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28/06/2016

O quarto Montessori funciona?


O quarto Montessori nada mais é do que um quarto para o bebê e não para o adulto. Simplificando, a ideia é que o quarto seja um espaço seguro e que a criança tenha liberdade e acesso as coisas para que possa experimentar e aprender sozinha. Para mim, um conceito sensacional!

Quando apresentei a proposta para marido, ele não curtiu "não vou colocar minha filha no chão", mas fomos conversando e fui mostrando os porquês e o lado positivo de tudo aquilo. Alice dormiu com a gente até o quinto mês (no berço, aqui nos EUA recomenda-se que o bebê durma no quarto dos pais até o sexto mês, como forma de prevenção de morte súbita), depois passou para o quartinho dela. Desde que essa mudança ocorreu, começamos a ensinar para ela como dormir sozinha. Foi um processo, não somos a favor de deixá-la chorando sem consolo. Em 15 dias ela já tinha aprendido a dormir sozinha (não significa que até hoje não tenha dias que ela precisse de um pouco mais de carinho, que a gente deite junto e cante uma música, e quando isso acontece, a gente fica com ela).

Pra gente o quarto funciona super bem. Alice acorda e fica brincando. Gosta de ler os livros dela, olhar para fora da janela. Ela acorda e já vai fazer algo, não fica entediada sem o que fazer. Antes, havia muitos brinquedos no quarto e ela passou a demorar muito para dormir, especialmente nas sonecas, daí tiramos a maioria dos brinquedos, deixamos uns livros e pronto. Tem sempre um copinho com água para ela se servir caso tenha sede. Desde os 6 meses ela dorme 12 horas (com exceção quando viaja, quando está doente, quando nasce dente etc...tem muita exceção).

Para nossa família, seguir a ideia do quarto foi excelente. Casou super bem com nosso estilo de vida e com a personalidade da pequena

22/05/2016

Como ser médico nos EUA: o visto novo saiu, vamos ficar nos EUA.


Quando o fellowship de Leo estava quase acabando, decidimos que queríamos ficar nos EUA. O que acontece é que para fazer a residência, o visto que marido tinha, exigia que ao final do treinamento ele voltasse ao Brasil depois de 2 anos (e muita gente acha que não tem nada que se possa fazer em relação a isso e tem que voltar mesmo, mas tem jeito, especialmente porque o governo brasileiro não financiou nada e tudo feito LEGALMENTE).

A Flórida (junto com a Califórnia) é o estado mais difícil para estrangeiros, especialmente para especialistas. Então que para ficar, é necessário encontrar um hospital para "patrocinar" o visto. Eu só sei que o chefe da neuro mudou e que ele fez uma proposta de emprego para Leo. O chefe da neuro daqui da UF, lugar que marido adora. Em agosto de 2015 começamos com o processo, junta documento, assina coisa, manda para o advogado e tal. São várias etapas ($$), muita coisa mesmo, mas mês passado recebemos a decisão final que podemos ficar. UFA! Coisa boa, muito boa. Aí, marido começou a correr com outros documentos para começar a ser médico de verdade (attending) em julho.

The end...mentira, a formatura será mês que vem. Ah, já falei a coisa boa? Ele não dará plantão e só irá trabalhar um final de semana (das 8 as 15hs) a cada 4 semanas. Tá bem bom. E para melhorar, ele terá uma semana INTEIRINHA de folga a cada 4 semanas, sensacional né? 

Quer saber mais sobre como ser médico aqui nos EUA? Acesse mediconoseua.com 

Imagem daqui

Posts sobre o tema:
http://aventurasnamagiccity.blogspot.com/2011/02/como-fazer-residencia-medica-nos-eua.html
http://aventurasnamagiccity.blogspot.com/2013/06/residencia-medica-nos-eua-perguntas.html
http://aventurasnamagiccity.blogspot.com/2013/11/processo-de-residencia-medica-nos-eua.html

13/01/2016

Tranformando duas em uma

Negócio "engraçado" quando você tem filho e as culturas e tradições de cada um dos pais se misturam para formar uma única família. Se aqui em casa, ambos somos brasileiros, ambos baianos e ainda entramos "em choque". Fico imaginando como deve ser com minhas amigas casadas com  gringos.

Se tem uma coisa que me irrita é que para meu marido (não é questão de personalidade aqui e sim de cultura familiar mesmo) tudo tem um jeito certo de se fazer. Não estou dizendo de questões morais e sim coisas simples. Tem um jeito certo de abrir tal coisa, de guardar tal coisa, de pegar tal coisa. Ahhhhh, acho um saco! Na cultura da minha família, existem várias formas de se fazer algo, umas mais fáceis, outras mais difíceis, mas você pode tentar. Na do meu marido, só tem uma.

Se tem uma coisa que irrita meu marido (não é questão de personalidade aqui e sim de cultura familiar mesmo) é que eu faço as coisas sem pensar nos outros. Na minha cabeça, eu estou com um problema, paro, penso numa maneira de resolver e resolvo. Não fico me martirizando nem perdendo meu tempo. Isso é flexibilidade mental, uma das características de pessoas inteligentes (Ha!). Para ele, eu não dou importância, eu tento o caminho mais curto, não sou cuidadosa. Vê isso.

Um exemplo ridículo (para vocês terem ideia da minúcia da coisa), compramos uma airfryer e fomos fazer batata baroa "frita". Eu almocei, ele almoçou e sobrou um pouco. Eu peguei o "quetchichapi", que estava fechado e tentei abrir para tirar o lacre. Tentei, tentei e nada. Dei para ele que também não conseguiu. Minha ideia foi de, sem tirar a tampa, eu faria um furo no lacre e pronto. Marido ficou chateado, diz que quando faço isso, acaba saindo ketchup para tudo que é direção (o que é verdade), que ele acaba se sujando etc, que era para eu esperar ele acabar de comer, que ele abriria o negócio. Se você me conhece sabe que eu não sei esperar, especialmente quando é comida, especialmente quando é algo para ser comido quente e que não presta ser "requentado". Eu olhei para ele e furei o treco mesmo, feliz e contente. Ele me olhou bem chateado. Eu disse simplesmente "quando você terminar, é só abrir o lacre todo", porque né, dessa forma seria bom para mim, que comeria a batata quentinha e para ele, que quando fosse usar o negócio, estaria do "jeito certo". Ele ficou enfurecido por causa disso. Tipo, por causa disso?! Porque simplesmente eu "não fiz do jeito certo".

Estamos juntos faz 11 anos e meio e mesmo assim ainda passamos por esses "problemas". Fico só imaginando como será quando Alice crescer um pouquinho.

30/09/2015

1. Finalmente a USCIS enviou meu cartão de trabalho e voltarei ao trabalho semana que vem. Esse cartão estava pronto desde julho, mas eles mandaram para o endereço errado. O recibo, a marcação para tirar as digitais e todas as demais correspondências chegaram certinho aqui, mas o cartão não. Hai ai. Aí, foi aquele martírio de sempre. Ai que povo horroroso! Estou preferindo achar que esse tempo sem trabalhar foi uma benção, pois pude ficar com a minha pequena (100% Pollyanna)

2. Marido deu entrada na papelada para trocar o visto e ser médico de verdade nos EUA. Surpreendentemente a parte que cabia ao Brasil foi extremamente fácil. Tipo, muito fácil e em 4 dias estava tudo ok. O emprego é bom. NÃO TEM PLANTÃO, tipo, NÃO TEM PLANTÃO! O salário é bem ok para um emprego acadêmico (clínicos não são ricos, ainda mais em posição acadêmica, mas o nosso sonho não é ser rico é ser feliz- e para meu marido, ter um barco  ahahaha). É numa cidade boa, há planos de crescimento profissional para ele. O trabalho é de 8 ás 5 (bahahaha. Em teoria, eu sei, mas já é algo positivo). Não tem sobre-aviso e já falei que não tem plantão? Pois é, estamos felizes e na oração para que ele consiga a vaga. (POr conta do visto e dele ser estrangeiro, é um longo processo para conseguir ficar. São somente 30 vagas para médicos estrangeiros, sendo que 25 delas são para pediatria e clínica médica, então, se quiser entrar na corrente para dar tudo certo, pode se juntar a nós).

3. Estamos de malas prontas (mentira, deveriam estar, mas não tivemos tempo) para o Brasil. Ficarei 1 mês inteiro na terrinha comendo todas as frutas, mostrando tanta coisa linda para Alice (e a família), e trabalhando. Bom, babá é o que não vai faltar, tenho certeza.

4. Estava andando com Luffy e Alice e encontrei essa belezinha perdida. Tão carinhoso, tão obediente  Pensamos em adotá-lo, mas nossa casa é muito pequena e Luffy não gostou dele não. Ele está sendo bem cuidado enquanto tentam encontrar sua família.


5. Eu amo tanto morar aqui. As pessoas são tão simpáticas. As pessoas te ajudam sem ter nenhuma obrigação. Gosto tanto, tanto...

6. Fazer parte do clube da maternidade é muito louco. Se por um lado você encontra gente (aka outras mães) maravilhosa, que te ajuda e não julga. Você também encontra tanto julgamento, tanto olhar de reprovação. Ouvi tanta gente falando (aka outras mães) não acredito que uma mãe deixa o filho fazer isso, que dorme assim, que faz isso. Ai que saco! Amamentação e o tipo de parto são campeões em julgamento. Bom, por enquanto eu vou curtindo a minha gordinha e me esforçando para ela ser feliz e eu também!

17/09/2015

6 meses

6 meses da minha gordelícia. 6 meses da Pipiu(zinha), da minha pinguça (porque ela é craque na arte de ficar "milk drunk"), pingus, da minha Alice. Nem consigo acreditar.

Alice se tornou um bebê super feliz e risonho. Quando ela chora, quer solução para seu problema no exato segundo, mas só reclama quando tem algo errado mesmo.

Adora:
- trocar a fralda e brincar com a gente
-ficar sentada no cercadinho brincando com seu pianinho e suas pelucias
-tomar banho. definitivamente a melhor hora do dia. basta ligar o chuveiro que essa menina grita de alegria.
-a cadeirinha (tipo o bumboo)
-tummy time
-o irmão luffy. deu sua primeira gargalhada para ele e continua gargalhando com as estripulias do irmão. precisa, no entanto, aprender a ser gentil com ele.
-beijos e carinho
-nossa atenção
-sair de casa
-sua máquina de som (o de chuva é o preferido)
-dormir de bruços
-picolé de leite materno
-morder tudo (temos que ter muito cuidado, esses dias ela acabou machucando a gengiva)
-um espelho. Passa muito tempo brincando se vendo.
-brincar "sozinha" sem problema

Não curte
-vestir a roupa
-esperar para qualquer coisa
-ficar deitada (só quer ficar sentada)
-pessoas estranhas. desde seus 4 meses, alice tem passado momentos difíceis com estranhos. basta a gente tirar os óculos que viramos estranhos...
-mamar da mamadeira, copo, colher etc
-limpar o nariz com o nose Frida
-o sol (mas ela nasceu na Flórida, como lidar?)

Já consegue
-sentar sem ajuda/apoio
-quando sentada, se abaixar e pegar um objeto, depois volta a sentar.
-virar para os dois lados (isso já tem tempo)
-se arrastar (para tras)
-ficar de quatro (está treinando para engatinhar)
-ficar de barriga, quando cansa ficar sentada
-ficar em pé apoiada
-passar objetos de uma mão para a outra
-mamar sem o bico de silicone (finalmente ela aprendeu a mamar do peito e minha vida está muito melhor!)

Outros
-Faz pose para fotos
-o refluxo melhorou muito (mas ainda precisamos de muitos paninhos por dia)
-dorme bem, mas acorda uma vez durante a noite para comer
-fiz o quarto montessori e com 5 meses ela mudou para seu quartinho. Ela está super adaptada.
-começamos de leve a introdução alimentar. Eu queria o método BLW, meu marido não se sentiu confortável. Dei banana amassada, mas ela se interessou mesmo pela banana inteira. Daí, ela optou pelo método BLW.
-Aos 6 meses, Alice já viajou paraSan Diego, Miami e Orlando. Daqui 20 dias irá passar 1 mês no Brasil. :)
-os dois dentes inferiores nasceram quando ela tinha 4 meses, os dois superiores vão nascer a qualquer segundo - oremos que não seja no dia das vacinas
-pegou dois resfriados (acho que da creche da academia) e foi complicado
-está cada vez mais encantadora.

Ah como eu amo essa criaturinha!





14/04/2015

4 semanas

4 semanas mais difíceis da minha vida!

4 semanas que eu não sei o que é dormir mais de 3 hs seguidas (nem sempre pela Alice, que eventualmente dorme 6 horas seguidas, mas como estou amamentando fica impossível tanto tempo sem dar de mamar-dói bastante!)

4 semanas ouvindo muito, tipo muito choro. Alice chora o tempo todo, basta estar acordada. E ela não aprendeu os vários tipos de choro, só conhece 1: alto, fino e estressante.

4 semanas que eu tive que abandonar o chocolate porque ele faz muito mal para barriguinha da Alice.

4 semanas que eu virei uma mamadeira ambulante. Infelizmente, tivemos que dar fórmula no começo, mas agora virei a mamadeira da vez.

4 semanas sem sair de casa (ir pra médico e farmácia não contam né?)

4 semanas preocupada se ela ganha peso (ela perdeu mais de 10% do peso nos primeiros dias), se ela aprende a pega direito, se ela faz xixi ou cocô, se ela arrota, se tem dor, se a fralda está suja.

4 semanas sem notar a passagem do tempo: que dia é hoje? Que horas são? Se não fosse um app para eu registrar as mamadas-dormidas-fraldas acho que passava batido.

4 semanas trocando no mínimo 12 fraldas por dia. Alice faz muito cocô!

4 semanas sendo mamadeira e cama (quando está com dor, ela não aceita dormir no berço, só em cima da gente), ficando suja de golfo, mesmo quando terminei de tomar banho.

4 semanas chorando junto com ela na madrugada, sem saber o que fazer porque já tentei de tudo.

Nossa, ser mãe de recém-nascido é muito mais difícil do que eu jamais imaginei. Sabe aquelas técnicas que você lê e aprende nas aulas do pré-natal? Não serviu de nada aqui em casa. Nada de charutinho (ela odeia ficar presa), nada de ninar com a barriga na minha mão para aliviar a cólica, fazer arrotar é impossível, trocar a fralda é motivo de muito choro (ontem foram 15). Ela dorme bem nos nossos braços, mas basta colocar no berço para ela acordar gritando. Algo que deu certo foi barulho de chuva (tem no youtube), ela relaxa mesmo que não esteja dormindo e  para de chorar.

Aí ontem, deixei Alice com marido e fui tomar banho. Claro, tive que arrumar um monte de coisas e só depois tomei o banho. Quando o banho acabou, senti tanta saudade da pequena, tanta saudade. Coisa doida!

Semana que vem volto a trabalhar e marido passará 3 dias fora. Oremos para que dê tudo certo!

27/03/2015

Alice chegou!

Foi um parto muito complicado. Um parto demorado, muito dolorido. Deu tudo tão errado que eu nem saberia como relatar. Na verdade, nem quero. Não agora. Não sei se um dia. O que eu tenho tentado focar é que eu estou bem e Alice também. Pelo menos por hora. Hoje Alice completa 11 dias, mas parece que ela já estava por aqui há mais tempo. Doido isso!


02/03/2015

Questão de perspectiva

A pessoa está morta. A barriga pesa, dói as costas, a cabeça, a barriga. O pé da pessoa parece um pão de cachorro quente"super fofo"  e nem parece que tem osso por lá. As mãos então, cresceram tanto. Ficar mais de 10 minutos de pé é missão impossível, mesmo com o uso da cinta para segurar o peso da pança. Toda hora que a pessoa levanta, a coluna estala e é tão alto que as pessoas ao redor ficam assustadas. As vezes, andar traz uma sensação de choquinho nos pés de "cachorro-quente" ou algo estala por lá também. Tem mais coisa para adicionar a lista, mas né, deixa para lá. Aí a pessoa chega na semana 37 e a médica diz que a bebê está formadinha, que está tudo bem. Que é bom que ela aguarde um pouco para nascer, mas que aquele era um marco importante. Aí, secretamente a pessoa começa  a conversar e pedir para a bebê nascer logo, porque está ruim de verdade. Uns 5 dias depois, algo acontece, a pessoa liga para a maternidade e a enfermeira pede que ela dê um pulinho lá. A pessoa tenta falar com a enfermeira, diz que aquilo não é trabalho de parto, mas a enfermeira diz que a recomendação dela era essa.

Era meia noite, a pessoa fala com marido e ambos vão se arrumar. A pessoa que estava querendo que o parto acontecesse logo, começa a ficar meio que tensa, ansiosa e tal. Não com o parto em si, mas com a realidade "pode ser que em poucas horas eu seja mãe de fato e de direito". A pessoa treme e percebe que leu demais sobre amamentação, sobre o parto, mas que a ideia de ter sua filhota nos braços, apesar de sensacional, é completamente assustadora.A pessoa começa a conversa com a  filha pedindo para ela aguardar mais umas semaninhas. Vê que pessoa mais louca!

PS: Alice está ótima e super confortável na minha barriga. Já está posicionada para o parto há semanas. A mãe de Alice está morta, cansada, mas feliz. Faltam 12 dias para o meu due date!!!!


14/12/2014

A dor de perder um filho: o aborto espontâneo


A pior e mais intensa dor que senti. Não física, porque não senti muita coisa. Foi uma dor na alma. Descobri do aborto da pior maneira possível: na primeira ultrassom, a técnica viu meu útero e disse que estava tudo bem, viu o bebê e disse que estava tudo bem, fez as medidas, deu o due date e só depois viu que o coração não estava batendo.Um choque!
imagem daqui

A médica me deu 3 opções: esperar para ver se o corpo eliminaria, tomar um remédio ou fazer a curetagem. Psicologicamente falando, eu não teria condições de sangrar, de ver a perda do bebê. A curetagem seria feita no outro dia. Meu marido foi no ambulatório e pediu ao professor para ir para casa. Entramos no carro e lá choramos abraçados. A curetagem na UAB é feita na maternidade. Foi muito ruim sair da maternidade de barriga vazia e sem bebê no braço. Isso tudo foi as vesperas do Natal e achamos por bem não compartilhar com ninguém aquela dor (só minha mãe e irmãs ficaram sabendo). O pior Natal da minha vida! Os próximos 15 dias foram os piores. Acho que nunca chorei tanto. Quando saia de casa só via mulher grávida e bebês, aí eu chorava mais.

Racionalmente falando, eu pensava com minha cabeça de cientista: 20% das gravidezes descobertas acabam assim ou ainda, provavelmente nosso bebê tinha alguma questão genética incompatível com a vida. Mas eu só pensava em quão ruim eu deveria ser para ser “sorteada” para ser esses 20%. Senti inveja das pessoas que têm filhos, especialmente daquelas que engravidam sem querer, parei de seguir canais do youtube/blogs com esse tema. Senti tanta raiva.

Era inverno e tivemos 2 tempestades de neve, então trabalhei muito de casa. Ficava deitada e chorando, mas levantava 4 vezes para andar com Luffy (não sei o que seria de mim sem ele). Queria dormir e acordar 6 meses depois. Tudo reação normal do luto, eu sei, eu sou psicóloga, mas foi difícil! “Compramos uma estrela”* para noss@ pequen@ e agora, depois da dor aguda da perda (exatamente 1 ano  depois e eu escrevendo esse post ainda choro), sei que por 4 semanas ele/a foi muito amad@ e nos encontraremos no futuro.

*Eu sei que não dá para comprar uma estrela de verdade, mas para mim foi importante fazer algo para lidar com o luto.

Tem esse texto da Nívea que ela escreveu lindamente sobre o tema. E esse abaixo em inglês que encontrei em algum lugar e me emocionou muito.

"Having a baby is like opening a door in a house you've lived in for ages, and entering a wonderful new room that you never knew existed. At first strange and beautiful, you go there so often that after a short time you can't remember what it was like before that room was a part of your house. You could never give it up again. You live there.
Finding out you're pregnant is like discovering the door for the first time. You don't know what's on the other side, but you can't wait to open it, because you know it's going to be great - although almost never what you expected.
Losing a baby during pregnancy is like someone coming along and bolting that door shut for ever.
It doesn't change the fact that the door is there. It doesn't make your curiosity about what was on the other side go away. You may even have caught a glimpse - just fleeting - before the door was locked forever. Maybe you never saw. But that room is part of your house now. You might drag furniture across the door to hide it, or you might spend weeks and months trying to kick through the lock. Maybe you wonder if you could have stopped them from locking it.
You might learn to walk past the door every day, without dwelling on it. Or you might stop there ever day, and press your ear to the door and let yourself imagine. But of course you'll be upset if people expect you to believe that the door doesn't exist, or the room doesn't matter. It's just not true, you know it's there.
There might be other doors, other rooms - there might not. But whatever your house looks like, it's okay to still sit by that door if you need to. It's okay if it's been a while. It's not strange.
My thoughts are with all of you who know what I'm talking about. 
Meg H (three locked doors)."

PS: Hoje oficialmente entramos no terceiro trimestre da nossa segunda gravidez. Está tudo bem (mas pra frente eu conto mais), só as dores normais mesmo, mas achei que esse tema não é muito falado e na época, foi tão importante encontrar textos e vídeos para eu me reerguer outra vez. Também acho que se o blog é um registro da minha jornada em terras gringas, esse momento, foi sem dúvida muito marcante e digno de post.

20/08/2013

Bye bye Bham

As despedidas já começaram. Hoje pela última vez na vida, marido está no hospital até mais tarde como backup. Né legal? Vamos aproveitar o restaurant week e comemorar o fato amanhã. Faltam 10 meses e meio para a mudança e exatamente 1 mês para sabermos nosso próximo destino. E olha a foto que ele mandou da jantinha no hospital. Arroz com feijão :) (não sei que carne é essa. Tá estranha, tá esquisita...)


Enquanto isso no Brasil...
A esposa do meu primo teve um AVE e está em estado grave. Nossa que dó! Ela tem menos de 40 anos! Queria que marido estivesse lá para ajudar...

22/07/2013

Agora meu marido passa uma semana viajando e eu consigo dormir todos os dias;
Agora temos algo para voltar para casa;
Agora eu sou recebida com festa todas as vezes que abro a porta, mesmo que tenha saído para buscar as cartas (o que dá uns 40 segundos);
Agora eu vou ao mercado e sempre volto com um briquedo (ou 2);
Agora eu conheço milhares de apetrechos para cuidar de um pet em casa: lixa para unhas, mil tipos de coleira, as melhores comidas, como ensinar a sentar;
Agora eu me preocupo com o tempo que ficarei fora;
Agora eu brinco de jogar disco;
Agora eu ando muito mais;
Agora eu fico com vergonha ao cruzar com cães grandes (o daqui sai "atacando");
Agora eu faço carinho, recebo carinho, rolo no chão, vivo babada;
Agora eu saio vasculhando por pulgas e feridas em certas patinhas;
Agora eu passo horas limpando a casa;
Agora a programação dos finais de semana sempre tem um parque no meio;
Agora trovão é motivo de preocupação;
Agora eu vou as lojas e saio com capa de chuva, snack, lençol e nada pra mim;
Agora a vida parece muito melhor e ó, o motivo pesa uns 5 quilos, dá um trabalho, mas é um amor.
Com vocês, Luffy (marido escolheu esse nome por conta desse anime que ele gosta) senhoras e senhores.

Marido disse: vou tirar ele da almofada e levar para a caminha, daí com a  demora, fui ver o que estava acontecendo e tirei a foto acima :)

15/06/2013

Quando o amor de duas pessoas não cabe dentro delas....




Elas fazem um montão de coisas. A gente resolveu adotar. Adotar um pet. Bem verdade que eu já queria isso faz tempo, depois eu desisti da ideia e marido queria. Enfim, antes da busca, levantamos como esse novo membro da família deveria ser para “caber” aqui em casa e no nosso estilo de vida. Daí, a lista foi a seguinte: macho (meu marido queria macho porque já tinha escolhido um nome), pequeno, com pelo curto (minha casa tem carpete), adulto (treinar um filhote é complicado, principalmente com a casa de carpete) e “sem raça definida” porque marido queria assim (eu  amo poodles e ficaria feliz com um). Ficamos pesquisando pela internet, até que a PetSmart fez um evento de adoção. Fomos lá e marido se encantou com um cachorro. Ele era muito fofo, mas era maior do que planejávamos. Não teve jeito, marido se apaixonou por ele. Levamos a criatura para um passeio e deu para notar o quão forte ele era.  Aplicamos para ficar com o cachorro. Daí, quando a aplicação é aceita, você fica alguns dias com o bichinho, numa espécie de test drive.
Saímos para comprar todos os apetrechos para ele. Pesquisamos para comprar a melhor ração e vimos que uma boa ração não tem grãos (o animal não consegue digerir e só serve para “encher” a ração)  e tem que ter como primeiro ingrediente a proteína (por exemplo, não pode ser chicken meal, tem que ser chicken mesmo).

Como estávamos viajando na época, o cachorro continuou na casa da Foster mom por alguns dias. Quando ele chegou, eu já estava no Brasil e o acompanhei via skype e por fotos diárias. Para encurtar a história, não deu certo. Marido estava muito apegado, mas teve muita alergia e o cachorro precisava de mais espaço e mais atenção. Chegou ao ponto da criatura, no desespero, machucar o focinho (sangrou e tudo). Então, ligamos para a foster mom e ela veio buscar. Foi triste, mas foi o jeito. Eu estava pensando em adotar um gato, mas não gosto muito de gatos como vocês podem notar na foto abaixo tirada recentemente na minha visita ao Brasil.





















(O gato mais maluco e mais amável desse mundo: Jorge Bush. O nome foi porque o encontramos em uma noite de lua cheia- também era uma sexta-feira 13 em agosto, mas optamos por focar só na lua cheia mesmo- e eu amo a música "Lua de São Jorge". Já o sobrenome veio mais tarde, devido ao poder de destruição em massa que essa cara fofa faz e por isso a semelhança com o ex-presidente americano)

Marido não desistiu e arrumou outra criatura. Desta vez um cachorrinho menor. Mas olha, pense numa criatura feinha: cada orelha tem uma altura diferente, a mandíbula é curta, tem lordose, escoliose...bom, é feio! Mas pense num cachorro fofo e sabido? Estamos na fase do test drive. Estamos do “verbo” eu e o cachorro, porque marido está na Austrália. Ele (o cãozinho) é super fofo, carinhoso e dorminhoco e está aqui deitado no sofá enquanto eu, com dó de acordá-lo, estou bem quintinha. Hum, desconfio que a casa tem um novo dono.

15/04/2013

Da viagem e dos presentes made in Brazil

Aí que eu disse aqui que marido resolveu bater perna no Brasil e me largou aqui (mimimi). Duas semanas antes dele viajar, já começou "o sermão" caprichado das coisas que eu tinha que fazer:

1. "Lembre de trancar a porta (da frente da casa) todos os dias
2. "Por favor, coma! Se alimente, porque sua situação já não está muito boa..."
3. "Lembre de pagar essas duas contas"

Sério, ele não precisava falar nada disso, porque né, eu lá iria fazer algo do tipo? Ele tem lá suas razões para lembrar desses itens com muito amor no coração, tendo em vista o meu histórico, mas eu achei que já estava demais. Resultado? Já na primeira noite, esqueci a porta aberta, mas lembrei na madrugada e desci para trancar a porta. Eu até comi, mas não o que deveria e não na frequência correta (pô, odeio fazer comida só para mim!). Como não consegui dormir, comecei a ter um sintomas engraçados, que meu marido já achou que era neurológico e me disse "você tem de dormir!!!". Eu até sei disso, mas quem disse que eu consegui? Nos 3 primeiros dias foram umas 4 horas de sono, acordando umas 10 vezes. No quarto dia, quando finalmente consigo dormir melhor (acordei só umas 5 vezes, mas o alarme de incêndio resolveu disparar). No final, consegui dormir relativamente bem na véspera da chegada de marido e dormi como um urso no inverno quando ele chegou. E claro que esqueci de pagar as contas e a multa foi super alta, dava para comprar um vestido para mim. Droga!

Sim, já que marido estava no Brasil, fiz uma lista com itens brasileiros que gostaria. Você acha que ele lembrava das coisas? Então resolvi mandar para minha sogra. Veio todos os itens, em proporções exageradas. Aí, marido foi me dando as coisas e "brigou" dizendo que eu pedi muito chocolate para a mãe dele (ela mandou 3kgs de chocolate?!). Eu abri o email que mandei com a lista e lá estava escrito que eu queria tal e tal chocolates (que por sinal, eu nem gosto- mas isso não significa que não como- eu disse que iria dar de presente) uns 6 de cada e mais uns Ouros Brancos (o plural fica assim?), porque eu amo. Marido leu o email e disse "Nossa, minha mãe é louca!". Eu acho mesmo que ela ficou foi com dó da minha lista (até cream cracker eu pedi!!) e resolveu extrapolar um pouquinho. Eu sei que na mala de marido tinham 5kg de roupa+necessaire+a própria mala e 24kg de gostosura. Quem ganhou com o superávit de chocolate foram os meu colegas do trabalho e amigos brasileiros que vão ganhar mimos (não tudo né? Um pouco...).

Além da parte nada diet, ainda ganhei havaianas lindas (as minhas quebraram), cocada de cacau feita pela sogra com cacau da fazenda dela (que óbvio que só divido com marido...sou ruim mesmo, fazer o quê?) e panos de pratos que a madrinha do marido enviou para a gente. Sério, eu estava mesmo precisando de pano de pratos brasileiro, daqueles bonitinhos e bordados porque eu nunca achei desses por aqui. Não é muito amor?


De que adianta ter uma super máquina se seu marido não consegue focar?

Ps: só para esclarecer que, na verdade, eu que não quis acompanhá-lo ao Brasil, pois em maio será a formatura da minha prima e também da minha cunhada (irmã dele) e por nada nessa vida que eu iria perder mais um evento da família! Fora isso, minha irmã, que não vejo há 5 anos, resolveu passar uns dias na Bahia e iremos viajar.

22/01/2013

E vocês voltam quando? (mais do meu mimimi)


Essa é a pergunta que eu mais ouço desde que mudei. Depois que as pessoas entendem que a primeira parte do treinamento do marido só termina em 2014 e a segunda em 2016 a pergunta vira "quando vocês vão visitar o Brasil?". Não que eu me importe com a pergunta, eu gosto pois concluo que as pessoas estão sentindo falta e querem a gente por perto.

Taí um assunto complicado. Marido não quer voltar para o Brasil. Eu quero voltar. Por mim voltaria hoje. E eu explico: marido passa mais tempo no hospital que em casa. Não qualquer hospital, um hospital que ele tem toda tecnologia médica a disposição. Hospital com colegas legais. Um hospital com professores feras. Sabe aqueles livros-base da área médica? Aqui tem um monte de autor importante. Um hospital que permite que ele cresça enquanto profissional. Quando ele está de folga, no caso, 4 dias por mês, ele quer sair para comer fora e aqui tem excelentes restaurantes. Ele gosta de fazer mercado e ir para cozinha. Ele tem amigos, mas quando está de folga acaba preferindo ficar em casa comigo e/ou estudando. Outra coisa é que ele fica seguro por saber que eu estou segura. (Para concluir, faltando 3,5 anos para acabar o treinamento, ele já recebeu uma proposta de emprego em uma cidade bem legal - e como eu sempre digo, legal é muito relativo quando se mora em B'ham).

Eu, por outro lado, não me adaptei a vida aqui. Eu não quero ser só mais uma esposa de médico, eu quero fazer algo que goste. Mas eu ainda não encontrei meu caminho aqui. O ritmo de vida é muito diferente do que eu quero para mim e do que eu considero saudável (mas ficar 2 horas presa em um engarrafamento no Brasil também não é saudavel...). Eu trabalho em um projeto brasileiro, minha chefe é brasileira, meu marido é brasileiro, meus poucos amigos são brasileiros. Tem alguma razão de eu permanecer aqui? Em conclusão, eu não sou feliz aqui. Pior, eu sou infeliz. E assim, não tem nada que nos prenda aqui, já que somos brasileiros. Eu não vejo nenhum motivo de sustentar uma infelicidade por nada. E para completar, quando mudamos do Brasil, a minha idéia era  de voltar (diferente do marido).

A maioria das pessoas fala que eu sou maluca, que o Brasil está péssimo. E gente, eu sei. Estive em Salvador há pouco tempo e fui recebida com policiais armados. Mas é aquele negócio, o que adianta morar em um lugar "bom e seguro" se não sou feliz? Voltando para o Brasil, vou entrar no doutorado de neurociências. Reaprender neuropsicologia que eu amo. Aqui, eu não sei o que quero fazer e é horrível essa sensação de estar perdida praticamente aos 30 anos (ou pode ser bom, vai que eu encontre um novo caminho).

Daí, uma neurologista brasileira veio passar uma temporada em B'ham e entrou em contato com marido e fomos jantar. Uma das coisas que ela falou foi que a vida aqui é muito ruim. E ela foi explicando os motivos. Eu concordei 100%. Eu simplesmente não gosto da vida nos EUA (da parte que eu conheço). Não gosto da sombra de mim mesma que eu me tornei. Daí que ela falou das possibilidades que marido teria no Brasil e tal. Eu fiquei feliz. Não, a vida no Brasil não vai ser fácil. O nosso poder de compra vai ser menor, muito menor, mas eu vislumbro a possibilidade de voltar a ser feliz. De poder ver um bom filme de arte com minha mãe (aqui em B'ham não passa esse tipo de filme), de almoçar na casa da sogra, de comer a feijoada do meu pai, de visitar as amigas, de encontrar o grupinho de amigos do marido da época de escola e rir muito (porque eles são super patetas e muito legais). Essas coisas eu jamais terei aqui.

Esses dias fomos na casas dos nossos amigos indianos entregar um presente que trouxemos da Disney com brigadeiros (veja bem, antes de viajar eu esqueci meu celular em cima do carro no estacionamento do hospital e o indiano saiu do trabalho para salvar meu celular e nossa viagem - marido estava uma fera comigo! - então nada mais justo do que um pratão cheio de brigadeiros) e o indiano falou algo do tipo "porque quando a gente sai do nosso país, a gente já tem claro que está abrindo mão da nossa família". Caiu a ficha, tipo, eu nunca tinha pensado nisso e fato é que eu não abri mão de conviver com minha família. Talvez por isso morar fora para mim seja tão difícil. Quando eu cheguei das férias na Disney que liguei meu celular esquecido, tinha recebido fotos do Natal da família e sério, eu chorei tanto, tanto. Toda a distração que inventamos para o Natal foi para o ralo quando vi a foto das primas e mais uma vez eu não estava lá...

Não há nenhuma decisão tomada porque eu mudo de idéia quase como mudo de roupa. Quem sabe em 2014, a gente mudando para outra cidade, eu não me encontre e resolva ficar? Antes de voltar para o Brasil, eu também quero tentar o Canadá. Sim, eu sei que o Canadá é frio, mas olha só, moro em um lugar que tem um inverno ótimo e detesto a vida aqui, talvez me acostumasse com frio. Só testando para saber. E já que temos a possibilidade de testar, por quê não? Marido que já está gostando mais da idéia de voltar ao Brasil, já achou um hospital interessante (que não é em Salvador, aviso aos navegantes) que poderia trabalhar, já ficou até empolgado porque irá encontrar médicos desse hospital em um congresso em junho. E eu claro, fiquei feliz. Mas sabe que depois que ele topou voltar para o Brasil minha ansiedade diminuiu e eu tenho vislumbrado a possibilidade de ficar? (indecisão, a gente vê por aqui!). Tenho pensado em passar uma temporada no Brasil, como fez a Mike, daí a decisão seria mais acertada. Por enquanto não tem nada certo, mas fico feliz por ter 3 opções para escolher. Ruim é não ter opção nenhuma.

12/11/2012

Das mil listas e dos planejamentos

Sim, eu sou daquelas que tem lista para tudo. Deixo bloquinhos de papel espalhado pela casa e quando preciso iniciar uma lista nova, não preciso correr atrás de papel. Tem gente que diz que é melhor viver o agora e deixar o amanhã para amanhã, mas eu amo planejar, me deixa tão feliz. Prova disto, é esse post aqui, escrito há 2 anos. Veja, o planejamento da mudança foi intenso, lemos muito sobre a cidade, fizemos uma visita, e tudo isso me possibilitou momentos prazerosos. Aquilo de sonhar acordada mesmo. Mas a realidade de mudar para B'ham foi beeeeem ruim. Então, se eu não posso controlar o amanhã (e nem o hoje), mas o planejamento para o amanhã me deixa tão feliz, porque não fazer?

Bom, agora estamos estou (porque meu marido é tranquilão demais, graças a Deus!) planejando os acontecimentos daqui 2 anos. Isso porque, em 2 anos faremos 30 anos, marido termina a residência, eu termino o mestrado, faremos 5 anos de casados e poderemos mudar daqui. Eu acho que tudo merece comemoração e preparo, mas a última coisa da lista, mais ainda. No momento, estamos analisando os programas de fellowship e as cidades. Meu marido analisa a qualidade dos Programas e se passar pelo crivo dele, vamos analisar as cidades. E como essa parte é legal! Sonhar com a ponte em são Francisco, com o "friozinho" de Boston ou Chicago, com passeios diários no Central Park, com visitas da família caso o nosso destino seja Orlando ou Miami e por aí vai. E aí, a gente começa a entrar na história "Se a gente for para NYC ou redondezas poderemos ler um livro no Central Park, usar metrô..". Claro que essas cidades são as minhas escolhas e não necessariemente as do marido, porque o foco dele é outro (na lista dele tem Nashville- ô Pai! e Houston), mas ele vai se esforçar para encontrar um lugar bonzinho para os 2. Eu estava pensando muito no Canadá, morar numa cidade grande, em outro país. Ter a possibilidade de virar cidadã e não precisar mendigar por uma simples carteira de motorista, mas infelizmente o programa da McGill não é muito bom (para os objetivos do meu esposo). Então, a possibilidade de mudar para o Canadá vai ser adiado mais um tempo.

Tudo isso para dizer que eu caí na modinha de fazer uma lista das 30 coisas que eu deveria fazer antes dos 30. Li uns livros, vi uns programas na TV sobre o tema e me animei. E gente, estou precisando de ajuda! vejam aí a minha lista e sintam-sa a vontade para sugerir algo:

1. Comprar algo caro só para mim (esse vai ser um exercício)
2. Fazer algo de aventura (ainda não decidi se será pilotar um avião, um carro de corrida, pular de para-quedas...)
3. Doar sangue (a idéia é vencer o medo da agulha e doar sangue pelo menos anualmente)
4. Aprender a fazer baliza (vergonhoso, mas não sei fazer)
5.Aprender espanhol (o básico)
6. Fazer uma tatuagem (que eu penso desde os meus 16 anos e que vou fazer no Brasil)
7. Provar uma comida que acho nojenta (o que provavelmente só ocorrerá no Brasil, porque tenho que pelo menos confiar no/a cozinheiro/a)
8. Ver o mundo de algum topo (por exemplo, Cristo Redentor)
9. Montar um quebra-cabeças de pelo menos 3000 peças (não gosto desse trem, mas acho importante exercitar minha falta de paciência)
10. Viajar de trem




08/03/2012

Porque eu tenho a melhor mãe do mundo!

Poderia dizer que tenho a melhor mãe do mundo porque ela é psicóloga de fato e de direito: ela de fato escuta. Sabe, quando uma pessoa se cala para ouvir as reclamações, as alegrias, as dificuldades dos outros sem fazer cara de medo, crítica ou algo do tipo? Minha mãe!

Poderia dizer ainda que ela é a melhor mãe do mundo porque sendo "a mulher de gado" que sempre foi, me possibilitou uma vida boa. Ajudou na construção da minha auto-estima e te digo, eu me acho muito e confio no meu taco. Sabe, eu sou muito mais eu!

Talvez, algo a ser seriamente levado em consideração é que, sendo mãe, ela tem sempre uma opinião para dar, mas o faz de forma conveniente, na hora certa. Tá, as vezes não é na hora certa, mas nesse caso, ela literalmente pede licença para dar a opinião dela. E eu acho isso a coisa mais fofa do mundo!

Ah, nunca precisei mentir para minha mama (embora isso não signifique que eu não tenha mentido, mas a criatura sempre sabia quando eu jogava o suco-com-tudo-dentro fora, mesmo quando estava no trabalho, me explica isso?). Ela optou por confiar em mim, me dando a segurança de errar, mas de ter alguém para contar sempre. E gente, como é bom não precisar mentir e ter alguém do seu lado.

O fato dela saber exatamente o que vai acontecer comigo no futuro é algo impressionante também. Outra coisa é ela aturar minhas crises ansiosas mesmo tão distante.

Ah, tem algo super engraçado também: minha mãe se emociona com cada coisa estranha...tipo, quando eu digo que estou me alimentando de forma saudável, ela fica tão feliz, vê se pode?! E a forma que ela briga com outros para defender a pequena filha de 28 anos :).

O meu desejo é reproduzir essa mesma relação com meu(s) filhote(s), quando chegar a hora!

Hoje é o dia da mulher e eu resolvi homenagear a mulher mais importante desse mundo para mim! Mama querida, obrigada por tudo e é bom saber que mesmo do lado de cá, eu tenho alguém do lado de lá para  cuidar de mim. Desculpa pela confusão dos últimos dias, mas thanks!

E para vocês, moças lindas, força na peruca que a gente tem muita coisa para fazer e conquistar!

24/12/2011

Causo da visita

Aí né, que quando minha irmã chegou eu expliquei sobre o alarme de fumaça que fica dentro de casa, expliquei sobre a possibilidade de um funcionário entrar na casa a qualquer hora e expliquei outras coisinhas também. Aí, eram 8:30 da noite, meu cunhado estava no quarto falando com a família (um viva ao Skype!), eu e marido estávamos no quarto comprando uns gift cards de restaurante e minha irmã lá embaixo na sala vendo tv. Eu e marido começamos a ouvir o pin-pin-pin típico do alarme. Ele abriu a porta do quarto para saber se o barulho era daqui de casa (vai que minha irmã está cozinhando algo e acabou queimando, né?) e disse que não era, eu, que estou traumatizada com os 2 incêndios próximos que vi, disse: será que é da casa do vizinho? Nesse momento, alguém bateu na porta com muita força.  Eu: "Leo, será que é incêndio no vizinho e ele veio avisar?". Claro que eu lembrei que meus vizinhos são velhinhos e que se eles chegaram aqui para avisar, a situação já deveria estar feia, provavelmente seriam os bombeiros. Olhei pela janela e vi umas luzes, pensei "F%$#&, Maria Preá!", são os bombeiros! Corri para perto da janela para olhar direito já pensando que precisaria pegar o passaporte. Meu marido desceu a escada correndo enquanto minha irmã subia a escada correndo e chorando. Eu disse CHORANDO! Tá, não era um choro-choro, mas os olhos estavam cheios de lágrimas. A bichinha estava morrendo de medo, tadinha! Os dois deram um belo de um encontrão na escada enquanto eu gritava do quarto: "É só o cara do correio!!!". Vê isso! Dei tanta risada!!! O Cara do correio deixou a ré engatada e por isso o barulho do pin-pin-pin alto! Minha irmã tadinha, estava com medo mesmo! Gente, eu ri tanto, tanto! Aí desce meu cunhado: "oxe, 8:30 da noite e ainda tem gente fazendo entrega do correio?!"
Welcome to Alabama, sis!

Ps: Hoje o Natal vai ser na casa de um casal de amigos e depois iremos viajar por aí, na volto conto as nossas aventuras!

à você que vai passar o Natal em família, lembre de agradecer o momento, talvez um dia você sinta falta dessa confusão de gente legal ao seu redor. à você que vai passar a data com a família do cônjuge ou só com o marido, bom que você tem família por perto. à você que vai passar com os amigos, uma ótima festa e à você que vai passar sozinho, trabalhando desejo tudo de melhor também! Pra mim que terei um exemplar da dó-ré-mi, vai ser bom, mesmo que não seja completo :).

Um ano novo show para gente! Tenho convicção que 2012 será ano de colheita tendo em vista que plantei "bunito" nesse ano tenebroso que está acabando. See y'all later! Porque eu agora, só ano que vem!

20/12/2011

Eles chegaram!

Minha irmã e meu cunhado chegaram na sexta! Eu arrumei  a casa e aguardei ansiosa por eles. Saímos as 3am rumo a Atlanta para buscá-los. A idéia era que a gente chegasse depois deles, mas eles se atrapalharam, não entenderam onde iriam buscar a mala, receberam informações erradas e demoraram bastante para sair. Depois fomos tomar café em Marietta (o meu foi uma coxinha com suco de morango) e voltamos para casa. Marido foi trabalhar e nós saímos as compras (que é basicamente o que se tem para fazer aqui), já fizemos o roteiro e reservamos o hotel da semana que vem (vamos viajar por 1 semana!), a única coisa que ainda não defini foi o que fazer para entretê-los no mês e meio que ficarão aqui (tendo em vista que ontem eles ficaram em casa e já estavam entediados).

Trouxeram na bagagem muitos presentinhos (u-hu!), saudade, histórias da Bahia e um sotaque delicioso! Como sinto saudade do sotaque e da forma de falar na terrinha! "Rapaz, cê num sabe...", essa semana tenho que trabalhar dobrado para viajar semana que vem, Leo vai dar dois plantões, está no pior rodízio e estará de sobre-aviso, temos que cozinhar para o Natal, ajeitar as coisas. ufa, está super corrido!!! Mas está tudo bem, depois volto com calma e "causos" engraçados, agora vou correr para trabalhar!

Espiadinha em parte dos meus presentes :)

02/09/2011

"Não se vá! Não me abondone por favor..."

É com muita tristeza e com o coração apertado que segunda é o dia oficial para dizer tchau ao belíssimo verão! Quén, quén, quén. Por essas bandas, segunda é comemorado o dia do trabalho (Labor day) e os americanos preparam o último barbecue do verão. Em teoria, o verão ainda fica por alguns poucos dias, mas na prática, as aulas já recomeçaram no início de agosto e o labor day fecha o período de férias e calor.


Na primavera, o sol chegava cedinho, antes das 5am ele já estava tinindo e só ia embora lá para as 21hs. Agora, o bichinho cansou e só aparece umas 6am bem fraquinho e 7pm já disse tchau. Ai que triste! O pior é que no inverno ele aparece por menos horas e não esquenta nada. As folhas já estão caindo e as paisagens já estão mudando (o outono deixa tudo colorido, uma lindeza!). Só de imaginar ter de usar casacão, luvas e scarf, ai meu Senhor, me ajuda! Esse verão foi "barril" (#baianêsmodeon), super quente, mas eu não reclamei nem um segundo, juro. O último inverno por aqui foi atípico e nevou algumas vezes. "Frio, frio, como a água do rio!". E quando eu digo frio, é frio mesmo, não é frio de baiano não é frio de pelo menos 5C (daí para baixo), porque acima disso, eu sobrevivo bem.
um dia sem varrer o deck e olha o que eu ganho de presente: aviso que o outono está chegando


Mas enfim né, o Sr. inverno está chegando e vem trazendo minha baby sister e meu cunhado. Algo super legal e digno de comemoração, u-hu! Mas o que eles vão fazer aqui no inverno, onde nada acontece, é um mistério. Bom, pelo menos eu terei alguém para conversar e falar besteira, o que já é um super bônus. Além de matar a saudade, comer o melhor brigadeiro do mundo, provar crepe e abusar das poucas habilidades culinárias da minha irmã (é, tem cois melhor que comer sem precisar cozinhar?).

16/05/2011

Sobre a felicidade

Não, eu não acho que a felicidade seja eterna, acredito que passamos por ondas de felicidade, tristeza e normalidade. Acho que a felicidade não é um estado permanente pois a gente depende de muitas coisas e pessoas para ficar feliz (eu não consigo ficar feliz se sei que minha irmã está mal). Por isso, quando boas coisas me acontecem, eu costumo festejar. Claro que a comemoração depende da conta bancária e do evento a ser comemorado, mas seja um filme, um lanchinho ou uma saída bacanuda, acho válido a gente parar, comemorar, agradecer as coisas boas e vivenciar o máximo possível a sensação gostosa da felicidade. Sim, eu sou do tipo que grita para comemorar também, mas calma, peço licença para os que estão a minha volta para eu soltar o grito da felicidade. E sim, eu amo a sensação de estar feliz (e quem não gosta né?).

E agora eu estou nessa onda feliz (ou estava...), passei um ano complicadinho, mas tenho recebido muitas coisas boas. Até que, hum...até que...sabe, eu odeio câncer (não há quem goste). Odeio essa doença com todas as fibras do meu ser. Odeio, tenho raiva e queria exterminar todas as células "mutantes" que teimosamente insistem em roubar a paz e a vida das pessoa e bichinhos. Ninguém deveria ter isso. Nem criança, nem adulto, nem velhinho, nem bichinho, nem ninguém. Eu odeio o câncer!!! Principalmente porquê ele se impõe de um jeito arrogante e rouba a minha felicidade. Tenho raiva de quem rouba a minha felicidade! Daí que no meio dessa onda feliz, recebo a notícia que um amigo que havia entrado em remissão um tempinho atrás, vai voltar a brigar contra o câncer. Outra cirurgia mais quimio...que raiva! Porque o câncer não aceitou que perdeu da primeira vez e foi embora de vez? Saco, saco, saco! E eu aqui, longe! Tá, nesse caso, as chances dele vencer mais uma vez são imensas (e isso me acalma), mas né...e pra roubar minha felicidade ainda mais, minha cachorrinha morreu de câncer. Eu recebi a  notícia e chorei, chorei, chorei. Chorei sozinha....só de pensar que quando eu for visitar minha mãe, ela não estará me esperando, doida alucinada por carinho, chorando de saudade. Do diagnóstico até a morte foi menos de 1 ano (e eu estava lá no Brasil na época). Fiquei com o coração tão apertado, muito ruim.(se você não tem/teve um bichinho talvez não entenda essa dor, mas é real e dói muito mesmo). Fiquei lembrando dela atrás de mim quando eu estava triste ou d'eu colocando ela no sofá (escondida de minha mãe) pra assistirmos tv juntas e da cara de vergonha dela quando fazia algo errado. Eu acho que agora ela está no céu de cachorro, boazinha e feliz. Rezei pra vovó Júlia passar lá no céu de cachorro e fazer um carinho na gordinha mais maravilhosa desse mundo! Tchau Bri, see you later, alligator! E aí, quando voltei do trabalho, uma moça estava andando com sua cachorrinha e a sujeitinha largou a dona e veio se engraçar comigo...ai que saudade!

Ps: Mãe, lembrei da música do "quá-quá", daquelas fitas educativas que via quando era pequena, lembra? "eu vejo meu quá-quá de noite quando vou orar, ele brinca lá no céu,um dia com ele vou ficar. Até me parecia que ele me amava tanto que sabia o que eu  dizia, "quá-quá", se triste eu estava ele sempre me alegrava com um "quá"."