (1 hora de distância, quer dizer, 100 km).

Não só meu marido sabe tirar foto sem foco... mas em minha defesa: estava usando o celular

Pausa
Eu sempre achei esquisitão usar tempo para medir distância, como você vai prever tantas variáveis na estrada? Mas aqui nos EUA essa medida faz parte do dia a dia. Mais do que milhas, as distâncias são dadas em tempo “eu moro a 12 minutos da UAB”.
Despausa

4. Esses dias marido foi almoçar no Veterans Hospital e olha como é a nota fiscal? (Ficou parecendo que ele saiu de casa para comer lá, mas na verdade, ele perdeu o almoço porque estava enrolado em algo e o que lhe restou foi comprar um lanche e esperar um tempinho entre um paciente e outro para comer)
Muito interessante né? Bom para quem está de dieta, para quem tem diabetes, para quem precisa ingerir mais ou menos sódio. Bom para as pessoas tomarem consciência das calorias porque infelizmente, tem muita gente que não acha esse tipo de refeição ruim para a saúde (juro!). E sim, médico também come junk  food.


5. Na tentativa de me hidratar mais, resolvi comprar o negócio abaixo. Pense em um arrependimento! Isso só pode ser considerado água de coco por quem nunca tomou uma original. Na moral, empate técnico com a Dr Pepper e Root Beer. Inecati!!!!



































































15/04/2013

Da viagem e dos presentes made in Brazil

Aí que eu disse aqui que marido resolveu bater perna no Brasil e me largou aqui (mimimi). Duas semanas antes dele viajar, já começou "o sermão" caprichado das coisas que eu tinha que fazer:

1. "Lembre de trancar a porta (da frente da casa) todos os dias
2. "Por favor, coma! Se alimente, porque sua situação já não está muito boa..."
3. "Lembre de pagar essas duas contas"

Sério, ele não precisava falar nada disso, porque né, eu lá iria fazer algo do tipo? Ele tem lá suas razões para lembrar desses itens com muito amor no coração, tendo em vista o meu histórico, mas eu achei que já estava demais. Resultado? Já na primeira noite, esqueci a porta aberta, mas lembrei na madrugada e desci para trancar a porta. Eu até comi, mas não o que deveria e não na frequência correta (pô, odeio fazer comida só para mim!). Como não consegui dormir, comecei a ter um sintomas engraçados, que meu marido já achou que era neurológico e me disse "você tem de dormir!!!". Eu até sei disso, mas quem disse que eu consegui? Nos 3 primeiros dias foram umas 4 horas de sono, acordando umas 10 vezes. No quarto dia, quando finalmente consigo dormir melhor (acordei só umas 5 vezes, mas o alarme de incêndio resolveu disparar). No final, consegui dormir relativamente bem na véspera da chegada de marido e dormi como um urso no inverno quando ele chegou. E claro que esqueci de pagar as contas e a multa foi super alta, dava para comprar um vestido para mim. Droga!

Sim, já que marido estava no Brasil, fiz uma lista com itens brasileiros que gostaria. Você acha que ele lembrava das coisas? Então resolvi mandar para minha sogra. Veio todos os itens, em proporções exageradas. Aí, marido foi me dando as coisas e "brigou" dizendo que eu pedi muito chocolate para a mãe dele (ela mandou 3kgs de chocolate?!). Eu abri o email que mandei com a lista e lá estava escrito que eu queria tal e tal chocolates (que por sinal, eu nem gosto- mas isso não significa que não como- eu disse que iria dar de presente) uns 6 de cada e mais uns Ouros Brancos (o plural fica assim?), porque eu amo. Marido leu o email e disse "Nossa, minha mãe é louca!". Eu acho mesmo que ela ficou foi com dó da minha lista (até cream cracker eu pedi!!) e resolveu extrapolar um pouquinho. Eu sei que na mala de marido tinham 5kg de roupa+necessaire+a própria mala e 24kg de gostosura. Quem ganhou com o superávit de chocolate foram os meu colegas do trabalho e amigos brasileiros que vão ganhar mimos (não tudo né? Um pouco...).

Além da parte nada diet, ainda ganhei havaianas lindas (as minhas quebraram), cocada de cacau feita pela sogra com cacau da fazenda dela (que óbvio que só divido com marido...sou ruim mesmo, fazer o quê?) e panos de pratos que a madrinha do marido enviou para a gente. Sério, eu estava mesmo precisando de pano de pratos brasileiro, daqueles bonitinhos e bordados porque eu nunca achei desses por aqui. Não é muito amor?


De que adianta ter uma super máquina se seu marido não consegue focar?

Ps: só para esclarecer que, na verdade, eu que não quis acompanhá-lo ao Brasil, pois em maio será a formatura da minha prima e também da minha cunhada (irmã dele) e por nada nessa vida que eu iria perder mais um evento da família! Fora isso, minha irmã, que não vejo há 5 anos, resolveu passar uns dias na Bahia e iremos viajar.

22/01/2013

E vocês voltam quando? (mais do meu mimimi)


Essa é a pergunta que eu mais ouço desde que mudei. Depois que as pessoas entendem que a primeira parte do treinamento do marido só termina em 2014 e a segunda em 2016 a pergunta vira "quando vocês vão visitar o Brasil?". Não que eu me importe com a pergunta, eu gosto pois concluo que as pessoas estão sentindo falta e querem a gente por perto.

Taí um assunto complicado. Marido não quer voltar para o Brasil. Eu quero voltar. Por mim voltaria hoje. E eu explico: marido passa mais tempo no hospital que em casa. Não qualquer hospital, um hospital que ele tem toda tecnologia médica a disposição. Hospital com colegas legais. Um hospital com professores feras. Sabe aqueles livros-base da área médica? Aqui tem um monte de autor importante. Um hospital que permite que ele cresça enquanto profissional. Quando ele está de folga, no caso, 4 dias por mês, ele quer sair para comer fora e aqui tem excelentes restaurantes. Ele gosta de fazer mercado e ir para cozinha. Ele tem amigos, mas quando está de folga acaba preferindo ficar em casa comigo e/ou estudando. Outra coisa é que ele fica seguro por saber que eu estou segura. (Para concluir, faltando 3,5 anos para acabar o treinamento, ele já recebeu uma proposta de emprego em uma cidade bem legal - e como eu sempre digo, legal é muito relativo quando se mora em B'ham).

Eu, por outro lado, não me adaptei a vida aqui. Eu não quero ser só mais uma esposa de médico, eu quero fazer algo que goste. Mas eu ainda não encontrei meu caminho aqui. O ritmo de vida é muito diferente do que eu quero para mim e do que eu considero saudável (mas ficar 2 horas presa em um engarrafamento no Brasil também não é saudavel...). Eu trabalho em um projeto brasileiro, minha chefe é brasileira, meu marido é brasileiro, meus poucos amigos são brasileiros. Tem alguma razão de eu permanecer aqui? Em conclusão, eu não sou feliz aqui. Pior, eu sou infeliz. E assim, não tem nada que nos prenda aqui, já que somos brasileiros. Eu não vejo nenhum motivo de sustentar uma infelicidade por nada. E para completar, quando mudamos do Brasil, a minha idéia era  de voltar (diferente do marido).

A maioria das pessoas fala que eu sou maluca, que o Brasil está péssimo. E gente, eu sei. Estive em Salvador há pouco tempo e fui recebida com policiais armados. Mas é aquele negócio, o que adianta morar em um lugar "bom e seguro" se não sou feliz? Voltando para o Brasil, vou entrar no doutorado de neurociências. Reaprender neuropsicologia que eu amo. Aqui, eu não sei o que quero fazer e é horrível essa sensação de estar perdida praticamente aos 30 anos (ou pode ser bom, vai que eu encontre um novo caminho).

Daí, uma neurologista brasileira veio passar uma temporada em B'ham e entrou em contato com marido e fomos jantar. Uma das coisas que ela falou foi que a vida aqui é muito ruim. E ela foi explicando os motivos. Eu concordei 100%. Eu simplesmente não gosto da vida nos EUA (da parte que eu conheço). Não gosto da sombra de mim mesma que eu me tornei. Daí que ela falou das possibilidades que marido teria no Brasil e tal. Eu fiquei feliz. Não, a vida no Brasil não vai ser fácil. O nosso poder de compra vai ser menor, muito menor, mas eu vislumbro a possibilidade de voltar a ser feliz. De poder ver um bom filme de arte com minha mãe (aqui em B'ham não passa esse tipo de filme), de almoçar na casa da sogra, de comer a feijoada do meu pai, de visitar as amigas, de encontrar o grupinho de amigos do marido da época de escola e rir muito (porque eles são super patetas e muito legais). Essas coisas eu jamais terei aqui.

Esses dias fomos na casas dos nossos amigos indianos entregar um presente que trouxemos da Disney com brigadeiros (veja bem, antes de viajar eu esqueci meu celular em cima do carro no estacionamento do hospital e o indiano saiu do trabalho para salvar meu celular e nossa viagem - marido estava uma fera comigo! - então nada mais justo do que um pratão cheio de brigadeiros) e o indiano falou algo do tipo "porque quando a gente sai do nosso país, a gente já tem claro que está abrindo mão da nossa família". Caiu a ficha, tipo, eu nunca tinha pensado nisso e fato é que eu não abri mão de conviver com minha família. Talvez por isso morar fora para mim seja tão difícil. Quando eu cheguei das férias na Disney que liguei meu celular esquecido, tinha recebido fotos do Natal da família e sério, eu chorei tanto, tanto. Toda a distração que inventamos para o Natal foi para o ralo quando vi a foto das primas e mais uma vez eu não estava lá...

Não há nenhuma decisão tomada porque eu mudo de idéia quase como mudo de roupa. Quem sabe em 2014, a gente mudando para outra cidade, eu não me encontre e resolva ficar? Antes de voltar para o Brasil, eu também quero tentar o Canadá. Sim, eu sei que o Canadá é frio, mas olha só, moro em um lugar que tem um inverno ótimo e detesto a vida aqui, talvez me acostumasse com frio. Só testando para saber. E já que temos a possibilidade de testar, por quê não? Marido que já está gostando mais da idéia de voltar ao Brasil, já achou um hospital interessante (que não é em Salvador, aviso aos navegantes) que poderia trabalhar, já ficou até empolgado porque irá encontrar médicos desse hospital em um congresso em junho. E eu claro, fiquei feliz. Mas sabe que depois que ele topou voltar para o Brasil minha ansiedade diminuiu e eu tenho vislumbrado a possibilidade de ficar? (indecisão, a gente vê por aqui!). Tenho pensado em passar uma temporada no Brasil, como fez a Mike, daí a decisão seria mais acertada. Por enquanto não tem nada certo, mas fico feliz por ter 3 opções para escolher. Ruim é não ter opção nenhuma.

02/12/2012

Da (minha) falta de limite e dos desastres

Se tem duas coisas que alguém que queira se tornar amigo de marido precisa saber é:

- Nunca mexa,  peça ou olhe profundamente para a comida dele. Se tem algo que ele não compartilha é comida (do tipo "Joey doesn't share food"). Com ninguém! E olha que eu tento, mas ele se transforma e fica enfurecido (muhahahhaa).
- Nunca, jamais, de maneira alguma brinque, faça uso, requisite os eletrônicos do marido.

Mas eu sou cara de pau, e sempre peço a comida dele (vale lembrar que sempre sobra do meu prato e com raríssimas exceções, eu divido minha comida com frequência). Raramente consigo um pedaço, é verdade, mas gargalho com a irritação dele :).

Mas aí, eu passei dos limites total, agora uso o computador branquinho dele. Aquele da maçãzinha mordida, aquele que não é mais produzido, aquele que ele ama de paixão (menos que eu, devo salientar). Aí, marido deixou o brinquedo em lugar errado e eu sem saber derrubei no chão. Pense que ele estava presente e brigou muito, muito, muito. Corri para ver se tinha quebrado, pra ver se estava tudo certo. Estava funcionando, mas... eu quebrei o probrecito. O pobrecito que fez a ponte-aerea Salvador-EUA tantas vezes, que vinha, desde de 2008 desempenhando bem o seu papel, não aguentou e sucumbiu a minha violência totalmente sem intenção. O problema é que marido não quer outro, o problema que ele se irrita quando o branquinho teima em não ligar. Eu até tentei fazer uma surpresa e comprar uma nova versão, mas ele não quer. Bom, fazer o quê? Deixa ele sofrer o luto da "perca"do branquinho aos poucos :)

Ps: Sorry marido, Luv u :)

09/09/2012

Porque hoje fazemos 3 anos de casamento (+ 5 anos de namoro a ser comemorado daqui exatamente 1 mês). Não, não iremos comemora. Marido está no hospital e ficou de sobre-aviso ontem (que foi pesado, mil ligações durante a noite!) e hoje também ficará. Eu estou estudando muito desde sexta para entregar as atividades e me preparando para um discussão na terça (medo!). A vida na faculdade está tensa, muito tensa! Acordo no meio da noite e não consigo mais dormir de ansiedade, de nervoso. Não consigo acompanhar as aulas. Não entendo o que é dito, perco ponto porque não participo das discussões (como participar se não entendo nada?). Chorei tanto essa semana, estou me sentindo péssima por não está conseguindo dar conta do trabalho e da faculdade (e já adiantando o que sei que vão postar nos comentários: eu sei que vai melhorar, mas no momento está uma merda!). Ontem passei o dia estudando e não consegui fazer uma atividade que será entregue na terça. Meu marido me ajudou muito e literalmente depois de 3 horas, consegui fazer 3 questões (não finalizei a tarefa porque já era tarde, mas entendi o princípio). Me senti tão incompetente, chorei tanto, gritei de raiva (até rouca fiquei). Aí, hoje eu comecei a fazer as atividades as 8hs e agora, as 14hs eu finalizei 3 e estou na metade da última (porque depois de chorar tem que resolver as coisas). Daí que eu parei para passar o aspirador na casa, liguei a TV e estava passando essa propaganda. Lembrei muito do meu marido e de mim. Eu passei 2 anos cheering him up e agora é a vez dele e ele tem tentado fazer tudo mesmo chegando morto do trabalho, consegue um tempo para aturar meu nervoso e me ajudar nas tarefas da faculdade. Ó, se quiser fazer uma prece, mandar boas energias, estou aceitando :)
Ps: eu tenho conseguido visitar os blogs amigos, mas no trabalho não consigo comentar, no meu celular eu tenho muita preguiça porque demoro horrores e quando chego em casa, meu computador fica na área de estudo e o pc do meu marido é louco e não registra meus comentários. Sorry! Então, quero agradecer o último post da Wilqui, ele veio "ni mim com força". Espero que brevemente eu  conte uma história de superação assim.

24/04/2012

Planejante: e surge um novo termo!

Bom, eu preciso admitir uma coisa aqui.

São 5 anos de namoro + (quase) 3 anos de casamento + aquele negócio "E quando o amor entre duas pessoas não cabe mais no peito, nasce uma outra vida." 

Já passamos da fase de ter certeza que o dinheiro dá, já sei que quero um filho americano também (mas chance de bolsas e possibilidades no futuro). 

Já estudei bastante sobre bilinguismo, qual a teoria seria aplicada aqui em casa (eu estudei para ajudar umas amigas, mas né, serve para gente também)

Eu e o Leo só pensamos naquilo ("do verbo" em aumentar a família, ou melhor, de passar de casal para família). Viajamos no "e se" e "e quando". Conversamos sobre como será, sonhamos juntos.

Mas aí, né, eu acho que a gente deveria esperar (e só eu acho, embora seja algo respeitado pelo marido). Esperar meu marido passar nas provas do ano que vem, esperar ele fazer pesquisa (e com isso aumentar nossa chance de fugir dessa terra). Esperar ele fechar o contrato do fellow. Esperar a mudança de cidade. Esperar eu terminar meu curso (que nem comecei). Esperar a gente mudar, esperar meu visto expirar e eu não poder mais trabalhar, esperar decidirmos se ficamos aqui ou se vamos para o Canadá (cenas do próximo capítulo). Esperar o fellowship terminar, esperar passar os 2 anos de obrigação com o visto. Esperar, esperar e esperar... (só aí nessas contas seriam 7 anos de espera)

Porque eu sou a racionalidade em pessoa e por mais que eu veja o pessoal ao redor tendo filhos, muitos deles, com salários bem menores, eu tenho dificuldade em não planejar e tentar deixar tudo perfeitinho. Vê aí se um filho não vai me ensinar muito, porque se tem algo que criança faz com conhecimento de causa é "desplanejar".

Então, que minhas amigas resolveram encher esse mundo de crianças gordinhas e cheirosas. Meus primos (MUITO mais velhos que eu, isso tem de ser dito :) ), resolveram criar uma liga de aumento da população mundial o que vai gerar (já até começou) uma chuva de Bittencourt fofoletes. Inclusive, colegas estrangeiras, casadas com residentes, assim como eu, que resolveram colorir essa terra de ninguém com filhos metade americano e metade hispano. Coisa linda! Aí,eu ainda acompanho o blog da Nívea que vive mostrando o babóg viking dela com fogo na fralda e gente, tem como não se apaixonar?

Nesse momento, conversar com gente sobre o tema é a pior escolha: tem gente que te dará mil argumentos a favor do porquê você deve ajudar a povoar o mundo e tem gente que faz o caminho inverso. Bom, como os casais que estão na fase de tentar engravidar se auto-intitulam Tentantes (né, Pa?), eu acho que eu estou na fase pré-tentante e a cunhei de Planejante. Não é isso?


31/03/2012

Das coisas sem cabimento, do pássaro-coruja, da minha boca grande e do quentinho do sol

Marido abre a porta de casa de manhã cedo para ir trabalhar e diz: Tem cabimento uma coisa dessa?
Esposa coloca a cara para fora da porta, olha para o carro estacionado e parece tudo direitinho, faz a varredura na região e não entende a frase falada com tom de raiva e tristeza do marido e pergunta: o que aconteceu?
M: tem cabimento esse horário de verão? São 6:45 da manhã e ainda é noite! Esse maluquice só deveria começar em maio que tem sol de verdade!

Pois então, o saving lights começou umas semanas atrás. Algo que me deixa extremamente feliz porque sou uma morning person e quanto mais sol no final do dia, mas eu produzo felicidade. Além da vantagem da diferença de horário do "Coração do Brasil" ter diminuido para 2 horas (terminou o horário de verão no Brasil). Já para marido, é péssimo porque ele passa o dia enfurnado no hospital e não vê a cor do sol nem quando está dirigindo para o hospital. O que eu digo é que tem gente que tem que trabalhar enquanto outros trabalham menos e vivem mais. É a ordem da vida, fazer o quê né?

***

Dormir é uma das boas coisas da vida. Eu tenho um sono super leve e acordo com tudo e sempre acordei cedinho nessa vida. Acordo cedo, mas vou para cama cedo. Aí, com a chegada da primavera, do pólen, das flores etc, os animais ficam doidos. Mas não me leve a mal, adoro os bichinhos, tenho milhares de fotos deles (ou tentaivas, porque os bichos não param no lugar) que vão de esquilos a passarinhos. Amo ser acordada com o cantarolar dos passáros, me sinto a própria Branca de Neves (e do jeito que estou branca, estou chegando lá). Mas acho que o inverno quente desse ano deixou o relógio biológico das aves meio que desregulado. As criaturas resolvem cantarolar de noite. Começa as 21hs e não termina até a meia noite para recomeçar as 5am ou até antes disso. É uma cantoria que fica difícil de pegar no sono. principalmente mantê-lo. Aí, eu viro para o lado, eles falam de lá, viro para o outro, eles respondem e fica aquela briga. Até que meu marido estabelece: precisamos conversar com esse pássaro-coruja e esclarecer que o plantão deve ser dado em silêncio. Parece que a conversa deu certo porque tenho conseguido dormir melhor.

***

Eu: Marido, você vai querer o quê de aniversário?
Marido: Sei não...nada...
Eu: Affff, tem que querer alguma coisa, ué!

Aí né, eu descubro uma super promoção de uma máquina de fazer café. Pesquiso na amazon e em outras lojas e o preço estava bom mesmo! Porque marido não tem tempo de tomar café todo dia, porque ele já falou super bem dessa máquina, porque não demora nada para ficar pronto (enquanto ele coloca o sapato e pega o jaleco, a máquina está preparando o cafezinho dele), porque ele acaba comprando um mocca todo dia no sturbucks. Aí, resolvo fazer uma surpresa, mas né, tem um monte de modelos, com temperaturas diferentes de água e um monte de frescura que eu não entendo. Porque né, café é ruim demais. Aí, desisto da surpresa e quando ele chega do trabalho, aviso: vou ter dar uma keurig de aniversário! Então, ele fez a pesquisa, viu qual seria a melhor máquina dentro dos modelos em promoção e fomos lá comprar. Ainda recebemos "um troco" de um gift card de $35. Ah como eu gosto dos EUA e que pena que eu detesto café porque adorei a nova aquisição! 

PS: Eu digo a verdade, não consigo fazer surpresa, fico tão  empolgada que sempre conto antes.
PS2: Marido só fazaniversário em maio.

***

Na saída do restaurante, abro a porta do carro e sai aquele bafo quente. Eu, nos meus pensamentos, agradeço a Deus a maravilha de ter um sol que brilha e esquenta. Dentro do carro, marido:

Afff, que calor da zorra! 80F?! Quem aguenta esse calor!
Eu: oxe, mané calor, tá gostoso esse quentinho.
M: Gostoso?! Você está maluca, eu estou quase suando!
E: Eu também, não é bom?
M olha com cara de "esse calor fritou seu juízo?" e emenda: é bom quando a gente está de férias na praia, comendo um peixinho frito. Qual a graça de suar aqui?
E: A gente passou tanto tempo com a temperatura por volta dos 40F que eu estou amando suar. E nem reclama porque no verão o carro vai ficar uns 107F
M: Não posso esperar (em tom irônico)

Sim, um nordestino, vindo diretamente das terras "gélidas" de Salvador reclamando do calor, hai ai, viu, me deixe! :)


06/11/2011

Causos "gastronômicos"

1. Esposa (acompanhada do marido) chega alucinada de fome em um restaurante e ouve do digníssimo:
M: vamos pedir um prato só para nós 2?
Esposa impaciente e faminta braveja:
E: Estou morta de fome! Pelo amor de Deus, não quero dividir nada, vou comer um prato inteiro! Capaz de eu comer o seu resto!
M: Hum...sei (sem dar crédito), você nunca come tudo e  a gente não vai ter como levar a sobra para casa (hábito americano)!
E: "Avi" Maria, vamos pedir logo, estou faminta e relaxe que eu vou comer tudo. Você briga por tudo (rindo).
Primeiro veio o pão, depois a salada e depois o prato principal e claro (para variar! como o marido costuma falar, a esposa deu algumas garfadas e deixou mais da metade do prato) a esposa oferece para o marido o "resto" e ele já "nervosinho" respode:
M: Eu sabia! Eu avisei (o que mata a esposa de raiva) que você não iria comer tudo e agora eu também estou estufado.
(a comida não foi para o lixo,  a rota foi desviada e a comida guardada na geladeira e a  esposa teve que engolir a cara de "eu disse" do esposo).

2. Marido vai passar num fast food depois do trabalho, liga para esposa querendo saber se ela quer algo. Ela diz que não. Marido pergunta outra vez só para confirmar, mas a esposa repete a resposta. Marido resolve comprar uma batata grande pois conhece a fraqueza da esposa pelas malditas batatinhas. Marido chega com o pacotinha (que não é de Deus, tenho certeza) e o cheiro de gordura invade a casa americana (que tem sempre as janelas fechadas). O marido oferece a batata, a esposa aceita uma, duas, três...quando marido termina o "hamburgui" e vai atacar a batata...ué, acabou!

3. Marido vai para cozinha preparar um sanduiche com as sobras do almoço e pergunta:
M: querida, você quer um sanduiche?
E: não, não( sem dar muita atenção).
M: Olha, eu não vou deixar você tirar nenhuma mordida, se quiser eu faço um para você.
E: não quero, mas valeu (esposa entretida no computador).
Marido sai da cozinha, sobe um cheiro delicioso. Marido morde o tal sanduiche e fala maravilhas (ou será que só "disse" huuum). Esposa olha para marido com olho grande e:
E: dá um pedacinho?
M:Pourran, eu falei que se você quissesse eu faria um só para vc. Esse é meu e não divido.
E: Eu não quero um inteiro, eu só quero um pedacinho, por favor! (frase falada com muito amor e com cara de pedinte).
M: você sempre faz isso...toma vai!
Esposa fica feliz e contente...

A minha pergunta é a seguinte: se o marido já conhece o padrão de comportamento da esposa, porquê cargas d'água ele não se adianta? (sim, porque a culpa é sempre dele e não minha :), afinal de contas levo a sério "happy wife, happy life" )

17/10/2011

Marido sai do hospital e peço para ele passar no mercado. Ele, que adoro fazer mercado (e eu não estou sendo sarcástica, é verdade), diz que não, que vem me buscar para irmos juntos. Eu digo que ele está tão pertinho e só precisamos de umas 5 coisinhas (nem é mercado de verdade, né?). Ele vai e diz que será rápido. Quase 2 horas depois do mercado-rápido-só-para-comprar-5-itens chega marido com a lista comprada e mais umas coisinhas. Ele foi tirando as compras das sacolas e mostrando. Dizendo super animado que tem edredon/lençol/fronha na promoção em tal lugar, dizendo que a balança de cozinha está ainda mais barata que da última vez que fomos ao mercado (marido é louco por coisa de cozinha e tudo que vê quer comprar. Essa balança é super moderninha, mas não tem nem cabimento comprar porque ele não mede nada quando cozinha, é tudo no olhômetro mesmo). Daí, ele para e solta "é, acho que não posso ir ao mercado sozinho, perco muito tempo olhando os produtos e trago um monte de coisas extras". Achei o máximo! Uma coisa que ele trouxe extra e que eu adorei:

Flores pink com o símbolo da campanha
Essas flores são comemorativas ao mês internacional do combate ao câncer de mama! Por aqui esse assunto é levado a sério e nesse mês teve um montão de eventos relacionados a causa. De corridas a coquetéis. Uma coisa interessante é que muitos produtos lançaram embalagens para celebrar o mês.
Tudo pink nas propagandas e jornais

E você tem feito o auto exame? É a forma mais rápida e prática de perceber precocemente que tem algo estranho. Sim, eu sei que a ginecologista faz o exame na consulta, mas é fundamental que a gente também faça. É tão rapidinho e dor 0! Não sabe fazer? Tem um montão de vídeos na internet, mas o mais legal/interessante/criativo que eu já vi, foi recomendado pelo meu amigo Renato via facebook. Acho que o vídeo está em inglês, mas a verdade é que eu não prestei tanta atenção na língua, rá! Brincadeiras a parte, tá aí algo simples que a gente tem de fazer.


A Pipa falou das fontes rosas de sua cidade para celebrar o mês de combate contra o câncer de mama!

10/10/2011

7 anos juntos!

Sim, o tempo passa para todos, inclusive para mim! Ontem comemoramos a primeira vez que saímos juntos...e já tem 7 anos! De lá pra cá vivemos muitas coisas, mas nada se compara a dificuldade de morar em outro país, num lugar que eu detesto (porque marido gosta, afinal só passa na cidade para chegar em casa e dormir, de resto fica no hospital). Tenho orgulho de falar que a gente quase não briga (uma briga de verdade, porque essas discussões bestas que sempre termina com um dos dois dando risada, acontece com mais frequência). E assim a  gente vai levando. Como não comemoramos os 2 anos de casados no mês passado devido ao marido estar pos call, comemoramos nesse final de semana e foi muito legal!

Peguei o marido na sexta e comememos comida chinesa (que eu adoro e não tive que cozinhar). Ele veio para casa dormir (estava pos call). Quando acordou fomos comprar roupa e ele conseguiu fazer o cartão de crédito da minha loja favorita aqui. Gente, que alegria! O limite é super alto! Ficamos super felizes! (Se você não mora desse lado do mundo pode já ter feito o julgamento "a louca das compras", "vão gastar mais do que podem", "só poderia ser nesse país consumista" e se pensou assim, senti pena de você. Pena pelo seu julgamento errado, mas como sou legalzinha, eu explico: isso significa que marido começa a ter um pouco de crédito o que facilita e  muito a nossa vida por aqui). Certeza que essa foi a notícia do mês!

No sábado, claro que pela manhã eu fui ao jazzercise, que é a  melhor coisa que eu encontrei nessa terra de ninguém. Marido foi tomar café da manhã num lugar aí que eu não gosto muito, mas que ele adora. Almoçamos salmão (que eu detesto, vale ressaltar, mas reza a lenda que é saudável e marido se acha geração saúde), descansamos e depois fomos ao cirque du solei. Vimos o espetáculo Dralion. Foi muito bom! Eu amei!!!! Descobri que B'ham tem um "centro de convenções" enorme! E sim, já que estavamos lá, comprei pipoca e marido cachorro quente (eu achei tão estranho entrar no teatro comendo, mas a idéia de morar fora é experimentar o que era estranho, né mesmo?)! Fiquei feliz de riscar algo da minha bucketlist. Depois fomos num fancy restaurant que marido estava louco para ir. Bem verdade que não me senti confortável, verdade que não gostei da minha comida, mas a sobremesa salvou a parte da comida. Beignet com sorvete de baunilha caseiro (delícia!) e maçã sauté. Huuuuum!!!! Conversamos bastante, ficamos imaginando onde que marido fará o fellow (que não seja na UAB, que seja em qualquer outro lugar!), o que faremos depois, pra que cidade/país iremos (já sabemos que Salvador e Birmingham não estão na nossa lista). Marido contabilizou o quanto de dinheiro estaria fazendo se trabalhasse as 80hs que trabalha aqui, no Brasil e o quanto estaríamos bem de vida se estivessemos lá. Mas né...hai ai...ele gosta da residência, está aprendendo bastante e é por isso que estamos aqui. Eu já falei com minha chefa e já comecei a fazer um artigo de casa mesmo, para adiantar minha vida.

No domingo ainda fomos almoçar uma massa...e simplesmente o final de semana terminou. Mas foi um ótimo final de semana!

UPDATE: hoje, feriado aqui, marido voltou 1pm do hospital. Vê se não é para comemorar!

Imagem: Jana Magalhães

07/08/2011

Ser dona de casa desse lado do mundo


Aqui no Alabama ser dona de casa é bem comum. Ora, o estado que tem os maiores índices de gravidez antes dos 20 anos (comum eu ver mulheres na minha idade com 3 filhos!), um dos estados mais pobres e sem tantos profissionais qualificados, né. Além disso, creche aqui não é algo barato e muitas vezes só aceita a criança por um turno. Nas escolas, as crianças tem aula até as 13 ou até as 15hs (depende da idade) e claro que não podem ficar sozinhas em casa (só se tiverem mais que 13 anos). Lembrando que o americano nem sempre mora próximo da família e  por isso, nem sempre tem aquela ajuda da sogra ou mãe. O que algumas mulheres fazem é cuidar dos filhos e quando eles estão grandinhos voltam a trabalhar 2 ou 3 vezes na semana (eu sinceramente não sei se aqui tem gente que casa e não tem filho, acho que aqui no Alabama as coisas são  tão quadradinhas, tão iguaisinhas...).

Bom, mas ser dona de casa aqui é algo bem respeitado (verdade que se você é dona de casa e não tem filho, não é tão respeitado assim).As mulheres dão conta da casa (no estilo americano néam?), dos filhos (leva filho para escola, para o futebol, para brincar na casa dos amigos, fora as mil competições que as crianças fazem parte aqui nesse país), dos maridos e delas mesmas (jazzercise, salão, saída com as amigas...). A minha preocupação em ser dona de casa (porque eu só conhecia o modelo brasileiro) era a de não ter o que conversar e a de viver a vida dos outros membros da família. Mas aqui, as donas de casa têm vidas completamente separada da família: são voluntárias, participam de clube de leitura, participam de diversas atividades e o que não falta são histórias para contar.

Uma coisa importante é que aqui, pessoas que continuam trabalhando quando têm filho e que portanto pagam babás ou creches para as crianças passarem o dia, não é bem visto. É como se a mãe-trabalhadora não fosse uma boa mãe, pois deveria deixar de trabalhar e ficar com a criança em casa (pelo menos no primeiro ano). Por isso, ser dona de casa aqui é um trabalho levado muito a sério.

Ah, para ajudar na vida de "Amélia", o americano não é machista (pelo menos não tão machista quanto o brasileiro). O marido ajuda nas tarefas de casa e quando as mulheres saem com suas amigas (o famoso girls night out o que acontece com uma certa frequência) eles ficam em casa com as crianças. Sim, aqui marido e mulher não precisam estar colados não e é muito normal os maridos sairem com seus amigos e as esposas com sua thurma. Afinal, todo mundo merece um "break-zinho". Sábado de manhã é o dia oficial dos país e seu filhos. Para todo lugar que você olhe, tem pai (sem a mãe!) com seus filhos. As mães tiram a manhã de folga ou vão faxinar a casa. E ai do marido se falar que a casa está bagunçada, a  mulher vira bicho, afinal esse é o trabalho dela e ela leva muito a sério.

Aí, quando eu falo com o pessoal no Brasil, sempre tem alguém que acha que eu tenho que correr atrás (sim, eu estou parada, estagnada e não faço nada, tadinha "de eu"), que não é certo viver a vida de Leo (eu pergunto: como eu vivo a vida de uma pessoa que praticamente não vejo?) e um monte de blá, blá, blá (imagina o que eles pensam e não falam). E aí, apesar de não gostar muito de morar aqui, agradeço a Deus pela oportunidade de abrir ainda mais minha mente e me tornar uma pessoa ainda melhor do que já sou (nada modesta, hein). Eu até entendo o comentário dos brasileiros, no Brasil a gente é programado para trabalhar e num país machista, mulher que não trabalha fora, não é respeitada, quer dizer, mulher no Brasil não é respeitada de jeito nenhum e por isso não pode depender de homem. Enfim, eu não desisti de estudar e de trabalhar, mas é que cada hora surge uma complicação (e a complicação da vez é sobre o meu visto) e no momento, o que me cabe é ser dona de casa e nessa, eu vou decobrindo outros talentos: restauradora de móveis, decoradora (compramos uma peça e outras coisinhas, a casa tá uma graça!), cozinheira, estou lendo livros de psicologia em inglês (para aprender o vocabulários), estudando para o TOEFL que é no final do mês... Porque minha gente, eu não nasci para sofrer e estou preparando uma super limonada com os limões que tenho encontrado :).




11/07/2011

Porquê/ Por que (meu Deus!) eu fui casar com um médico

Sei, sei, não foi por falta de aviso, antes mesmo de eu conhecê-lo, uma amiga que é filha de médico disse que ser mulher de médico é muito complicado, tem sempre alguém querendo mostrar uma pereba, tirar uma dúvida sobre a saúde. Fora os plantões, os atrasos porque um paciente ficou doente ou sei lá o quê. Essa amiga disse que jamais casaria com um médico e me alertou bastante. Claro que ela acabou casando com um, pior, um cirurgião geral (que é sinônimo de muitos plantões). Já na faculdade, em uma conversa, um amigo me falou que casar com médico é muito ruim, pois toda a sua vida gira em torno da agenda dele (verdade!). Mas eu né, teimosa, fui lá e casei com um! Agora fico aqui achando ruim ficar sozinha em casa, em pleno domingo (plantão qualquer outro dia eu levo numa boa, mas domingo é muito ruim!). Marido está no hospital cuidando da enxequeca dos outros (estou morrendo com uma enxaqueca chata desde ontem!). Pior, amanhã ele vai chegar mortinho da Silva, depois de 30 horas acordado, zanzando de hospital em hospital (ele é o único neurologista- ou quase isso- de plantão e atende emergência, o hospital do exercíto, o hospital da UAB, o hospital público, faz consultas e faz admissão, tá achando pouco ou quer mais?) e vai dormir all day long. Aí ele liga de tardinha perguntando como estou, eu digo que não muito bem, que a enxaqueca está chata e que ele está longe e ele "sinto muito, meu amor. Sinto muito mesmo por ter plantão hoje, mil desculpas por deixar você aí sozinha e com dor". Aí, eu lembro porquê casei com ele, muito fofo né?

20/06/2011

Você já viu Blossom?

E essa foi a conversa que o marido teve as 11PM.

Marido: Esse cara é o cara de Blossom! (ele estava vendo a chamada de Melissa e Joey). É ele mesmo,ele fez Blossom, olha!

Eu: quem é Blossom?

M: Você não sabe quem é Blossom? (com uma cara de espanto)

Eu: Não. (sem dar muita importância)

M: (coloca um episódio do tal seriado no youtobe e me mostra). Aí ó, Blossom! Vai dizer que você nunca viu?!

E: (sem dar nenhuma importância). Não, nunca vi, mas essa menina parece Amy Farrah Fowler (namorada de Sheldom no The big bang theory).

Meu marido, ainda não convencido que eu nunca havia assistido o seriado, coloca a música da abertura (30 vezes seguidas, juro!) e continua espantado porque eu nunca havia visto o tal seriado. E vai me explicando sobre os personagens, super empolgado.

M: Como você não assistia?! Passava na hora do almoço. Eu chegava em casa da escola e enquanto almoçava via o seriado.

E: Eu não comia vendo Tv, na verdade, eu praticamente não via Tv...(continuo sem dar importância)

Meu marido ficou repetindo "gente, você não assistiu Blossom?" como se fosse algo importantíssimo. A verdade é que até os meus 10 anos eu quase não via Tv (só xuxa pois era mega fã das paquitas!). Não assiti Cavaleiros do Zodíaco, não assisti Punk a levada da Breca (só desenho animado!) e só fui saber que existiu uma banda chamada Menudo lá paraos 15 anos. Morava numa casa enorme com direito a piscina e pé de amora no quintal. Tinha bicicleta, patins e milhares de amigos no condomínio. Não tinha tempo para TV.  Vivia na cidade "grande" com direito a teatro,  cinema e afins, mas tive o privilégio de morar num condomínio fechado que me possibilitou uma vida de interior, onde os vizinhos se conheciam. Final de semana, a gente ia para Guarajuba, casa cheia de primos e toda a dó-ré-mi. Na minha infância, minha música preferida, aquela que minha mãe cantava para eu dormir era leãozinho de Caetano. Então, eu nunca tive tempo para Tv...

Expliquei isso para o marido e ele continuou não acreditando que eu não sabia o que era esse seriado (era tão bom assim?). Aí, ele encontrou um site que tem todos os episódios gravados e quer que eu veja tudo. Ay, ay, ay, ay, ay!

12/06/2011

Dia dos namorados

Aqui nos EUA o Valentine's day é em fevereiro e um pouquinho diferente do dia dos namorados que a gente tem no Brasil. Por aqui, o comércio está ansioso pelo dia dos pais que é comemorado no terceiro domingo de junho. Um monte de promoção para esse público, de roupa até ferramenta.

Eu nunca gostei de comprar presente e afins na data. Acho um saco ter de comprar presente e acaba que fica uma coisa chata ser obrigada a comprar só por causa da data. Fora que os restaurantes ficam lotados aí no Brasil. Eu não sou muito"dada" a essas datas. Mas esse ano eu iria dar um presentão para meu marido: aula de vôo com direito a 40 minutos voando (com um instrutor do lado). Sabe quando você está animada com um negócio, aí, antes de comprar, ligo para o marido, pra ver se ele queria, pois não teria como reaver o dinheiro caso ele não quissesse e eu não me interesso em nada por esse tipo de brincadeira. Nada dele atender o celular, mas retornou um pager meu e deixou uma mensagem bem sem graça no meu celular. Então tá né, não comprei e me recuso a comprar camisa, gravata e afins, então esse ano vai sem presente (mas o cartão teve). O pobre do marido, coitado, está super tenso com uma prova, a última prova dos steps, que decide se ele continua na residência ou se volta para o Brasil agora! Já pensaram o tamanho da tensão? Para melhorar, em menos de 20 dias, ele será R2 e o ano começa (01/07) prometendo ser o mais puxado (60 plantões, baby), o mais cansativo, o mais estressante...e o mais complicada é que o bichinho não sabe muita coisa (AINDA, porque né, ele vai começar agora no mundo mágico da neurologia) e tudo misturado fica pesado.

Então, adiamos as comemorações para os dias de folga que ele terá no fim do mês, depois de ter feito a prova. Iremos fazer uma "viagem" para Atlanta e fazer uns passeios aqui em B'ham que ainda não fizemos (diz que tem um lugar ótimo para ver o pôr do sol #faroldabarrafeeling).

Passei o dia dos namorados numa ponta da mesa estudando para o TOEFL e meu marido para o step3, espero que o seu dia tenha sido melhor, com ou sem namorado :).

06/06/2011

1 ano na Terra do Tio Sam!

Dia 01/06 fez um ano que eu mudei. E não, não passou tão rápido, senti cada dia que se arrastou nos 6 primeiros meses (sendo que estive no Brasil por 1 mês e meio), de janeiro em diante a vida aqui começou a entrar nos eixos, mas penso em voltar para o Brasil todo dia. A verdade é que se soubesse que seria desse jeito, não teria vindo. Bom, eu sabia que o primeiro ano seria o ano mais complicado, o ano do luto e tal e realmente foi. Acho que quem sai do Brasil para casar, para tentar uma vida melhor a coisa deve ser diferente (não que seja mais fácil), mas no meu caso, nessa mudança, se for para colocar na balança, eu perdi muita coisa. Tinha uma vida confortável no Brasil, um trabalho (que poderia ser melhor, já que tive que abrir mão de muita proposta por conta da mudança) tudo ajeitadinho e eu não sonho em morar aqui nem nada. O negócio é que sou teimosa de pai e mãe e aí quando a coisa está feia, difícil é que eu quero ficar, quero provar que eu sou boa o suficiente para melhorar a situação, sei não.

Acho que tenho que comemorar, mesmo assim, afinal sobrevivi a esse primeiro ano que começou terrível, conseguiu piorar, mas terminou bonzinho. E se o primeiro ano foi péssimo, acredito que o segundo será maravilhoso.

O bom é que agora eu já me sinto em casa, já sei os caminhos (não todos), tenho trabalho, faço aula, tenho um super objetivo (que só de pensar, cansa! Eu ainda não sei o porquê de eu insistir em estudar/trabalhar, ser dona de casa aqui já é complicado!). A casa nova é uma maravilha e aos pouquinhos as coisas vão se ajeitando. Claro que toda essa mudança teria sido muito pior caso eu não tivesse encontrado pessoas maravilhosas que cruzaram o meu caminho. Sem elas a vida aqui teria sido um terror, pior do que foi. Pessoas daqui de B'ham e pessoas de várias partes desse mundo que eu acomponho pelo mundo bloguístico e que me confortam (sabe aquela coisa "ah, não é só comigo" que quando a gente descobre dá um alívio?).

Nesse tempo eu aprendi que os EUA não é tão bom como se pinta e que o americano não é tão ruim quanto se pinta. É bom rever os conceitos e atualizá-los. Fiquei mais próxima ainda do meu marido e quando um chorava desesperado pedindo para voltar, o outro dava suporte, porque assim né, na hora da emoção a gente quer o caminho mais fácil, mas voltar depois de tanto investimento financeiro e pessoal sem alcançar o objetivo é fogo, então se for para voltar para o Brasil (que a cada dia voltar a morar no Brasil fica mais distante, já que ando me acostumando com a vida "boa" daqui) que a gente volte com pelo menos um diploma para ele e um para mim, né? De qualquer forma, estou fazendo estória e o que seria da vida sem estórias né? Daqui um tempo, quando tudo isso virar passado, vou ter uma (boa e longa) estória para contar :). E que os próximos 4 anos (o mínimo de tempo que ficaremos até o final da residência) sejam um crescente de alegria! Amen!