Quer saber como seguir carreira médica nos EUA, passa no mediconoseua.com
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01/02/2017
Médico formado no Brasil seguindo carreira nos EUA
Depois de 6 anos de treinamento nos EUA, da burocracia para tirar o visto novo, das provas, do waiver, das madrugadas estudando e de todo o caminho que vocês puderem acompanhar aqui no blog, desde de julho/16, marido virou médico de fato e de direito aqui nos EUA.
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22/06/2015
RAL: Detalhes sobre parir nos EUA
O sistema de segurança
Eu realmente não sei como é no Brasil, mas aqui, as duas
maternidadesque fui tinham portas trancadas. Você interfona, diz que é, o que
irá fazer então é liberado ou não para
entrar. Aqui, se o bebê precisa sair do quarto da mãe, quando é devolvido, a
uma checagem das pulseiras. Também, cada bebe usa um alarme no tornozelo, caso
alguém tente tirar, ou passe pela porta, o alarme toca (além do som do alarme,
na UF uma voz de mulher fala alto “um bebê perdeu o alarme” e as enfermeiras
têm pouco tempo para encontrar o bebê, caso contrário,e a policia chega).
Acredite, ela chega em questão de minutos(Alice
perdeu o dela e a segurança do hospital junto com policiais estavam na porta do
andar, pois as enfermeiras demoraram de achar o bebê "perdedor de alarme"). Além disso, recebemos
uma amostra do DNA de Alice e fomos aconselhados a colocar grudado em um dos
lados do congelador. O DNA serve para várias coisas, mas eu espero nunca
precisar abrir aquele pacotinho.
A documentação
Antes de receber alta, uma funcionária entrou no quarto
para saber o nome de Alice e preencher a documentação para a certidão de
nascimento. Recebemos um comprovante da certidão e fomos retirá-la dias depois
em um órgão do governo. O social security também foi feito e o recebemos pelo
correio, em casa.
O valor
Cada plano de
saúde funciona de um jeito. Conheço pessoas que pagaram $90 e outras quase
$8000. Eu paguei bastante, mas não chegou aos $8000, se tivesse tido parto
normal, seria diferente, mais barato. Também precisei de consulta com especialista em amamentação,
Alice fez uma pequena intervenção, tive uma infecção, passei 1 dia extra no
hospital etc. No caso, temos 60 dias
para adicionar Alice ao plano de saúde, caso contrário pagaríamos a conta dela
toda.
A comida
É ruim, mas é tipo serviço de quarto. Uma funcionária
chega cedo e me pergunta o que eu quero para as 3 refeições do dia. Ela me
entrega um menu com as opções e eu marco o que quero.
12/05/2015
Curtas
1. Tou eu andando com Luffy ao meio dia, tá quente, ele puxa a coleira, mas né, não posso deixar de andar porque um Jack Russel não fica quieto sem gastar energia (claro que Alice vem comigo, as vezes no carrinho, as vezes no canguru, mas sempre comigo). Daí, um vizinho abençoado fala algo do tipo "que absurdo, deixa a criança em casa e anda só com o cachorro", eu respondo algo do tipo "como é que é?! Você não sabe de nada, por isso eu sou a mãe e você é um otário" e foi assim que pela primeira vez nesse país eu usei a palavra jackass. E domingo, claro, esse cidadão bate ponto na igreja. Julgar os outros usando seu óculos é fácil, quero ver ele está no meu lugar fazendo tudo que faço...é cada uma que a gente é obrigado a escutar!
2. Marido decidiu que o primeiro final de semana do dia das mães seria especial. Ganhei vários presentes, saímos, fomos ao parque, restaurante. Foi realmente especial. No sábado de tarde, Alice estava dormindo no colo do marido e nós dois assistindo um filme, alguém bate na porta, eu levanto para ver. Vejo um homem e falo para marido atender. Vi que o homem tinha trazido um livro, achei que fosse uma bíblia. Marido foi falar com o moço e eu subi para guardar umas roupas. Na verdade era um florista. Marido comprou flores e pagou para que elas fossem entregue no domingo. Mas ainda era sábado...o entregador disse que eles não entregam no sábado. Marido ficou p. da vida. Pegou as flores e como eu já não estava na sala, ele decidiu escondê-las no armário do banheiro. De tarde quando fomos ao parque, precise pegar a toalha para Luffy não sujar o carro (temos um treco que protege o banco, mas com a cadeirinha de Alice, nem sabia o local que esse negócio estaria). Marido se destraiu e eu fui lá no armário, só que as toalhas de Luffy ficam na porta da direita e as flores na esquerda, então não vi. Marido gelou, ele queria realmente fazer uma surpresa. E acabou que fez, no outro dia, recebi as flores e amei.
3. Alice está muito ruim da barriga, tive que levá-la ao médico. Marido não foi, teve que trabalhar (mas ligou e mandou mil mensagens). Depois de sairmos do médico, com a medicação ajustada, fomos, nós duas as compras. Essa menina faz sucesso em qualquer lugar, mas preciso lembrar de comprar uns laços (os que tenho aqui são aqueles com elástico que passam pela cabeça e ela detesta) porque todo mundo acha que é um menino. Também, ela não tem muita roupa "de menina" (aka rosa) porque a cor favorita da mãe é azul e porque ela é moderninha.
23/01/2015
Como é o pré-natal (e um pouco do parto) nos EUA?
Porque eu queria tanto ter achado essas informações no começo da gestação...
*Cada estado/hospital tem suas regras, vou falar como está sendo o meu acompanhamento e não tenho como comparar com o Brasil porque não sei como as coisas são feitas lá.
Médica X Enfermeira
Eu pude escolher ser acompanhada por uma médica ou uma enfermeira, optei pela médica, pois tive alguns problemas no início da gravidez e também por conta do aborto que sofri. Vale ressaltar que em outras situações, eu sempre opto pelas enfermeiras, pois elas são mais empáticas e mais cuidadosas (minha experiência!)
Ultrassom
Na UAB era feita uma ultrassom em torno da 7a. semana, aqui na UF a minha ultra foi marcada para a 11a. semana, no entanto, como eu tive um sangramento durante 10 dias, acabei fazendo na 7a semana. Há também uma ultra feita entre a 11a e a 13a semana para ver o desenvolvimento do bebê, mas eu abri mão, pois preferi o exame genético. Por volta da 20a. semana, há a famosa ultra morfológica, a técnica vai vendo órgão por órgão...é massa, mas assustador. E é isso. Se a gravidez vai bem, são feitas 2-3 ultras durante os 10 meses de gestação. Eu posso fazer a ultra 3D/4D, mas tenho que pagar, pois como não é para algo médico, o plano não cobre. Admito que no começo achei isso ruim, mas depois, acho que é algo interessante, eu acabei me conectando de outra forma com a pequena Alice.
Exame Genético
O exame genético é feito através de um exame de sangue simples na mãe. Aqui o plano de saúde cobre se a mulher tiver algum tipo de risco, tipo, tiver mais de 35 anos, mas como ele é mais sensível e mais específico que a ultra do primeiro trimestre, optamos por esse exame. A parte boa é que você já sabe o sexo. Aqui nos EUA, caso o exame aponte alguma anormalidade, você pode interromper a gravidez até o terceiro mês. Embora cada um saiba melhor o que fazer para si, eu não abortaria de jeito nenhum (vai de encontro a tudo que eu acredito). Eu só pensava em estar preparada e em ter tempo de digerir a notícia, caso algo estivesse diferente do esperado.
Número de consultas médicas
Eu agendei uma única consulta no primeiro trimestre, mas como era nova no hospital, acabei vindo 3 vezes (a UAB levou séculos para mandar meus records), então não sei exatamente quantas seriam no primeiro trimestre. Depois, as consultas passam a ser mensais e no terceiro trimestre, quinzenais. No nono mês, terei consulta semanalmente.
A minha médica não necessariamente fará meu parto
Eu sei que é um horror para muitas mulheres, mas para mim, como eu não crio uma super relação com a médica, sinceramente, não vejo nenhum problema. Eu só quero que tenha alguém lá para me ajudar e só.
Vacinas e outros testes
Nossa, eu tomei muita vacina! Tomei a de gripe, a de coqueluche e outra que já esqueci. Como meu marido é Rh+ e eu Rh-, tomei a Rhogan também. Fiz o teste do açúcar no sangue em torno da 25a. semana. Aqui na UF, eles fazem bem certinho (cada hospital faz de um jeito e tem muita coisa sendo feita errada). O teste é tranquilo, todo mundo fala horrores, mas achei bem ok. No outro dia já tinha o resultado. Em toda consulta, eu faço exame de urina, assim, na primeira consulta, já fui explicada que quando chegasse no consultório, antes da enfermeira me chamar (as consultas sempre começam com as enfermeiras), eu deveria fazer o exame, daí, no outro dia, já tenho o resultado (vejo tudo através da internet). O exame é devido a infecção urinárias, bem comum na gravidez.
Para falar com a médica
Eu tenho como mandar uma mensagem para a médica (você coloca se é urgente ou não) ou pode ligar também. Se ligar, a médica não irá atender, ela retornará quando puder, mas a pessoa que atende a ligação, acaba triando e sugerindo que você faça algo (tipo, vá para emergência etc).
As aulas
Aqui também tem as aulas para gestante. Pulei a do parto, porque não quero saber mais do que já sei, quero ficar tranquila. Fizemos a de amamentação e de cuidados com o recém-nascido. Só fiz porque marido pediu, não tem nada que eu já não tivesse lido, mas né, acho legal para os maridos. As enfermeiras reforçam a importância deles, o apoio etc. Fora essas aulas, a médica sugeriu aulas de primeiros socorros (que eu quero muito fazer) e uma aula para colocar o car seat de forma apropriada. Você sabia que 80% dos car seats são colocados errados aqui nos EUA?
Tipo do Parto
Aqui, o parto é normal até que se tenha algum problema. Não é questão de escolha mesmo. Aqui, inclusive, as mulheres têm medo de c-section. No sistema americano atual, para fazer o parto cesáreo, você precisa explicar os motivos para o plano pagar, se não tem motivos baseado em evidência, o plano não paga.
Pagamento do Pré-natal e parto
Mesmo com plano de saúde, pagaremos uma parte do parto. Uma parte pequena, mas mesmo assim, bem salgada. Durante o pré-natal, eu paguei $15 por todas as consultas (não foi $15 por cada e sim por todas), $15 pelo teste do açúcar e + $15 pela ultra morfológica. Pagamos $50 pelo teste genético. Aqui a gente não paga mensalidade do plano de saúde, então estou achando bem barato.
Amamentação
Eles são super a favor, fazem de um tudo para a mulher amamentar. Inclusive, as bombas de tirar leite são pagas pelos planos de saúde. Tudo feito por email, Eu já recebi a minha aqui em casa com custo zero. No entanto, se a mulher opta pela fórmula, há também todo suporte. Aqui não é sugerido fazer nada nas mamas antes do bebê nascer, tipo, tomar sol, passar bucha, fazer exercícios, aqui o foco é na pega correta do bebê, que é isso que vai prevenir sangramentos e dor. Conversei com algumas mães de primeira viagem aqui e elas me falaram que nunca sentiram dor nenhum e nem fizeram nada antes do parto. Ah, no hospital a mãe é atendida por uma especialista em amamentação e caso algo ocorra quando ela e o bebê voltarem para casa, poderão marcar consulta com a especialista. Também, as empresas são obrigadas por lei a terem um local reservado para as mães que trabalham tirarem o leite.
O Parto
Pariu, o bebê vai direto para o seu peito. Fica pelo umas 2 horas fazendo o "pele a pele"/mamando com a mãe. Só depois, a enfermeira pega para medir, limpar, furar etc. O pai fica juntinho. Aqui na UF, a criança nunca sai do lado dos pais (a não ser que haja algum problema). Depois é hora do pai fazer o "pele a pele). "Puxa, os americanos são tão humanizados!", balela! Isso é medicina baseada em evidência, ou você acha que toda essa demora é feita para agradar os pais e o bebê?! Por favor, gente...Já foi comprovado que esse momento com a mãe ajuda a regularizar a temperatura do corpo, o açúcar do bebê e diminui as chances de uma maior "estadia" hospitalar. Ah, o pai pode cortar o cordão umbilical (se quiser) e aqui eles demoram um pouco para cortar porque alguns estudos mostraram um benefício para o bebê (tudo bem que para bebê prematuro, mas como a médica falou, não custa esperar um pouco para todos os bebês né?).
Licença Maternidade
Não tem isso por aqui. Muitas empresas dão 6 semanas não remuneradas para as mães (as creches recebem crianças a partir da 6 semana). Muitas mulheres juntam as férias (aqui normalmente é de 2-3 semanas) e a licença-doença também.
*Cada estado/hospital tem suas regras, vou falar como está sendo o meu acompanhamento e não tenho como comparar com o Brasil porque não sei como as coisas são feitas lá.
Médica X Enfermeira
Eu pude escolher ser acompanhada por uma médica ou uma enfermeira, optei pela médica, pois tive alguns problemas no início da gravidez e também por conta do aborto que sofri. Vale ressaltar que em outras situações, eu sempre opto pelas enfermeiras, pois elas são mais empáticas e mais cuidadosas (minha experiência!)
Ultrassom
Na UAB era feita uma ultrassom em torno da 7a. semana, aqui na UF a minha ultra foi marcada para a 11a. semana, no entanto, como eu tive um sangramento durante 10 dias, acabei fazendo na 7a semana. Há também uma ultra feita entre a 11a e a 13a semana para ver o desenvolvimento do bebê, mas eu abri mão, pois preferi o exame genético. Por volta da 20a. semana, há a famosa ultra morfológica, a técnica vai vendo órgão por órgão...é massa, mas assustador. E é isso. Se a gravidez vai bem, são feitas 2-3 ultras durante os 10 meses de gestação. Eu posso fazer a ultra 3D/4D, mas tenho que pagar, pois como não é para algo médico, o plano não cobre. Admito que no começo achei isso ruim, mas depois, acho que é algo interessante, eu acabei me conectando de outra forma com a pequena Alice.
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| Um tchauzinho da Alice com 18 semanas (estamos com 33 agora) |
Exame Genético
O exame genético é feito através de um exame de sangue simples na mãe. Aqui o plano de saúde cobre se a mulher tiver algum tipo de risco, tipo, tiver mais de 35 anos, mas como ele é mais sensível e mais específico que a ultra do primeiro trimestre, optamos por esse exame. A parte boa é que você já sabe o sexo. Aqui nos EUA, caso o exame aponte alguma anormalidade, você pode interromper a gravidez até o terceiro mês. Embora cada um saiba melhor o que fazer para si, eu não abortaria de jeito nenhum (vai de encontro a tudo que eu acredito). Eu só pensava em estar preparada e em ter tempo de digerir a notícia, caso algo estivesse diferente do esperado.
Número de consultas médicas
Eu agendei uma única consulta no primeiro trimestre, mas como era nova no hospital, acabei vindo 3 vezes (a UAB levou séculos para mandar meus records), então não sei exatamente quantas seriam no primeiro trimestre. Depois, as consultas passam a ser mensais e no terceiro trimestre, quinzenais. No nono mês, terei consulta semanalmente.
A minha médica não necessariamente fará meu parto
Eu sei que é um horror para muitas mulheres, mas para mim, como eu não crio uma super relação com a médica, sinceramente, não vejo nenhum problema. Eu só quero que tenha alguém lá para me ajudar e só.
Vacinas e outros testes
Nossa, eu tomei muita vacina! Tomei a de gripe, a de coqueluche e outra que já esqueci. Como meu marido é Rh+ e eu Rh-, tomei a Rhogan também. Fiz o teste do açúcar no sangue em torno da 25a. semana. Aqui na UF, eles fazem bem certinho (cada hospital faz de um jeito e tem muita coisa sendo feita errada). O teste é tranquilo, todo mundo fala horrores, mas achei bem ok. No outro dia já tinha o resultado. Em toda consulta, eu faço exame de urina, assim, na primeira consulta, já fui explicada que quando chegasse no consultório, antes da enfermeira me chamar (as consultas sempre começam com as enfermeiras), eu deveria fazer o exame, daí, no outro dia, já tenho o resultado (vejo tudo através da internet). O exame é devido a infecção urinárias, bem comum na gravidez.
Para falar com a médica
Eu tenho como mandar uma mensagem para a médica (você coloca se é urgente ou não) ou pode ligar também. Se ligar, a médica não irá atender, ela retornará quando puder, mas a pessoa que atende a ligação, acaba triando e sugerindo que você faça algo (tipo, vá para emergência etc).
As aulas
Aqui também tem as aulas para gestante. Pulei a do parto, porque não quero saber mais do que já sei, quero ficar tranquila. Fizemos a de amamentação e de cuidados com o recém-nascido. Só fiz porque marido pediu, não tem nada que eu já não tivesse lido, mas né, acho legal para os maridos. As enfermeiras reforçam a importância deles, o apoio etc. Fora essas aulas, a médica sugeriu aulas de primeiros socorros (que eu quero muito fazer) e uma aula para colocar o car seat de forma apropriada. Você sabia que 80% dos car seats são colocados errados aqui nos EUA?
Tipo do Parto
Aqui, o parto é normal até que se tenha algum problema. Não é questão de escolha mesmo. Aqui, inclusive, as mulheres têm medo de c-section. No sistema americano atual, para fazer o parto cesáreo, você precisa explicar os motivos para o plano pagar, se não tem motivos baseado em evidência, o plano não paga.
Pagamento do Pré-natal e parto
Mesmo com plano de saúde, pagaremos uma parte do parto. Uma parte pequena, mas mesmo assim, bem salgada. Durante o pré-natal, eu paguei $15 por todas as consultas (não foi $15 por cada e sim por todas), $15 pelo teste do açúcar e + $15 pela ultra morfológica. Pagamos $50 pelo teste genético. Aqui a gente não paga mensalidade do plano de saúde, então estou achando bem barato.
Amamentação
Eles são super a favor, fazem de um tudo para a mulher amamentar. Inclusive, as bombas de tirar leite são pagas pelos planos de saúde. Tudo feito por email, Eu já recebi a minha aqui em casa com custo zero. No entanto, se a mulher opta pela fórmula, há também todo suporte. Aqui não é sugerido fazer nada nas mamas antes do bebê nascer, tipo, tomar sol, passar bucha, fazer exercícios, aqui o foco é na pega correta do bebê, que é isso que vai prevenir sangramentos e dor. Conversei com algumas mães de primeira viagem aqui e elas me falaram que nunca sentiram dor nenhum e nem fizeram nada antes do parto. Ah, no hospital a mãe é atendida por uma especialista em amamentação e caso algo ocorra quando ela e o bebê voltarem para casa, poderão marcar consulta com a especialista. Também, as empresas são obrigadas por lei a terem um local reservado para as mães que trabalham tirarem o leite.
O Parto
Pariu, o bebê vai direto para o seu peito. Fica pelo umas 2 horas fazendo o "pele a pele"/mamando com a mãe. Só depois, a enfermeira pega para medir, limpar, furar etc. O pai fica juntinho. Aqui na UF, a criança nunca sai do lado dos pais (a não ser que haja algum problema). Depois é hora do pai fazer o "pele a pele). "Puxa, os americanos são tão humanizados!", balela! Isso é medicina baseada em evidência, ou você acha que toda essa demora é feita para agradar os pais e o bebê?! Por favor, gente...Já foi comprovado que esse momento com a mãe ajuda a regularizar a temperatura do corpo, o açúcar do bebê e diminui as chances de uma maior "estadia" hospitalar. Ah, o pai pode cortar o cordão umbilical (se quiser) e aqui eles demoram um pouco para cortar porque alguns estudos mostraram um benefício para o bebê (tudo bem que para bebê prematuro, mas como a médica falou, não custa esperar um pouco para todos os bebês né?).
Licença Maternidade
Não tem isso por aqui. Muitas empresas dão 6 semanas não remuneradas para as mães (as creches recebem crianças a partir da 6 semana). Muitas mulheres juntam as férias (aqui normalmente é de 2-3 semanas) e a licença-doença também.
08/12/2014
A feijoada de comemoração
Pois então que agora meu marido é um neurologista certificado. Se a gente tá feliz? Feliz é pouco! Estou feliz também porque apesar dele não ter começado a procurar emprego (só em janeiro), já tem recebido propostas, né legal?
Pois bem, para celebrar a certificação acima, para celebrar o final do ano e para nos despedirmos de uma das fellows que está voltando para Alemanha, meu marido resolveu fazer uma feijoada. Nunca fizemos uma feijoada e a primeira foi para 16 pessoas. Foi corrido, foi cansativo e diferente da feijoada tradicional, já que aqui não encontramos as carnes salgadas. Mas teve farofa, arroz, couve, vinagrete e laranja. Teve também guaraná antártica e caipirinha, porque né, tem que ter.
A turma do trabalho de Leo é a melhor. Sério, muita gente legal de verdade. Estava morta de dor nas costas, mas foi muito legal. Teve dança no Xbox e karaoke...teve até gente bebendo mais do que deveria e ficando aqui em casa até quase as 10 da noite. E se teve "cachaça braba", teve choro, teve tristeza e teve meu marido tentando lidar com a emoção do colega. Uma graça! Faltou um arrocha bem sofrido para encerrar a noite (Ô sofrência!).
Foi muito legal, mas eu não convido essa quantidade de gente para um almoço tão cedo! Trabalho da zorra...
Quer saber mais sobre como ser médico aqui nos EUA? Acesse mediconoseua.com
Pois bem, para celebrar a certificação acima, para celebrar o final do ano e para nos despedirmos de uma das fellows que está voltando para Alemanha, meu marido resolveu fazer uma feijoada. Nunca fizemos uma feijoada e a primeira foi para 16 pessoas. Foi corrido, foi cansativo e diferente da feijoada tradicional, já que aqui não encontramos as carnes salgadas. Mas teve farofa, arroz, couve, vinagrete e laranja. Teve também guaraná antártica e caipirinha, porque né, tem que ter.
A turma do trabalho de Leo é a melhor. Sério, muita gente legal de verdade. Estava morta de dor nas costas, mas foi muito legal. Teve dança no Xbox e karaoke...teve até gente bebendo mais do que deveria e ficando aqui em casa até quase as 10 da noite. E se teve "cachaça braba", teve choro, teve tristeza e teve meu marido tentando lidar com a emoção do colega. Uma graça! Faltou um arrocha bem sofrido para encerrar a noite (Ô sofrência!).
Foi muito legal, mas eu não convido essa quantidade de gente para um almoço tão cedo! Trabalho da zorra...
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29/11/2014
Thanksgiving & Black Friday
Na quarta quinta-feira de novembro é celebrado o Thanksgiving por essas bandas. Esse ano foi a primeira vez dos 5 Thanksgiving que passamos aqui, que fomos convidados a passar a data com americanos. Fiquei tão feliz. Me senti tão acolhida. Enfim, a celebração consiste em chamar gente que você gosta e servir comidas típicas (e claro, dar graças pelo ano). Teve peru e cranberry (não gosto dessa mistura, fiquei só com o peru, que já nem é a minha carne favorita), teve sttufing (amo!), teve purê e gravy, teve green beens cassarole, vegetais e teve até arroz (aquele iraniano). Só não teve foto porque eu nunca tenho muito tempo para fotos aqui na Flórida. Aqui você está sempre conversando com alguém e esquece das fotos. Especialmente das fotos da comida. E de sobremesa rolou mil possibilidades, mas eu fiquei com a pecan pie (minha torta americana favorita) com chocolate amargo (que quebrou o doce da torta de pecan pie tradicional de forma maravilhosa) e uma torta de framboesa bem azedinha (adoro!). Infelizmente, tudo isso misturado é quase que uma bomba e a vontade é de voltar para casa e dormir por 10 horas seguidas para se recuperar. Mas a festa foi muito boa. Conversamos, rimos e agradecemos muito esse ano.
Em tempo: desde que mudamos, sempre aproveitamos a data para agradecer os bons momentos desse ano (e esse ano tem sido o melhor dos últimos 5, mas eu tenho a certeza que 2015 será ainda melhor), fazemos uma prece caprichada para proteger nossos familiares e amigos, nós mesmos e também uma prece especial para aqueles que não estão mais aqui.
Em relação ao Black Friday, muitas lojas começam as promoções no final de semana antes, acabei comprando alguns itens que estava precisando, online mesmo. Meu marido aproveita a data para comprar jogos de video-game e novos consoles. Nunca me meti nas filas gigantescas e só vejo confusão mesmo em alguns vídeos na internet de gente se matando por um produto. Aqui e no Alabama, a coisa é arrumada. Por exemplo no walmart, como as lojas não fecham, as pessoas vão chegando umas 15h (O Black Friday começa às 17h de quinta) e fazem uma fila do lado do produto. Faltando meia hora, um funcionário da loja distribui senhas de cada produto e quando a pessoa pode comprar, todo mundo segue a ordem das senhas. Passamos umas 16h no walmart para comprar umas bandejas e tinham poucas pessoas ao lado dos produtos. Depois do jantar, meu marido me deixou em casa e foi comprar o vídeo game dele, ele disse que o walmart (lá tinha o melhor preço) estava cheio, mas não lotado. Ele inclusive nem pegou fila para pagar (isso foi umas 22h) e encontrou o produto fácil. Eu acho que TV e brinquedos devem dar mais confusão. Vi em um fórum online que as famílias americanas pensam em gastar entre $200 e $400 por filho (até 7 anos) no Natal, e minha nossa, fiquei chocada com esses valores. E a TV, realmente não tem como competir, uma TV de 50'' por $220+tax é realmente um bom preço.
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| Imagem daqui |
Em tempo: desde que mudamos, sempre aproveitamos a data para agradecer os bons momentos desse ano (e esse ano tem sido o melhor dos últimos 5, mas eu tenho a certeza que 2015 será ainda melhor), fazemos uma prece caprichada para proteger nossos familiares e amigos, nós mesmos e também uma prece especial para aqueles que não estão mais aqui.
Em relação ao Black Friday, muitas lojas começam as promoções no final de semana antes, acabei comprando alguns itens que estava precisando, online mesmo. Meu marido aproveita a data para comprar jogos de video-game e novos consoles. Nunca me meti nas filas gigantescas e só vejo confusão mesmo em alguns vídeos na internet de gente se matando por um produto. Aqui e no Alabama, a coisa é arrumada. Por exemplo no walmart, como as lojas não fecham, as pessoas vão chegando umas 15h (O Black Friday começa às 17h de quinta) e fazem uma fila do lado do produto. Faltando meia hora, um funcionário da loja distribui senhas de cada produto e quando a pessoa pode comprar, todo mundo segue a ordem das senhas. Passamos umas 16h no walmart para comprar umas bandejas e tinham poucas pessoas ao lado dos produtos. Depois do jantar, meu marido me deixou em casa e foi comprar o vídeo game dele, ele disse que o walmart (lá tinha o melhor preço) estava cheio, mas não lotado. Ele inclusive nem pegou fila para pagar (isso foi umas 22h) e encontrou o produto fácil. Eu acho que TV e brinquedos devem dar mais confusão. Vi em um fórum online que as famílias americanas pensam em gastar entre $200 e $400 por filho (até 7 anos) no Natal, e minha nossa, fiquei chocada com esses valores. E a TV, realmente não tem como competir, uma TV de 50'' por $220+tax é realmente um bom preço.
18/11/2014
Diferenças culturais
1. Festinha na casa de uma colega do marido (ô pessoal animado!). Tem italiano, brasileiro, japonês...tem até americano! A dona da casa que é italiana, monta o karaokê e o conterrâneo dela fala alto e sem nenhum pudor:
- I liked your body (algo como "eu gostei do seu corpo"), ela olha e responde calmamente: - thanks.
Como os 2 eram italianos, eu pensei que ele estava falando sobre algo específico, porque assim, nada contra falar sobre o corpo alheio, mas naquela naturalidade, na frente de todo mundo, assim tão alto, acho que nem brasileiro faz assim. Achei que fosse um abajur todo diferente que estava atrás dela.
O restante dos presentes começou a se encarar, achando o comentário estranho, até que o japonês não se aguenta e pergunta "wait, whaaaat?". A italiana, que já mora aqui há mais tempo, se deu conta do mal entendido e explica que na Itália, body é usado para todo tipo de blusa. O italiano fica meio sem graça e diz que ele precisa lembrar desse detalhe para não repetir o erro por aí, especialmente com alguma paciente.
2. O encontro foi na casa da iraniana. Ela gosta de cozinhar (já falei que amo gente que gosta de cozinhar?) e faz um frango típico e delicioso! Quando ela traz o arroz, parece uma torta, ela serviu em uma travessa, tudo grudadinho e meio seco. Ele estava levemente queimado no fundo e tinha aquele pozinho amarelo (Esqueci o nome!) colorindo só o arroz do fundo. Eu achei diferente, mas ela estava super feliz servindo todo mundo (serve-se o arroz como se serve uma torta mesmo, com cortador de bolo e tudo). Até que a colega hispânica pergunta o nome do arroz e diz que na terra dela, o nome seria "arroz pegado". A iraniana explica que não, que assim que é servido o arroz no Irã. então tá bom. Era gostoso, só um pouco seco, como eu não gosto de arroz mesmo...
3. A iraniana recebe a ligação de um parente, quando termina o mexicano pergunta "que horas são lá na sua cidade?", a iraniana diz "se aqui são 3h, e lá são 3h e 20 min na frente, então lá são 6:20". O mexicano fala "como assim, 3:20 de diferença?! Isso tá errado, os horários mudam em hora, não pode ser 1h20min". Ela fala confusa "Claro que pode, quem disse que cada fuso precisa ser exatamente 1 hora?!". Óbvio que o google desempatou essa discussão e sim, aparentemente existem 3 cidades no mundo que o fuso é de 1h e 20 min. Você sabia disso? Eu não lembrava...
- I liked your body (algo como "eu gostei do seu corpo"), ela olha e responde calmamente: - thanks.
Como os 2 eram italianos, eu pensei que ele estava falando sobre algo específico, porque assim, nada contra falar sobre o corpo alheio, mas naquela naturalidade, na frente de todo mundo, assim tão alto, acho que nem brasileiro faz assim. Achei que fosse um abajur todo diferente que estava atrás dela.
O restante dos presentes começou a se encarar, achando o comentário estranho, até que o japonês não se aguenta e pergunta "wait, whaaaat?". A italiana, que já mora aqui há mais tempo, se deu conta do mal entendido e explica que na Itália, body é usado para todo tipo de blusa. O italiano fica meio sem graça e diz que ele precisa lembrar desse detalhe para não repetir o erro por aí, especialmente com alguma paciente.
2. O encontro foi na casa da iraniana. Ela gosta de cozinhar (já falei que amo gente que gosta de cozinhar?) e faz um frango típico e delicioso! Quando ela traz o arroz, parece uma torta, ela serviu em uma travessa, tudo grudadinho e meio seco. Ele estava levemente queimado no fundo e tinha aquele pozinho amarelo (Esqueci o nome!) colorindo só o arroz do fundo. Eu achei diferente, mas ela estava super feliz servindo todo mundo (serve-se o arroz como se serve uma torta mesmo, com cortador de bolo e tudo). Até que a colega hispânica pergunta o nome do arroz e diz que na terra dela, o nome seria "arroz pegado". A iraniana explica que não, que assim que é servido o arroz no Irã. então tá bom. Era gostoso, só um pouco seco, como eu não gosto de arroz mesmo...
3. A iraniana recebe a ligação de um parente, quando termina o mexicano pergunta "que horas são lá na sua cidade?", a iraniana diz "se aqui são 3h, e lá são 3h e 20 min na frente, então lá são 6:20". O mexicano fala "como assim, 3:20 de diferença?! Isso tá errado, os horários mudam em hora, não pode ser 1h20min". Ela fala confusa "Claro que pode, quem disse que cada fuso precisa ser exatamente 1 hora?!". Óbvio que o google desempatou essa discussão e sim, aparentemente existem 3 cidades no mundo que o fuso é de 1h e 20 min. Você sabia disso? Eu não lembrava...
23/10/2014
Tailgating party
Talvez você não conheça essa expressão, mas aposto que já viu em algum filme americano. Sabe aquele esquenta antes dos jogos ou shows? Pois então, é bem isso. Normalmente esse esquenta acontece no estacionamento dos estádios (local do show) ou ao redor do mesmo. Embora aqui nos EUA não seja permitido beber "ao ar livre", durante esse tipo de evento, é permitido (pode beber em restaurante, na sua casa, mas não pode sair na rua bebendo e nem na praia- menos em Vegas e Nova Orleans). Daí eles levam a churrasqueira, fazem churrasco americano e ficam curtindo o dia todo até a hora do jogo.
Gainesville é bem pequena (120mil habitantes), mas o estádio dos Gators (time de futebol americano da Universidade da Flórida) cabe 90mil pessoas. Em dia de jogo a cidade fica lotada de gente! Os estacionamentos ficam cheios de traillers. É gente vindo de tudo que é lugar. O pessoal aqui é louco por futebol americano. O mais interessante é que é um time universitário, imagina na NFL! Bom, o prédio que meu marido trabalha resolveu patrocinar uma tailgating party e fui conferir como é o esquema deles. No caso, eles não fazem no centro da cidade, onde tudo acontece, porque lá é cheio, não tem como estacionar (moradores da região cobram $20 para você estacionar na casa deles) etc. Eles fizeram no jardim do prédio mesmo. Depois, quem foi pro jogo pegava um ônibus.
Como tudo nesse país, a coisa é bem organizada: teve camisa "do evento", teve empresa contratada para servir churrasco, teve vídeo game espalhado para as crianças, tiveram várias televisões e 1 telão para quem quisesse ver o jogo, teve bebida a vontade e teve a estrela do evento: uma espécie de photo booth ao ar livre. Ah, tudo isso foi de graça!
Os colegas do marido estavam lá, ficamos conversando. Ô povinho animado!!! Almoçamos, depois eles pintaram o rosto e foram assistir o jogo. São umas 3 horas de jogo e eu decidi ficar em casa. Marido adorou o espetáculo e disse que 3 horas passam super rápido por conta de todo show envolvido. Pegar o ônibus na volta também foi fácil (quando você vai para o estádio, sua passagem é carimbada com o horário que pode voltar, desta forma não cria confusão na volta). Ele disse que teria sido melhor se os Gators não tivessem perdido de lavada ( 42 X 13).
Gainesville é bem pequena (120mil habitantes), mas o estádio dos Gators (time de futebol americano da Universidade da Flórida) cabe 90mil pessoas. Em dia de jogo a cidade fica lotada de gente! Os estacionamentos ficam cheios de traillers. É gente vindo de tudo que é lugar. O pessoal aqui é louco por futebol americano. O mais interessante é que é um time universitário, imagina na NFL! Bom, o prédio que meu marido trabalha resolveu patrocinar uma tailgating party e fui conferir como é o esquema deles. No caso, eles não fazem no centro da cidade, onde tudo acontece, porque lá é cheio, não tem como estacionar (moradores da região cobram $20 para você estacionar na casa deles) etc. Eles fizeram no jardim do prédio mesmo. Depois, quem foi pro jogo pegava um ônibus.
Como tudo nesse país, a coisa é bem organizada: teve camisa "do evento", teve empresa contratada para servir churrasco, teve vídeo game espalhado para as crianças, tiveram várias televisões e 1 telão para quem quisesse ver o jogo, teve bebida a vontade e teve a estrela do evento: uma espécie de photo booth ao ar livre. Ah, tudo isso foi de graça!
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| Nós dois de camisa colorida, prontos para a festa |
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| Tudo com as cores do time. Lá atrás da para ver 2 TVs com jogos de video game para as crianças |
Os colegas do marido estavam lá, ficamos conversando. Ô povinho animado!!! Almoçamos, depois eles pintaram o rosto e foram assistir o jogo. São umas 3 horas de jogo e eu decidi ficar em casa. Marido adorou o espetáculo e disse que 3 horas passam super rápido por conta de todo show envolvido. Pegar o ônibus na volta também foi fácil (quando você vai para o estádio, sua passagem é carimbada com o horário que pode voltar, desta forma não cria confusão na volta). Ele disse que teria sido melhor se os Gators não tivessem perdido de lavada ( 42 X 13).
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| O churrasco daqui não é só com cachorro quente e hambúrguer, mas não tem arroz, vinagrete etc |
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| Chegando no estádio |
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| A banda dando show |
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| O grupo dos fellows. Tem de japonês até brasileiro nesse bolo |
21/09/2014
Das Judites americanas
Coisa boa do mundo é ter de lidar com empresas telefônicas, não é mesmo? (#sqn). Quando mudamos para Flórida, o sinal do nosso celular ficou péssimo. Dentro de casa então, não funcionava. Tínhamos que literalmente sair de casa para fazer uma ligação. Aí não dá mesmo. Como eu queria mudar o número do celular (não queria que aparecesse o Alabama quando eu ligasse e sim Flórida), fiquei super animada com a mudança de telefonia.
ABRE PARÊNTESES
Aqui nos EUA, você não precisa mudar o número do celular quando muda de cidade/estado porque não existe isso de preços diferentes para ligações feitas entre telefones de cidades diferentes. Uma ligação dentro do país, é uma ligação comum. Por exemplo, se eu ligar para alguém na Califórnia, para alguém no Alabama ou para meu vizinho, o custo será o mesmo.
FECHA PARÊNTESES
Daí, pesquisamos (Leo pesquisou, né) qual a melhor empresa aqui e fomos lá. Trocamos os celulares e escolhemos os números, daí, na hora de assinar, a tela do ipad do homem (eles usam um ipad aqui) travou e ele teve que começar outra vez. Repare, ninguém assinou nada! Marido ainda perguntou outra vez para se certificar que não receberia cobrança. Fomos adiante, escolhemos outro número, pegamos nossos telefones e fomos embora.
No primeiro mês, gastamos mais internet do nosso pacote e pra minha surpresa, eles vão disponibilizando mais internet, sem a gente pedir, sem nossa autorização, a um preço extremamente alto. Eu fiquei tão p. da vida. Marido mexeu nas configurações do nosso aparelho e ajeitou as coisas, daí isso não aconteceu mais. De qualquer forma, achei um absurdo eles colocarem mais internet sem nossa autorização. A conta do primeiro mês foi absurda!
1 mês depois da compra dos aparelhos, marido recebe a cobrança de um celular. Aquele que a tela travou, que ele não assinou nada, lembra? Ele liga para Judite #1. 1 hora depois, Judite #1 se desculpa, e diz que está tudo certo. No mês seguinte a mesma cobrança chega. Marido liga para Judite #2 e ela diz que a Judite #1 só havia cancelado a linha, mas não o aparelho e que ela faria isso. Desligou o telefone garantindo que tudo estava perfeito. No mês seguinte, chega uma cobrança dizendo que caso Marido não resolva pagar o que deve, o nome dele iria para o SPC. Vê isso, que maravilha! Marido liga e fala com Judite #3. Ela diz para ele aguardar enquanto o sistema abria e 15 minutos depois, a ligação reinicia com a Judite #4. Só sei que depois de muito tempo, Judite #4 garantiu que o nome não foi para o SPC e que ele colocou o cancelamento em vias de urgência. Reza a lenda que até sexta marido irá receber uma ligação confirmando o cancelamento.
Daí, eu entro na nossa conta e vejo que a empresa de telefonia que usávamos no Alabama continua descontando a mensalidade. Marido liga para eles e descobrem que eles só cancelaram uma das linhas (embora nenhuma das duas estejam funcionando). Aí é dureza! Reza a lenda que eles irão devolver o dinheiro roubado. Aguardemos e oremos para que esse assunto de telefonia seja encerrado!
PS: tá vendo, e você aí pensando que só tem Judite no Brasil..
ABRE PARÊNTESES
Aqui nos EUA, você não precisa mudar o número do celular quando muda de cidade/estado porque não existe isso de preços diferentes para ligações feitas entre telefones de cidades diferentes. Uma ligação dentro do país, é uma ligação comum. Por exemplo, se eu ligar para alguém na Califórnia, para alguém no Alabama ou para meu vizinho, o custo será o mesmo.
FECHA PARÊNTESES
Daí, pesquisamos (Leo pesquisou, né) qual a melhor empresa aqui e fomos lá. Trocamos os celulares e escolhemos os números, daí, na hora de assinar, a tela do ipad do homem (eles usam um ipad aqui) travou e ele teve que começar outra vez. Repare, ninguém assinou nada! Marido ainda perguntou outra vez para se certificar que não receberia cobrança. Fomos adiante, escolhemos outro número, pegamos nossos telefones e fomos embora.
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| Imagem daqui |
No primeiro mês, gastamos mais internet do nosso pacote e pra minha surpresa, eles vão disponibilizando mais internet, sem a gente pedir, sem nossa autorização, a um preço extremamente alto. Eu fiquei tão p. da vida. Marido mexeu nas configurações do nosso aparelho e ajeitou as coisas, daí isso não aconteceu mais. De qualquer forma, achei um absurdo eles colocarem mais internet sem nossa autorização. A conta do primeiro mês foi absurda!
1 mês depois da compra dos aparelhos, marido recebe a cobrança de um celular. Aquele que a tela travou, que ele não assinou nada, lembra? Ele liga para Judite #1. 1 hora depois, Judite #1 se desculpa, e diz que está tudo certo. No mês seguinte a mesma cobrança chega. Marido liga para Judite #2 e ela diz que a Judite #1 só havia cancelado a linha, mas não o aparelho e que ela faria isso. Desligou o telefone garantindo que tudo estava perfeito. No mês seguinte, chega uma cobrança dizendo que caso Marido não resolva pagar o que deve, o nome dele iria para o SPC. Vê isso, que maravilha! Marido liga e fala com Judite #3. Ela diz para ele aguardar enquanto o sistema abria e 15 minutos depois, a ligação reinicia com a Judite #4. Só sei que depois de muito tempo, Judite #4 garantiu que o nome não foi para o SPC e que ele colocou o cancelamento em vias de urgência. Reza a lenda que até sexta marido irá receber uma ligação confirmando o cancelamento.
Daí, eu entro na nossa conta e vejo que a empresa de telefonia que usávamos no Alabama continua descontando a mensalidade. Marido liga para eles e descobrem que eles só cancelaram uma das linhas (embora nenhuma das duas estejam funcionando). Aí é dureza! Reza a lenda que eles irão devolver o dinheiro roubado. Aguardemos e oremos para que esse assunto de telefonia seja encerrado!
PS: tá vendo, e você aí pensando que só tem Judite no Brasil..
27/04/2014
911: Em briga de marido e mulher, a polícia mete a colher!
Aí né, era uma quinta-feira qualquer. 2:30 da madrugada e estava todo mundo dormindo. Bom, pelo menos as pessoas com juízo que serão acordados à gritos finos de um despertador miserável. Vocês conhecem aquele casal de baianos que moram nos EUA, né? Aquele que eu sempre falo aqui. Pois então, eles estavam dormindo também. Daí, a esposa acorda tonta com uma buzinada "goxxxxtosa" do vizinho! Ela sabia qual dos vizinhos estava louco buzinando, pois ele adora usar essa forma para chamar a esposa. No susto, ela pensa que perderam a hora, daí levanta para conferir o horário e antes de alcançar o despertador, ouve a esposa do vizinho gritando, chorando, fazendo o diabo:
-Fuck you!!! Get out of my house!!!!.
Aparece uma outra vizinha perguntando se está tudo bem (oi?) e a senhora acima é super grossa. Esse "diálogo" dura 10 minutos. Até que a vizinha fora de si, que tem seus 70 anos, começa a imitar e se irritar com o cachorro dos baianos. Aí né, se a criatura que estava alucinada gritando e xingando na rua passa a se incomodar com o cachorro da vizinha baiana que compreensivelmente ficou nervoso e latiu...muito (ele estava dentro de casa), a baiana achou que aquela confusão tinha passado do tamanho, onde já se viu xingar o cachorro dos outros? Ela cutuca o marido e pede para ele ligar para a policia. Ele levanta e vai ligar pois estava preocupado que a vizinha pudesse jogar algo no carro do marido e que poderia pegar no carro dos baianos.Daqui de casa Da casa dos baianos não dava para ver o casal de velhinhos gritando e brigando (o marido baiano inclusive achou que a confusão era de outros vizinhos "nossa, uma briga feia dessas com pessoas dessa idade!" tsc, tsc, tsc, mal sabe ele que não há idade para esse tipo de coisa), mas ele descreveu a cena e pediu para a policia não passar na casa dele (o pessoal do 911 perguntou se ele queria que um policial passasse aqui, mas a gente só queria dormir mesmo). Quando o marido desliga, magicamente acaba a gritaria. A esposa só pensava "Merda! Vamos ter de pagar uma multa de $25 para chamadas falsas". Mas o silêncio durou pouco e a cena vergonhosa continuou.
Menos de 2 minutos depois (fiquei impressionada com a rapidez), duas viaturas já estavam aqui. A senhora começou a chorar histericamente, mas 5 minutos depois já estava tudo calmo. Os policiais/psicólogos levaram os "baderneiros" para dentro da casa deles e saíram depois de 40 minutos. Com o silêncio, o marido baiano já estava dormindo, mas a esposa dele ficou super nervosa com a situação e não pregou o olho até o despertador gritar alegremente. O problema foi que ela juntou esse nervoso, mais a alergia, a falta de sono, um anti-alérgico e digamos que fez uma ultrapassagem perigosa e que foi parar no acostamento (tá, não era um acostamento de verdade, mas deixemos isso para lá).
No outro dia, algumas versões para o acontecido surgiram, mas a campeã foi feita pelo marido baiano: o vizinho foi para a jogatina (volta e meia ele chega tarde em casa- nossa janela dá para o estacionamento....), a esposa dele não queria pois ele vive perdendo dinheiro, daí ela trancou a porta e resolveu beber para relaxar, acabou passando da medida. Quando o vizinho chegou da jogatina, a porta estava trancada e ele teve que buzinar o carro para a esposa abrir a porta. Ela, que estava, digamos, alta, já abriu a porta xingando muito...
O problema é que agora a baiana está com vergonha de encontrar com esses vizinhos, mas o marido dela disse "oxe, eles é que tem de ficar com vergonha"...então, tá, então.
-Fuck you!!! Get out of my house!!!!.
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| imagem daqui |
Aparece uma outra vizinha perguntando se está tudo bem (oi?) e a senhora acima é super grossa. Esse "diálogo" dura 10 minutos. Até que a vizinha fora de si, que tem seus 70 anos, começa a imitar e se irritar com o cachorro dos baianos. Aí né, se a criatura que estava alucinada gritando e xingando na rua passa a se incomodar com o cachorro da vizinha baiana que compreensivelmente ficou nervoso e latiu...muito (ele estava dentro de casa), a baiana achou que aquela confusão tinha passado do tamanho, onde já se viu xingar o cachorro dos outros? Ela cutuca o marido e pede para ele ligar para a policia. Ele levanta e vai ligar pois estava preocupado que a vizinha pudesse jogar algo no carro do marido e que poderia pegar no carro dos baianos.
Menos de 2 minutos depois (fiquei impressionada com a rapidez), duas viaturas já estavam aqui. A senhora começou a chorar histericamente, mas 5 minutos depois já estava tudo calmo. Os policiais/psicólogos levaram os "baderneiros" para dentro da casa deles e saíram depois de 40 minutos. Com o silêncio, o marido baiano já estava dormindo, mas a esposa dele ficou super nervosa com a situação e não pregou o olho até o despertador gritar alegremente. O problema foi que ela juntou esse nervoso, mais a alergia, a falta de sono, um anti-alérgico e digamos que fez uma ultrapassagem perigosa e que foi parar no acostamento (tá, não era um acostamento de verdade, mas deixemos isso para lá).
No outro dia, algumas versões para o acontecido surgiram, mas a campeã foi feita pelo marido baiano: o vizinho foi para a jogatina (volta e meia ele chega tarde em casa- nossa janela dá para o estacionamento....), a esposa dele não queria pois ele vive perdendo dinheiro, daí ela trancou a porta e resolveu beber para relaxar, acabou passando da medida. Quando o vizinho chegou da jogatina, a porta estava trancada e ele teve que buzinar o carro para a esposa abrir a porta. Ela, que estava, digamos, alta, já abriu a porta xingando muito...
O problema é que agora a baiana está com vergonha de encontrar com esses vizinhos, mas o marido dela disse "oxe, eles é que tem de ficar com vergonha"...então, tá, então.
14/04/2014
Aposentadoria precoce do meu cargo de cabeleireira
Eu já comentei que era a responsável por cortar o cabelo do marido. Foi tudo bem durante 3 anos e 9 meses, até que esses dias....enfim, lá estava eu cortando o cabelo dele. Tudo igual, música de fundo, ele sentado, eu com a máquina e tal, até que quando fui fazer o pé do cabelo (portanto, com máquina zero), meu digníssimo marido deu uma tremida na cabeça e...lembra aquela propaganda que uma mulher vai ao salão, e cada espirro que dá, o cabeleireiro corta mais do que deveria? (não achei o link da propaganda para ilustrar o post)
Pois é, fez um furo considerável no cabelo dele...passei 30 segundos pensando se falava com ele ou se fingia que estava tudo bem, mas né, falei. Você acha que ele acreditou? Não acreditou, até que eu fui repetindo e ele foi vendo que era verdade e foi ficando tenso. Mas aí, eu fui rindo, rindo e rindo alto. Ele viu o estrago e ficou puto. Já eu não conseguia parar de rir, não da situação, que na hora não é engraçada, mas eu fiquei rindo de nervoso mesmo. Bom, eu diminui um pouco o pé do cabelo e ele penteou o cabelo de tal forma que disfarçou o estrago. Ficou ok e uma semana depois, já estava como se nada tivesse acontecido.
E foi assim que eu aposentei a máquina de raspar cabelo...
Pois é, fez um furo considerável no cabelo dele...passei 30 segundos pensando se falava com ele ou se fingia que estava tudo bem, mas né, falei. Você acha que ele acreditou? Não acreditou, até que eu fui repetindo e ele foi vendo que era verdade e foi ficando tenso. Mas aí, eu fui rindo, rindo e rindo alto. Ele viu o estrago e ficou puto. Já eu não conseguia parar de rir, não da situação, que na hora não é engraçada, mas eu fiquei rindo de nervoso mesmo. Bom, eu diminui um pouco o pé do cabelo e ele penteou o cabelo de tal forma que disfarçou o estrago. Ficou ok e uma semana depois, já estava como se nada tivesse acontecido.
E foi assim que eu aposentei a máquina de raspar cabelo...
07/04/2014
Das diferenças culturais- pistas para a prova
Marido tem estudado bastante para a prova da residência. A Neuro prepara várias aulas, revisões e ele ainda acaba se reunindo com uns colegas para estudar. Dentre o material escolhido para estudo, ele usa esse livro aqui que é bem no padrão americano: revisão de pontos importantes, piadinhas e mnemônicas para ajudar no trabalho de decorar aprender.
Aí ele, um colega indiano e outro paquistanês estavam estudando uma doença X que um dos sintomas são manchas marrons que aqui nos EUA eles chamam essa mancha de "cafe au lait". Pra você que é brasileiro, faz todo sentido né? Café com leite é marrom...mas para o colega indiano e o paquistanês, não fazia sentido simplesmente porque eles não entendiam o que "cafe au lait" significava, fora que na cultura deles não é assim tão comum tomar café com leite.
Ainda nesse estudo, eles chegaram na doença Y e a pergunta era: qual o gene ligado a essa doença? Meu marido era o único que sabia e falou "o gene Merlyn!". Os colegas perguntaram como elefez para decorar sabia, meu marido disse que foi uma dica do livro acima, que fazia uma ligação com Merlin (o mago), já que esse gene era "meio mágico" pois causava lesões semelhantes dos dois lados do cérebro. Os colegas olharam para ele com cara de interrogação. Ele continuou "vocês sabem, o mago Merlin", um dos colegas respondeu que nunca tinha ouvido falar em um Mago Merlin e que a única Merlin que ele conhecia era "Merlin" Monroe.
Quer saber mais sobre como ser médico aqui nos EUA? Acesse mediconoseua.com
Aí ele, um colega indiano e outro paquistanês estavam estudando uma doença X que um dos sintomas são manchas marrons que aqui nos EUA eles chamam essa mancha de "cafe au lait". Pra você que é brasileiro, faz todo sentido né? Café com leite é marrom...mas para o colega indiano e o paquistanês, não fazia sentido simplesmente porque eles não entendiam o que "cafe au lait" significava, fora que na cultura deles não é assim tão comum tomar café com leite.
Ainda nesse estudo, eles chegaram na doença Y e a pergunta era: qual o gene ligado a essa doença? Meu marido era o único que sabia e falou "o gene Merlyn!". Os colegas perguntaram como ele
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Quer saber mais sobre como ser médico aqui nos EUA? Acesse mediconoseua.com
24/02/2014
Como é morar em Bham-Alabama
Esqueci de registrar, mas contei um pouquinho da minha vida aqui no blog da Luciana. Passa lá para dar uma conferida.
13/02/2014
Da bunda cabeluda
Depois de presenciar uma louca moça de lingerie neon pilotando um trator, depois de presenciar meu vizinho chegando em casa literalmente com as calças na mão, eis que eu me deparo com uma bunda cabeluda. Claro que não era um bumbum bonito...não podia ser um bumbum fofinho e cheio de celulite de um bebezinho? Não, claro que não. Mas ó, a culpa é minha. Eu estava andando com Luffy aqui pelo condomínio, tinha uma casa com a lampada da cozinha ligada e as cortinas abertas, sabe aquela olhada para a vida dos outros, aquela coisa que a gente nem pensa? Pois é, lá estava a bunda...o moço estava apoiado no bar e eu literalmente só vi parte dele...a parte que eu menos queria ver e que vai me fazer ter pesadelos. Agora, só falta eu passar pela experiência (que não quero) de ver um nu frontal aqui no Alabama. Deus que me proteja!!
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| Não podia ser um bumbum desses? Imagem daqui |
06/02/2014
Projeto para alegrar a alma
Não é segredo para ninguém que o Alabama não foi bom comigo.4 anos
aqui e agora quando eu olho para qualquer pessoa eu só vejo potenciais
magoadores. E nossa, isso é triste pra qualquer ser humano, mas acho
que pra quem é formada em psicologia, é ainda pior. Então que eu estou
contando as horas para a mudança (que talvez seja adiantada em 1 mês,
oremos!). Então que eu já planejei a última foto que irei tirar aqui
(visualizem: o caminhão da mudança de fundo, eu com a minha sapatilha azul
-tem que ser ela, pois é a mais elogiada- uma no pé, a outra na mão,
eu soprando a que esta na mão e a legenda diz: dessa terra eu não quero
nem o pó!). Então que eu decidi que pra mim os EUA vão ter um estado a
menos e que no lugar do Alabama, pra mim será um buraco negro. Não quero
mais voltar aqui mais nunca na minha vida!!! Só de imaginar em ter de morar
aqui outra vez eu passo mal (mas jah esta definido que se Leo só achar
vaga para trabalhar aqui, iremos para o Canadá ou Brasil...eu não volto pra cá nem
amarrada).
Não precisa ser psicóloga para saber que essa relação aí não é saudável. O Alabama me traumatizou de tal forma que não consigo
colocar em palavras. Mas como eu quero sair daqui saudável e desenvolver
uma relação pelo menos suportável com o estado, fiquei imaginando o que
poderia fazer para sair daqui pelo menos com uma sensação de: vi,
sofri, sofri, venci e sou indiferente ao Alabama. Daí que eu pensei em
tirar uma foto de algo positivo que vivi aqui. Uma foto por semana.
Minha ideia inicial era usar a minha super câmera, mas eu percebi que
normalmente quando as coisas acontecem, eu estou com o celular mesmo.
Semana 1
Pra minha surpresa, a primeira semana do projeto já rendeu 3 fotos. O que me deixou feliz por demais. Minha ideia é colocar as fotos
uma vez por mês aqui, dessa forma, eu posso olhar pra trás e tentar
focar nas coisas boas. Quem sabe assim, as coisas ruins vão tomando
outra dimensão, né?
A primeira foto é a do artigo que foi publicado. Dá muita felicidade ver o seu trabalho na pubmed.
Embaixo foi a apresentação de marido no grand round. Ele recebeu
muito elogios e ficou feliz de finalizar mais um pré-requisito da residência.
A foto mais importante da semana. Tive uma reunião com minha chefe,
depois da reunião, conversei com ela, mas agora como pessoa. E nossa,
ela é maravilhosa demais! A conversa foi mais profunda e ela me mostrou
algo que estava precisando ver. E ela fez de forma maternal. Quando saí,
o sol estava se pondo e aquilo encheu minha alma de luz. Ter esse emprego e ter ela
como chefe são as duas coisas do topo da lista de coisas positivas do
Alabama.
Semana 2
Depois de muitas ligações e muitos erros do board de medicina (das confusões típicas dessa terra que não vou sentir nenhuma falta...ops, a idéia é falar bem), éis que Leo recebe a licença permanente.
Claro que a neve me deixou muito feliz. Foi um belo jeito de me despedir do Alabama. É muito lindo ver a neve caindo e tudo branquinho depois. (o lado ruim da nevasca, eu escrevi aqui)
Semana 2
Depois de muitas ligações e muitos erros do board de medicina (das confusões típicas dessa terra que não vou sentir nenhuma falta...ops, a idéia é falar bem), éis que Leo recebe a licença permanente.
Claro que a neve me deixou muito feliz. Foi um belo jeito de me despedir do Alabama. É muito lindo ver a neve caindo e tudo branquinho depois. (o lado ruim da nevasca, eu escrevi aqui)
31/01/2014
da nevasca, da ignorância das pessoas e da lição que aprendi
Pera que vou te contar a história direito. Era terça e todo mundo sabia que iria nevar, mas o que ninguém sabia é que a neve iria acumular. Terça pela manhã, antes de sair de casa, eu conferi a previsão do tempo e meu email da UAB, não tinha alerta de emergência nesse sentido. As escolas estavam funcionando, tudo tranquilo. Levei marido para o trabalho, fui pro jazzercise e na volta peguei bastante trânsito. Eu não sabia que algumas empresas já tinham liberado seus funcionários. Eram 10:30 da manhã. Cheguei em casa e a neve começou a cair. A previsão inicial é que teria neve até as 13hs, mas a neve caiu até as 16hs e as 11hs já havia uma grossa camada de gelo nas estradas. Tirei foto de Luffy e fiquei feliz com o branquinho. Mas aí o caos se instalou. Meus amigos foram conseguindo chegar em casa. A maioria abandonou o carro e andou algumas milhas até chegar em casa. Alguns não conseguiram chegar nas escolas dos filhos e eles dormiram por lá, com os professores e colegas. Uma amiga bateu o carro porque ele escorregou e saiu levando alguns carros pelo caminho, "como uma bola de boliche", ela falou. Uma amiga disse que parecia cena de filme de fim de mundo: deficientes presos nos carros, idosos também, gente andando pelo acostamento etc. Um caos total. Meu marido voltou (tentou voltar) com 4 colegas, eles tentaram chegar em casa por 6 horas até que não tinha como avançar (muitos carros batidos). Eles andaram e pegaram uma carona até o condomínio dos 3 colegas de marido. Foram 6 horas de muita tensão, pra mim e pra eles. Marido estava pertinho de casa e resolveu, de teimosia, vir andando, mas estava muito escorregadio e ele caiu. Caiu em cima do braço e dois dias depois conseguiu ir na emergência para decobrir que teve uma pequena fratura. Nada grave. Ele chegou em casa no outro dia, na hora do almoço e só aí eu me acalmei. Passei mais de 6hs bem tensa e rezando para ele chegar bem.
Aparentemente o Alabama (e a Georgia) virou piada nacional devido a nevasca que enfrentamos na última terça. Sim, foram só 6,5 centímetros de neve e se você mora em uma região fria sabe que isso não é nada. Mas essa neve causou muito transtorno e acabou com a vida de 5 pessoas (uma delas era uma criança de 2 anos). E não, isso não é piada!!
Bom, aqui todo mundo fica atento a previsão do tempo e todos esses sinais de gravidade que falei acima, mas nada foi dito. O governador diz que foi erro da equipe da previsão do tempo, que por sua vez diz que avisou ao estado na segunda-feira sobre a tempestade. Se a população soubesse, as aulas teriam sido canceladas e o trabalho também. Nada disso teria acontecido. Em 2010, também nevou bastante aqui, mas todo mundo estava esperando (eles acabaram com o estoque de pão e leite dos mercados), ninguém saiu de casa. Mas esse ano, sem aviso, aconteceu esse horror! Aqui, o estado não tem aqueles caminhões especiais para tirar neve, nem sal, porque né, aqui não neva. Tá, até neva, mas não desse jeito. O condado que moro pediu falência em 2011 e com certeza estocar sal não seria uma prioridade para quem nem consegue pagar as contas.
Então, embaixo desses 6,5cm de neve tinha uma camada de gelo. Fora isso, os carros não são preparados para neve e as pessoas não sabem dirigir em tais condições. As maiores das rodovias ficou fechada com 50 carros batidos em um curto trecho, o que fechava o caminho para os outros motoristas. Muitos motoristas abandonaram os carros no meio da rua, a maioria tentou encostar, mas muita gente não conseguiu tirar o carro do lugar. Virou uma bola de neve com todas as principais rodovias paradas/bloqueadas.
Não, eu não estou defendendo o pessoal daqui, porque né, não é o tipo de coisa que eu faça, mas nesse caso, os Alabamians fizeram o que poderiam e sabem fazer: tentaram voltar para casa e ajudaram (E como ajudaram!) como podiam as pessoas que ficaram presas no meio do caminho. Nesse texto aqui uma pessoa falou que se preparar para neve aqui é igual preparar NY para tornado: não faz sentido! Simples assim. Então, não é que o pessoal do sul é tão redneck que tenha medo de neve, mas simplesmente que do jeito que a coisa aconteceu e sem nenhum auxílio de sal ou dos caminhões fica realmente inviável lidar com o "inesperado" (que não era inesperado já que a previsão do tempo já tinha "cantando essa pedra").
Por outro lado, eu vi muita notícia de gente espalhando o bem no mundo. E como poucas vezes durante 4 ano (possivelmente, a única vez), eu senti orgulho dos Alabamians. De verdade. Uma amiga foi "salva" por uma alma que comprou gasolina, colocou em um recipiente e saiu dirigindo tentando encontrar gente que precisava de gasolina para chegar em casa. Lojas como a Lowe's e a Home depot pegaram areia e seus funcionários saíram as ruas colocando areia nas estradas. A panera estava dando sopa e café. Restaurantes próximos as escolas que estavam abarrotadas de crianças resolveram levar comida. Tudo isso sem cobrar nada. Gente ajudando e dando carona aos que estavam caminhando. Médico (idoso já) andando 6 milhas para operar um paciente que sem a cirurgia tinha 90% de morrer. Teve outra amiga que o carro só fazia rodar na rodovia e um casal de desconhecido a ajudou a encostar o carro e deu carona pra ela. Teve gente pegando o filho dos outras na escola e trazendo para suas casas. Teve gente fazendo café e deixando para as pessoas que estavam caminhando para suas casas beberem e teve gente enfrentando a calçada escorregadia para salvar dois cachorros na casa dos vizinhos, porque a avó (humana) dos cachorros era velhinha, estava desesperada que os cachorros estavam sem comida e sem água, mas estava com muito medo de cair. De pagamento eu recebi uma mordiscada de um dos cachorros, dois abraços apertados da vizinha e a pergunta "você tem comida em casa? Se não tiver, a gente tem bastante, pode bater a qualquer hora na nossa casa". Fofo né?
Pra mim tem sido muito triste entrar nos sites de notícias e ver gente de Chicago ou do Maine fazendo piada da situação. Porque né, 6,5 centímetros de neve pra eles é a regra durante muitos meses, mas olhar a situação dos outros calçando seus próprios sapatos não pode...Aqui no Alabama, qualquer tragédia no país ganha oração e pensamentos positivos. Nunca ouvi ninguém fazendo piada da desgraça alheia, muito menos esse tipo de desgraça. E nossa, eu fiquei tão decepcionada com os comentários, quanta gente ignorante da situação. Mas serviu para eu sentir feliz, mesmo que só um pouquinho, mesmo que bem rapidinho, por morar aqui.
Bom, se você ouvir piadas a respeito do acontecido aqui, agora você pode dizer o que realmente aconteceu.
Aparentemente o Alabama (e a Georgia) virou piada nacional devido a nevasca que enfrentamos na última terça. Sim, foram só 6,5 centímetros de neve e se você mora em uma região fria sabe que isso não é nada. Mas essa neve causou muito transtorno e acabou com a vida de 5 pessoas (uma delas era uma criança de 2 anos). E não, isso não é piada!!
Bom, aqui todo mundo fica atento a previsão do tempo e todos esses sinais de gravidade que falei acima, mas nada foi dito. O governador diz que foi erro da equipe da previsão do tempo, que por sua vez diz que avisou ao estado na segunda-feira sobre a tempestade. Se a população soubesse, as aulas teriam sido canceladas e o trabalho também. Nada disso teria acontecido. Em 2010, também nevou bastante aqui, mas todo mundo estava esperando (eles acabaram com o estoque de pão e leite dos mercados), ninguém saiu de casa. Mas esse ano, sem aviso, aconteceu esse horror! Aqui, o estado não tem aqueles caminhões especiais para tirar neve, nem sal, porque né, aqui não neva. Tá, até neva, mas não desse jeito. O condado que moro pediu falência em 2011 e com certeza estocar sal não seria uma prioridade para quem nem consegue pagar as contas.
Então, embaixo desses 6,5cm de neve tinha uma camada de gelo. Fora isso, os carros não são preparados para neve e as pessoas não sabem dirigir em tais condições. As maiores das rodovias ficou fechada com 50 carros batidos em um curto trecho, o que fechava o caminho para os outros motoristas. Muitos motoristas abandonaram os carros no meio da rua, a maioria tentou encostar, mas muita gente não conseguiu tirar o carro do lugar. Virou uma bola de neve com todas as principais rodovias paradas/bloqueadas.
Não, eu não estou defendendo o pessoal daqui, porque né, não é o tipo de coisa que eu faça, mas nesse caso, os Alabamians fizeram o que poderiam e sabem fazer: tentaram voltar para casa e ajudaram (E como ajudaram!) como podiam as pessoas que ficaram presas no meio do caminho. Nesse texto aqui uma pessoa falou que se preparar para neve aqui é igual preparar NY para tornado: não faz sentido! Simples assim. Então, não é que o pessoal do sul é tão redneck que tenha medo de neve, mas simplesmente que do jeito que a coisa aconteceu e sem nenhum auxílio de sal ou dos caminhões fica realmente inviável lidar com o "inesperado" (que não era inesperado já que a previsão do tempo já tinha "cantando essa pedra").
Por outro lado, eu vi muita notícia de gente espalhando o bem no mundo. E como poucas vezes durante 4 ano (possivelmente, a única vez), eu senti orgulho dos Alabamians. De verdade. Uma amiga foi "salva" por uma alma que comprou gasolina, colocou em um recipiente e saiu dirigindo tentando encontrar gente que precisava de gasolina para chegar em casa. Lojas como a Lowe's e a Home depot pegaram areia e seus funcionários saíram as ruas colocando areia nas estradas. A panera estava dando sopa e café. Restaurantes próximos as escolas que estavam abarrotadas de crianças resolveram levar comida. Tudo isso sem cobrar nada. Gente ajudando e dando carona aos que estavam caminhando. Médico (idoso já) andando 6 milhas para operar um paciente que sem a cirurgia tinha 90% de morrer. Teve outra amiga que o carro só fazia rodar na rodovia e um casal de desconhecido a ajudou a encostar o carro e deu carona pra ela. Teve gente pegando o filho dos outras na escola e trazendo para suas casas. Teve gente fazendo café e deixando para as pessoas que estavam caminhando para suas casas beberem e teve gente enfrentando a calçada escorregadia para salvar dois cachorros na casa dos vizinhos, porque a avó (humana) dos cachorros era velhinha, estava desesperada que os cachorros estavam sem comida e sem água, mas estava com muito medo de cair. De pagamento eu recebi uma mordiscada de um dos cachorros, dois abraços apertados da vizinha e a pergunta "você tem comida em casa? Se não tiver, a gente tem bastante, pode bater a qualquer hora na nossa casa". Fofo né?
Pra mim tem sido muito triste entrar nos sites de notícias e ver gente de Chicago ou do Maine fazendo piada da situação. Porque né, 6,5 centímetros de neve pra eles é a regra durante muitos meses, mas olhar a situação dos outros calçando seus próprios sapatos não pode...Aqui no Alabama, qualquer tragédia no país ganha oração e pensamentos positivos. Nunca ouvi ninguém fazendo piada da desgraça alheia, muito menos esse tipo de desgraça. E nossa, eu fiquei tão decepcionada com os comentários, quanta gente ignorante da situação. Mas serviu para eu sentir feliz, mesmo que só um pouquinho, mesmo que bem rapidinho, por morar aqui.
Bom, se você ouvir piadas a respeito do acontecido aqui, agora você pode dizer o que realmente aconteceu.
09/01/2014
A friaca que passou por aqui
Foi
o maior frio que já passei na vida. Andar com Luffy com a (falta de)
temperatura de -19C (e mais ventinho gostoso fazendo a temperatura cair
um pouco mais) não foi fácil. Mas né, pelo menos eu tenho
uma história para contar. Foi a primeira vez que eu vi a temperatura em Fahrenheit chegar a um dígito, com sensação negativa (-6F de muito amor!).
Fiquei me perguntando como que a galera no norte guenta um negócio
desses. Tá doido!! Fiquei feliz por marido ter insistido que
Gainesville seria melhor que Chicago. Porque lá em Chicago, com
transporte público e a possibilidade de ir e vir a pé, eu iria sentir
muito mais esse frio que não é de Deus (mas iria ficar feliz quando
lembrasse de onde eu vim).
Se você não consegue imaginar, conceber um
frio desse, vou tentar explicar. O vento vira uma lixa em contato com
sua pele (por mais que eu use camadas de roupa, sempre sobra uma parte
que não tem como cobrir ou que o casaco não protege), é uma sensação
nada agradável. O sol, que estava lá em cima, era um mero figurante
desimportante, não servia de nada (mas tudo fica melhor com ele). Se nariz fica escorrendo do nada e os olhos ficam ardidos e vermelhos. Tudo
que você pega te dá choque (porque estava bem seco). Pode ser a porta do
carro, seu cachorro, seu marido. Chega um ponto que quando você muda de posição no sofá, toma choque no bumbum!!! Uma maravilha (só que ao
contrário). Pegar uma coberta pesada pode dar choque também, assim como
pegar no computador. Frio+tempo seco não é de Deus! E toda aquela
beleza que você via nos filmes, aqueles casacos lindos, luvas e gorros,
viram um “aaaaahh!!!”, uma dança de tira e põe roupa interminável. Uma dança de protetor labial, hidratante e cortizone eternos.
O maior frio que já peguei na vida não veio acompanhado de neve.
Pela primeira vez nesses anos de Alabama, não vi a neve. Quer dizer,
pra ser justa, umas 7hs da manhã, enquanto tomávamos café, caiu uns
floquinhos sem vergonha de neve (mas que já foram o suficiente para eu
ficar feliz, admito), não durou 5 minutos e acabou. Kuén! Mas se
tratando de Alabama foi bom, porque se nevasse mesmo, tudo iria parar.
Assim, teve previsão de neve e por isso, na segunda e terça as
escolas e universidades só começaram às 10h. Eu não sei se é uma
medida provisória, mas eu sei que aqui a possibilidade de neve é algo
assustador, na minha teoria é quase fim do mundo mesmo. E para
comprovar que a minha teoria é verdadeira, deixo vocês com a foto do
corredor de pão do Walmart no domingo (peguei essa foto no google imagem, mas estava assim mesmo. Ah, essa imagem é da previsão de neve de 2011...eles não aprendem mesmo). A galera fica alucinada e compra todos os pães e
sei lá mais o quê para estocar em casa. Ahahahahahaha. O pessoal aqui é muito doido. Mas o bom é que sábado vai fazer 20C de calor. Daria
para usar as Havainas, mas vai chover. O que nao eh algo triste já que
significa que ficarei pelo menos 1 diazinho sem tomar choque :).
![]() |
| "Si nóis tem pão, nóis tá salvo" |
Em tempo: em gainesville fez -4C, o que é bastante frio também!
Conversa de casal:
Ela: que frio!!! Será que demora pra fazer calor outra vez?
Ele: nada! Quarta já vai fazer calor, aqui olha, 7C.
***
Ela sai de casa toda cheia de roupa (estava -9C) e quando sai do trabalho, coloca as camadas e vai buscar ele. Ela sente calor no caminho até o carro, quando entra no carro e liga o aquecedor, começa suar. Pega ele e comenta "nossa, esquentou bastante, tou suando aqui", ele "é, tá bem quente mesmo". Estava 5C...
***
Não, essas conversas não tiveram nada de sarcasmo, a gente mudou o parâmetro de temperatura mesmo. Espero que mudar isso seja rápido porque estaremos na Flórida em menos de 6 meses (desculpa, mas vou fazer a contagem regressiva aqui sempre, tou aguardando ansiosamente por esse dia!)
30/12/2013
A visao deles e os meus comentarios
Vi esse post aqui e fiquei com tanta vontade de comentar. Um americano que morou no Brasil criou uma lista dos motivos pelos quais ele odiou morar no Brasil. A lista é ainda maior se você entrar no site americano, abaixo eu cortei os comentários de forma que só a parte principal fica aqui para o post não ficar tão gigantesco. Se quiser ler os detalhes, vai lá no post (o link está acima). Meus comentários estão em vermelho e o que eu achei mais interessante é que muita das coisas que ele critica do Brasil, eu vivencio aqui nos EUA. Além disso, pra mim a pior coisa do Brasil é a violência (e todo medo que passamos por conta desse fato) e isso ele não citou
1. Os brasileiros não têm consideração com as pessoas fora do seu círculo de amizades e muitas vezes são simplesmente rudes. Tudo bem que normalmente americano não é rude, eles são super amigáveis, mas sinceramente eles não consideram ninguém fora do seu círculo. Moro há quase 4 anos aqui e não temos nenhum amigo americano. Nenhum!Por exemplo, um vizinho que toca música alta, mesmo se você vá pedir-lhe educadamente para abaixar o volume. Isso é verdade, nos EUA eles se preocupam muito com o espaço alheio, no Brasil não.
2. Os brasileiros são agressivos e oportunistas, e, geralmente, à custa de outras pessoas. O melhor exemplo é o transporte público. Se eles vêem uma maneira de passar por você e furar a fila, eles o farão, mesmo que isso signifique quase matá-lo, e mesmo se eles não estiverem com pressa. Infelizmente na nossa cultura, tirar vantagem é algo positivo. No entanto, nas cidades grandes americanas, eu vejo um trânsito violento também.
3. Os brasileiros não têm respeito por seu ambiente. Eles despejam grandes cargas de lixo em qualquer lugar e em todos os lugares, e o lixo é inacreditável. No Brasil, principalmente nos bairros mais pobres, a questão do lixo é terrível. Mas aqui não tem muita coleta seletiva. Eu e marido separamos as coisas e vamos entregar em postos específicos, então muita gente não separa o lixo (dá trabalho!). Lembro que uma colega alemã, em uma aula qualquer estava contando horrorizada a questão do lixo aqui e disse algumas vezes que aqui o sentido de reciclar e coleta seletiva é horrível.
4. Brasileiros toleram uma quantidade incrível de corrupção nos negócios e governo.
5. As mulheres brasileiras são excessivamente obcecadas com seus corpos e são muito críticas (e competitivas com) as outras. Ahahahaha, é parar rir? Tá, tudo bem que aqui o pessoal sai de pijama, mas a cara está toda pintada e os cabelos impecáveis. A diferença em relação a competição é que a educação americana não permite você falar o que pensa, então a competição é velada no sentido de beleza. Em todos os outros sentidos como notas, melhor isso, melhor aquilo, a competição é vivida intensamente. Eu vejo as colegas do meu marido, magras, super magras, fazendo dietas mirabolantes e postando fotos, digamos, sensuais no FB. Igual eu vejo no Brasil (isso também inclui uma bolsa "de marca", um lugar V.I.P., preço de alguma coisa etc).
6. Os brasileiros, principalmente os homens, são altamente propensos a casos extraconjugais.
7. Os brasileiros são muito expressivos de suas opiniões negativas a respeito de outras pessoas. Nossa, depois que mudei para os EUA, percebi como isso é verdade. No Brasil as pessoas se acham no direito de falar o que pensam e isso não é muito legal. Fico imaginando o susto e o desconforto que deve ser para um americano ter de lidar com isso.
8. Brasileiros, especialmente as pessoas que realizam serviços, são geralmente malandras, preguiçosas e quase sempre atrasadas. Quase sempre? Não concordo. Acho que a questão do atraso é correto. No Brasil atraso é muito tolerado, mas dizer que são malandros e preguiçosos, acho difícil. Minha experiência aqui, em relação a atraso também não é das melhores, embora não seja igual ao Brasil, é bem ruim também.
9. Os brasileiros têm um sistema de classes muito proeminente. Os ricos têm um senso de direito que está além do imaginável.
10. Brasileiros constantemente interrompem o outro para poder falar. Tentar ter uma conversa é como uma competição para ser ouvido, uma competição de gritos.A gente de fato fala mais alto que os americanos, mas não acho que falamos ao mesmo tempo não. Talvez esse americano não seja fluente em português e por isso tenha se incomodado com a rapidez das conversas. Eu vejo isso aqui. Numa conversa "normal", as vezes um interrompe o outro para falar algo, mas se for uma conversa entre amigos e nossa, se estiver rolando álcool, é igual ao que vemos no Brasil.
11. A polícia brasileira é essencialmente inexistente quando se trata de fazer cumprir as leis para proteger a população.
12. Os brasileiros fazem tudo inconveniente e difícil. Nada é simplificado ou concebido com a conveniência do cliente em mente, e os brasileiros têm uma alta tolerância para níveis surpreendentes de burocracia desnecessária e redundante. Com certeza absoluta esse americano não é do Alabama. Eu conheci o real conceito de burocracia aqui nos EUA. Naquele nível de fazerem tudo errado, ferrarem com a sua vida e virarem para você com a maior cara de c% do mundo, com a frase "I'm sorry", como se essa frase fosse resolver alguma coisa! E isso é outra coisa aqui, eles acham que falar "I'm sorry" é solução para tudo. Tem horas que dá vontade de matar!!!!
14. Está quente como o inferno durante nove meses do ano, e ar condicionado nas casas não existe aqui, porque as casas não são construídas para ser herméticamente isoladas ou incluir dutos de ar. Fora que a energia elétrica é absurdamente cara.
15. A comida pode ser mais fresca, menos processada e, geralmente, mais saudável do que o alimento americano ou europeu, mas é sem graça, repetitivo e muito inconveniente. Alimentos processados, congelados ou prontos no supermercado são poucos, caros e geralmente terríveis. Para mim esse foi o pior ponto que ele escreveu. Comparando a comida brasileira com a americana...não tem comparação. A comida aqui quase não leva tempero. Comida caseira para eles pode significar abrir 4 latas, colocar em uma panela e pronto. A comida congelada é horrível. Eu já testei e sempre passei mal. Dizer que é repetitivo é estranho. Normalmente os europeus que conheci falam o contrário, que no Brasil se faz comida demais por refeição. Comparando com refeições americanas, eu acho a comida no Brasil muito mais saborosa, mais cheia de possibilidades, as carnes são mil vezes melhores e a variação de pratos enorme. Talvez esse americano esteja falando de comidas em restaurantes. Aí eu concordo, com algumas poucas exceções de cidades, é difícil encontrar restaurante que sirvam comidas não-brasileiras (comparando com os EUA).
16. Os brasileiros são super sociais e raramente passam algum tempo sozinho, especialmente nas refeições e fins de semana. Eu sofro o contrário aqui e isso é só uma diferença de cultura. No meu trabalho tem uma copa com mesa e cadeiras. Minhas colegas esquentam a comida e cada uma volta para a sua sala para comerem sozinhas. Isso não aconteceria nunca no Brasil. A minha dificuldade aqui é que estou sempre sozinha.
17. Brasileiros ficam muito perto, emocionalmente e geograficamente, de suas famílias de origem durante toda a vida. Isso deve ser difícil para alguém que vem de uma cultura onde aos 18 anos você sai de casa e toma suas decisões sozinho. Eu gosto do jeito do Brasil. Gosto de ter minha mãe lá pra mim a qualquer hora. Acho tão estranho e até obsessivo a busca constante de privacidade dos americanos. Mas isso é questão de cultura mesmo, não há o que fazer.
18. Eletricidade e serviços de internet são absurdamente caros e ruins.
19. A qualidade da água é questionável.
20. E, finalmente, os brasileiros só tem um tipo de cerveja (aguada) e realmente é uma porcaria, e claro, cervejas importadas são extremamente caras.
21. A maioria dos motoristas de ônibus dirigem como se eles estivessem tentando quebrar o ônibus e todos dentro dele. Medo!!! Se isso assusta até brasileiro, imagina quem vem de fora. Esses dias minha irmã e minha mãe estavam turistando no Rio e mandaram uma mensagem para mim dizendo que o motorista do ônibus estava alucinado e os passageiros ficavam gritando e reclamando.
22. Calçadas no meu bairro são cobertos com mijo e coco de cães que latem dia e noite. Pô, não tem como controlar latido de cachorro. E olha, eu tenho certeza que aqui só não tem esse problema de cocô na calçada porque praticamente não tem calçada. Mas aqui no meu condomínio, tem muito cocô de cachorro. Muito mesmo! E não é nada raro a gente sair de casa e encontrar essa "jóia" literalmente na porta de casa.
23. Engarrafamentos de Três horas e meia toda vez que chove. Verdade, mas aqui é a mesma coisa. Quando neva ou quando chove a cidade pára. Claro que quando a chuva dá uma trégua, a coisa flui rápido. Diferente de Salvador.
24. Raramente as coisas são feitas corretamente da primeira vez. Você tem que voltar para o banco, consulado, escritório, mandar e-mail ou telefonar 2-10 vezes para as pessoas a fazerem o seu trabalho. Gente, meu marido foi tirar a permissão médica dele esses dias e contamos 14 ligações!!! Para eu tirar meu social, precisei ir lá mais de 15 vezes (literalmente). Nunca consegui renovar minha carteira de motorista na primeira tentativa. Meu marido foi fazer o fingerprint obrigatório para o conselho de medicina na policia de Bham e o policial fez errado. Juro! O trabalho é pintar os dedos e passar no formulário e o homem errou os dedos! Pior, ele conseguiu deixar ilegível o do amigo do meu marido e o órgão responsável não aceitou. Aqui eu nunca tirei um documento de primeira, nossos nomes são um problema porque eles não entendem que temos 2 sobrenomes e nenhum nome do meio. A gente comprou um carro e depois de uma semana de uso eles ligaram dizendo que o banco não havia aceitado o acordo e que teríamos que devolver o carro. E isso não representa nem 50% das coisas...então, como eu disse lá em cima, eu conheci o real conceito de burocracia aqui nessa birosca.
25. Qualidade do ar muito ruim. O ar muitas vezes cheira a plástico queimado. Isso é bem relativo a cidade que ele está. Se fosse em Salvador e falasse em cheiro de maresia ou sargaço, eu assinava embaixo.
26. Ir a Shoppings e restaurantes são as principais atividades. Não há nada pra fazer se você não gastar. Há um parque principal e está horrivelmente lotado. Em Salvador tem praia, em são Paulo tem muitas atividades gratuitas, no Rio também. Isso tem a ver com a cultura do grupo que ele se relacionou. No entanto, shopping é algo que brasileiro adora mesmo. Aqui em Bham, especialmente no inverno que não tem nada para fazer, é uma das poucas possibilidades. No verão tem muitos parques e tal, mas a maioria das atividades é focada para crianças ou esporte, ou seja, eu não aproveito muito.
27. O acabamento das casas é péssimo. Janelas, portas , dobradiças , tubos, energia elétrica, calçadas, são todos construídos com o menor esforço possível. Nossa, eu tenho a mesma crítica das casas daqui. Os americanos que adoram privacidade, por conta do sistema de aquecimento/refrigeração a casa perde completamente o isolamento acústico. Você ouve o que é falado no quarto do andar de baixo. é bizarro! As casas sã feitas de madeira, o que ajuda na falta de isolamento acústico. Acho as coisas bem mal feitas também. Claro que se você paga caro, em qualquer lugar do mundo, as coisas ficam bonitas.
28. Árvores, postes, telefones, plantas e caixas de lixo são colocados no centro das calçadas, tornando-as intransitáveis. Isso é péssimo! Mas pior mesmo é nem ter calçada e obrigar os moradores da cidade a ter carro e a usá-los mesmo quando têm de atravessar a rua.
29. Você paga o triplo para os produtos que vão quebrar dentro de 1-2 anos, talvez ais.
30. Os brasileiros amam estar bem no seu caminho. Eles não dão espaço para você passar.
31. A melhor maneira de inspirar ódio no Brasil? Educadamente recusar-se a comer alimentos oferecidos a você. Nossa, eu ri muito com esse. Especialmente com pessoas do interior, recusar comida é de fato uma ofensa. Mas é compreensível porque a pessoa pensou em você, passou um tempo na cozinha, fez comida (não só juntou 4 latas e pronto) e você não quer prestigiar?! É chato mesmo.
32. As pessoas vão apertar e empurrar você sem pedir desculpas. No Brasil não tem a bolha que tem aqui nos EUA. As pessoas se encostam, se tocam mesmo e para elas isso não é nada demais. Eu prefiro o modelo americano, acho que me adaptei ao estilo e gostei. Nunca gostei de tanta gente me tocando.
33 . O Brasil é um país de 3° mundo com preços ridiculamente inflacionados para itens de qualidade.
34. A infidelidade galopante.
35. Zero respeito aos pedestres. Esses dias a gente estava conversando com um casal de português e o marido queria mudar para o Brasil. Na primeira visita, na primeira vez que ele foi atravessar a rua, ele desistiu da mudança. Europeu está acostumado aos carros pararem na faixa, do jeito que deveria ser.
36. Quando calçadas estão em construção espera-se que você ande na rua.
37. Nem pense em dizer a alguém quando você estiver viajando para o EUA.
38. A menos que você goste muito de futebol ou reality shows (ou seja, do Big Brother), não há nada muito o que conversar com os brasileiros em geral. Nossa, o círculo social dessa pessoa era muito ruim mesmo. Eu detesto futebol e BBB e conheço muita gente igual. No entanto, aqui em Bham, se não for religião, caça ou futebol americano...sobra quase nada para conversar. (pergunta do marido: só sobra o quê?)
39. Tudo é construído para carros e motoristas, mesmo os carros sendo 3x o preço de qualquer outro país.
40. Todas as cidades brasileiras são feias, cheias de concreto, hiper-modernas e desprovidas de arquitetura, árvores ou charme. A maioria é monótona e completamente idênticas na aparência. Qualquer história colonial ou bela mansão antiga é rapidamente demolida para dar lugar a um estacionamento ou um shopping center. Nossa, achei isso uma mentira. Com exceções como a Califórnia e a Flórida, os estados são iguais. As ruas são iguais, as casas são iguais. É tudo muito igual! Um dia eu havia falado isso com a Carol, em uma foto que ela postou. Eu acho as coisas aqui sem cor nenhuma, tudo muito padronizado. Eu sei que infelizmente no Brasil a gente não cuida muito do nosso patrimônio cultural, mas acho que esse americano deveria visitar os interiores, tem muita coisa colonial...tem até castelo na Bahia
1. Os brasileiros não têm consideração com as pessoas fora do seu círculo de amizades e muitas vezes são simplesmente rudes. Tudo bem que normalmente americano não é rude, eles são super amigáveis, mas sinceramente eles não consideram ninguém fora do seu círculo. Moro há quase 4 anos aqui e não temos nenhum amigo americano. Nenhum!Por exemplo, um vizinho que toca música alta, mesmo se você vá pedir-lhe educadamente para abaixar o volume. Isso é verdade, nos EUA eles se preocupam muito com o espaço alheio, no Brasil não.
2. Os brasileiros são agressivos e oportunistas, e, geralmente, à custa de outras pessoas. O melhor exemplo é o transporte público. Se eles vêem uma maneira de passar por você e furar a fila, eles o farão, mesmo que isso signifique quase matá-lo, e mesmo se eles não estiverem com pressa. Infelizmente na nossa cultura, tirar vantagem é algo positivo. No entanto, nas cidades grandes americanas, eu vejo um trânsito violento também.
3. Os brasileiros não têm respeito por seu ambiente. Eles despejam grandes cargas de lixo em qualquer lugar e em todos os lugares, e o lixo é inacreditável. No Brasil, principalmente nos bairros mais pobres, a questão do lixo é terrível. Mas aqui não tem muita coleta seletiva. Eu e marido separamos as coisas e vamos entregar em postos específicos, então muita gente não separa o lixo (dá trabalho!). Lembro que uma colega alemã, em uma aula qualquer estava contando horrorizada a questão do lixo aqui e disse algumas vezes que aqui o sentido de reciclar e coleta seletiva é horrível.
4. Brasileiros toleram uma quantidade incrível de corrupção nos negócios e governo.
5. As mulheres brasileiras são excessivamente obcecadas com seus corpos e são muito críticas (e competitivas com) as outras. Ahahahaha, é parar rir? Tá, tudo bem que aqui o pessoal sai de pijama, mas a cara está toda pintada e os cabelos impecáveis. A diferença em relação a competição é que a educação americana não permite você falar o que pensa, então a competição é velada no sentido de beleza. Em todos os outros sentidos como notas, melhor isso, melhor aquilo, a competição é vivida intensamente. Eu vejo as colegas do meu marido, magras, super magras, fazendo dietas mirabolantes e postando fotos, digamos, sensuais no FB. Igual eu vejo no Brasil (isso também inclui uma bolsa "de marca", um lugar V.I.P., preço de alguma coisa etc).
6. Os brasileiros, principalmente os homens, são altamente propensos a casos extraconjugais.
7. Os brasileiros são muito expressivos de suas opiniões negativas a respeito de outras pessoas. Nossa, depois que mudei para os EUA, percebi como isso é verdade. No Brasil as pessoas se acham no direito de falar o que pensam e isso não é muito legal. Fico imaginando o susto e o desconforto que deve ser para um americano ter de lidar com isso.
8. Brasileiros, especialmente as pessoas que realizam serviços, são geralmente malandras, preguiçosas e quase sempre atrasadas. Quase sempre? Não concordo. Acho que a questão do atraso é correto. No Brasil atraso é muito tolerado, mas dizer que são malandros e preguiçosos, acho difícil. Minha experiência aqui, em relação a atraso também não é das melhores, embora não seja igual ao Brasil, é bem ruim também.
9. Os brasileiros têm um sistema de classes muito proeminente. Os ricos têm um senso de direito que está além do imaginável.
10. Brasileiros constantemente interrompem o outro para poder falar. Tentar ter uma conversa é como uma competição para ser ouvido, uma competição de gritos.A gente de fato fala mais alto que os americanos, mas não acho que falamos ao mesmo tempo não. Talvez esse americano não seja fluente em português e por isso tenha se incomodado com a rapidez das conversas. Eu vejo isso aqui. Numa conversa "normal", as vezes um interrompe o outro para falar algo, mas se for uma conversa entre amigos e nossa, se estiver rolando álcool, é igual ao que vemos no Brasil.
11. A polícia brasileira é essencialmente inexistente quando se trata de fazer cumprir as leis para proteger a população.
12. Os brasileiros fazem tudo inconveniente e difícil. Nada é simplificado ou concebido com a conveniência do cliente em mente, e os brasileiros têm uma alta tolerância para níveis surpreendentes de burocracia desnecessária e redundante. Com certeza absoluta esse americano não é do Alabama. Eu conheci o real conceito de burocracia aqui nos EUA. Naquele nível de fazerem tudo errado, ferrarem com a sua vida e virarem para você com a maior cara de c% do mundo, com a frase "I'm sorry", como se essa frase fosse resolver alguma coisa! E isso é outra coisa aqui, eles acham que falar "I'm sorry" é solução para tudo. Tem horas que dá vontade de matar!!!!
14. Está quente como o inferno durante nove meses do ano, e ar condicionado nas casas não existe aqui, porque as casas não são construídas para ser herméticamente isoladas ou incluir dutos de ar. Fora que a energia elétrica é absurdamente cara.
15. A comida pode ser mais fresca, menos processada e, geralmente, mais saudável do que o alimento americano ou europeu, mas é sem graça, repetitivo e muito inconveniente. Alimentos processados, congelados ou prontos no supermercado são poucos, caros e geralmente terríveis. Para mim esse foi o pior ponto que ele escreveu. Comparando a comida brasileira com a americana...não tem comparação. A comida aqui quase não leva tempero. Comida caseira para eles pode significar abrir 4 latas, colocar em uma panela e pronto. A comida congelada é horrível. Eu já testei e sempre passei mal. Dizer que é repetitivo é estranho. Normalmente os europeus que conheci falam o contrário, que no Brasil se faz comida demais por refeição. Comparando com refeições americanas, eu acho a comida no Brasil muito mais saborosa, mais cheia de possibilidades, as carnes são mil vezes melhores e a variação de pratos enorme. Talvez esse americano esteja falando de comidas em restaurantes. Aí eu concordo, com algumas poucas exceções de cidades, é difícil encontrar restaurante que sirvam comidas não-brasileiras (comparando com os EUA).
16. Os brasileiros são super sociais e raramente passam algum tempo sozinho, especialmente nas refeições e fins de semana. Eu sofro o contrário aqui e isso é só uma diferença de cultura. No meu trabalho tem uma copa com mesa e cadeiras. Minhas colegas esquentam a comida e cada uma volta para a sua sala para comerem sozinhas. Isso não aconteceria nunca no Brasil. A minha dificuldade aqui é que estou sempre sozinha.
17. Brasileiros ficam muito perto, emocionalmente e geograficamente, de suas famílias de origem durante toda a vida. Isso deve ser difícil para alguém que vem de uma cultura onde aos 18 anos você sai de casa e toma suas decisões sozinho. Eu gosto do jeito do Brasil. Gosto de ter minha mãe lá pra mim a qualquer hora. Acho tão estranho e até obsessivo a busca constante de privacidade dos americanos. Mas isso é questão de cultura mesmo, não há o que fazer.
18. Eletricidade e serviços de internet são absurdamente caros e ruins.
19. A qualidade da água é questionável.
20. E, finalmente, os brasileiros só tem um tipo de cerveja (aguada) e realmente é uma porcaria, e claro, cervejas importadas são extremamente caras.
21. A maioria dos motoristas de ônibus dirigem como se eles estivessem tentando quebrar o ônibus e todos dentro dele. Medo!!! Se isso assusta até brasileiro, imagina quem vem de fora. Esses dias minha irmã e minha mãe estavam turistando no Rio e mandaram uma mensagem para mim dizendo que o motorista do ônibus estava alucinado e os passageiros ficavam gritando e reclamando.
22. Calçadas no meu bairro são cobertos com mijo e coco de cães que latem dia e noite. Pô, não tem como controlar latido de cachorro. E olha, eu tenho certeza que aqui só não tem esse problema de cocô na calçada porque praticamente não tem calçada. Mas aqui no meu condomínio, tem muito cocô de cachorro. Muito mesmo! E não é nada raro a gente sair de casa e encontrar essa "jóia" literalmente na porta de casa.
23. Engarrafamentos de Três horas e meia toda vez que chove. Verdade, mas aqui é a mesma coisa. Quando neva ou quando chove a cidade pára. Claro que quando a chuva dá uma trégua, a coisa flui rápido. Diferente de Salvador.
24. Raramente as coisas são feitas corretamente da primeira vez. Você tem que voltar para o banco, consulado, escritório, mandar e-mail ou telefonar 2-10 vezes para as pessoas a fazerem o seu trabalho. Gente, meu marido foi tirar a permissão médica dele esses dias e contamos 14 ligações!!! Para eu tirar meu social, precisei ir lá mais de 15 vezes (literalmente). Nunca consegui renovar minha carteira de motorista na primeira tentativa. Meu marido foi fazer o fingerprint obrigatório para o conselho de medicina na policia de Bham e o policial fez errado. Juro! O trabalho é pintar os dedos e passar no formulário e o homem errou os dedos! Pior, ele conseguiu deixar ilegível o do amigo do meu marido e o órgão responsável não aceitou. Aqui eu nunca tirei um documento de primeira, nossos nomes são um problema porque eles não entendem que temos 2 sobrenomes e nenhum nome do meio. A gente comprou um carro e depois de uma semana de uso eles ligaram dizendo que o banco não havia aceitado o acordo e que teríamos que devolver o carro. E isso não representa nem 50% das coisas...então, como eu disse lá em cima, eu conheci o real conceito de burocracia aqui nessa birosca.
25. Qualidade do ar muito ruim. O ar muitas vezes cheira a plástico queimado. Isso é bem relativo a cidade que ele está. Se fosse em Salvador e falasse em cheiro de maresia ou sargaço, eu assinava embaixo.
26. Ir a Shoppings e restaurantes são as principais atividades. Não há nada pra fazer se você não gastar. Há um parque principal e está horrivelmente lotado. Em Salvador tem praia, em são Paulo tem muitas atividades gratuitas, no Rio também. Isso tem a ver com a cultura do grupo que ele se relacionou. No entanto, shopping é algo que brasileiro adora mesmo. Aqui em Bham, especialmente no inverno que não tem nada para fazer, é uma das poucas possibilidades. No verão tem muitos parques e tal, mas a maioria das atividades é focada para crianças ou esporte, ou seja, eu não aproveito muito.
27. O acabamento das casas é péssimo. Janelas, portas , dobradiças , tubos, energia elétrica, calçadas, são todos construídos com o menor esforço possível. Nossa, eu tenho a mesma crítica das casas daqui. Os americanos que adoram privacidade, por conta do sistema de aquecimento/refrigeração a casa perde completamente o isolamento acústico. Você ouve o que é falado no quarto do andar de baixo. é bizarro! As casas sã feitas de madeira, o que ajuda na falta de isolamento acústico. Acho as coisas bem mal feitas também. Claro que se você paga caro, em qualquer lugar do mundo, as coisas ficam bonitas.
28. Árvores, postes, telefones, plantas e caixas de lixo são colocados no centro das calçadas, tornando-as intransitáveis. Isso é péssimo! Mas pior mesmo é nem ter calçada e obrigar os moradores da cidade a ter carro e a usá-los mesmo quando têm de atravessar a rua.
29. Você paga o triplo para os produtos que vão quebrar dentro de 1-2 anos, talvez ais.
30. Os brasileiros amam estar bem no seu caminho. Eles não dão espaço para você passar.
31. A melhor maneira de inspirar ódio no Brasil? Educadamente recusar-se a comer alimentos oferecidos a você. Nossa, eu ri muito com esse. Especialmente com pessoas do interior, recusar comida é de fato uma ofensa. Mas é compreensível porque a pessoa pensou em você, passou um tempo na cozinha, fez comida (não só juntou 4 latas e pronto) e você não quer prestigiar?! É chato mesmo.
32. As pessoas vão apertar e empurrar você sem pedir desculpas. No Brasil não tem a bolha que tem aqui nos EUA. As pessoas se encostam, se tocam mesmo e para elas isso não é nada demais. Eu prefiro o modelo americano, acho que me adaptei ao estilo e gostei. Nunca gostei de tanta gente me tocando.
33 . O Brasil é um país de 3° mundo com preços ridiculamente inflacionados para itens de qualidade.
34. A infidelidade galopante.
35. Zero respeito aos pedestres. Esses dias a gente estava conversando com um casal de português e o marido queria mudar para o Brasil. Na primeira visita, na primeira vez que ele foi atravessar a rua, ele desistiu da mudança. Europeu está acostumado aos carros pararem na faixa, do jeito que deveria ser.
36. Quando calçadas estão em construção espera-se que você ande na rua.
37. Nem pense em dizer a alguém quando você estiver viajando para o EUA.
38. A menos que você goste muito de futebol ou reality shows (ou seja, do Big Brother), não há nada muito o que conversar com os brasileiros em geral. Nossa, o círculo social dessa pessoa era muito ruim mesmo. Eu detesto futebol e BBB e conheço muita gente igual. No entanto, aqui em Bham, se não for religião, caça ou futebol americano...sobra quase nada para conversar. (pergunta do marido: só sobra o quê?)
39. Tudo é construído para carros e motoristas, mesmo os carros sendo 3x o preço de qualquer outro país.
40. Todas as cidades brasileiras são feias, cheias de concreto, hiper-modernas e desprovidas de arquitetura, árvores ou charme. A maioria é monótona e completamente idênticas na aparência. Qualquer história colonial ou bela mansão antiga é rapidamente demolida para dar lugar a um estacionamento ou um shopping center. Nossa, achei isso uma mentira. Com exceções como a Califórnia e a Flórida, os estados são iguais. As ruas são iguais, as casas são iguais. É tudo muito igual! Um dia eu havia falado isso com a Carol, em uma foto que ela postou. Eu acho as coisas aqui sem cor nenhuma, tudo muito padronizado. Eu sei que infelizmente no Brasil a gente não cuida muito do nosso patrimônio cultural, mas acho que esse americano deveria visitar os interiores, tem muita coisa colonial...tem até castelo na Bahia
22/12/2013
No táxi alabamense
Aí que depois de horas de voo, duas escalas, uma mala perdida, conseguimos sair do aeroporto de Bham. Chegamos na fila do táxi e simplesmente o taxista não se mexia. A gente não sabia se poderia entrar no carro, ficou aquela coisa. O taxista, que no caso era uma mulher, estava tão ligada no celular que esqueceu dos passageiros. Tá, ela abre o porta-malas, marido coloca as coisas dentro, dá o endereço e a senhora simplesmente não sabe como chegar no hotel. Um dos poucos hotéis grandes da região. Ela não tem GPS, mas marido vai dizendo todos os detalhes. Claro que ela tinha um casaco de pele gigante pendurado no banco e meu pé enroscou nos bolsos, de tal forma, que eu fiquei presa. Daí, entramos e a moça estava escutando música gospel. Ela aumenta a música de tal forma que eu não consigo escutar meu próprio pensamento. Eventualmente, ela abaixa e faz um comentário (infelizmente eu não entendo quase nada que ela fala). Aí, ela aumenta a música e começa a cantar junto, as mãos saem do volante e "ajudam" na cantoria. Meu medo é saber se ela está com os olhos abertos, porque é assim que a gente vê as cantoras fazendo né. Ah, eu falei que ela estava com o pirulito na boca e fica estalando, tipo tchan, tchan, chupando a porcaria do pirulito? Coisa que me da raiva. Sim, ela tinha literalmente uma bacia de doces (juro que não estou exagerando). A situação era tão esquisita, mas engraçada ao mesmo tempo que meu marido ficava me cutucando e eu tinha que ficar olhando para a rua para não ter um ataque de riso, daqueles que não para nunca. Para completar, na hora de pagar a corrida, a taxista tinha unhas tão gigantescas que levou horas para ela conseguir digitar o valor no celular. O que eu poderia falar, welcome to Bham (3 and a half years down and only six months to go!!!).
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| Como ela estava se sentindo.... |
09/12/2013
Do meu coração que resolveu acompanhar o ritmo do Alabama e sobre o sistema de saúde americano para casos "graves"
(Ps: esse post contem palavrão)
Eu já falei que não gosto do sistema de saúde americano. E se você procurar nos blogs dos expatriados, acho que a maioria é categórica em dizer que o negócio é ruim. Porém, nunca tinha visto relato de alguém que tinha um problema de saúde grave, daqueles com risco de morte mesmo. Bom, no ano passado, meu marido foi ao médico com uma queixa e lá foi diagnosticado com outra coisa. Coisa séria mesmo. O quadro dele estava tão grave que por pouco ele não tinha entrado em coma. Bom, ele foi para consulta e saiu com a medicação em mãos, com aulas marcadas para aprender a administrar a doença, com médico marcado etc. Nossa, foi excelente! E no meu caso foi parecido. Eu acho que para coisas mais graves, o sistema é bom.
Eu tinha dito que estava com um probleminha no coração, mas o cardiologista não conseguiu achar nada e me mandou para outro especialista. Fui para o Brasil e deixei para resolver essa questão na volta. A consulta foi no dia 12 de junho e só pra variar, eu estava sozinha. Fui atendida pela enfermeira, um amor de pessoa. Daí ela disse a palavra "cirurgia" e eu pensei "não vou me preocupar porque ela não é médica". A verdade é que eu estava tensa, mas esperançosa e sei que as enfermeiras sabem do que falam. O médico entra, senta virado pra mim e eu já pensei "fudeu! Se os médicos mau olham pra gente, ele sentando assim perto, olhando no meu olho...a coisa é séria!". Não era assim sério que eu iria morrer naquele momento. Aparentemente, meu coração estava batendo devagar, uma arritmia qualquer e eu precisava de um procedimento (agora é fácil diminuir a gravidade). Ele repetiu mil vezes que não era cirurgia, que era algo simples, que medicação não funciona bem etc. Eu parei de prestar atenção e quase chorei, mas pedi para ligar para meu marido.
Mandei uma mensagem para o pager do marido com algo do tipo "terei que fazer cirurgia, liga agora", pra ele não ter dúvida de que a coisa estava tensa. Marido estava finalizando um evento em outro departamento, mas conseguiu me ligar. Ele atravessou o hospital ao meu encontro e esperamos o médico voltar para explicar tudo para meu marido. Mas pra mim essa foi a pior parte, porque né, meu marido começou a perguntar das chances de eu ter um derrame (e eu pensei, nossa, nem sabia que poderia acontecer isso), um monte de estatística e dúvidas médicas. Aí sim eu fiquei nervosa. Na minha cabeça só vinha "puta que pariu! E se eu morrer sem conhecer Paris?". Assim, eu não gosto de saber os riscos, se tenho que fazer mesmo, só quero saber o que eu preciso fazer para que obtenha os melhores resultados. Ficar entrando nos detalhes negativos aumenta muito minha ansiedade. Marido iria para Austrália em 2 dias e resolveu cancelar a viagem. Eu disse que não, que estava bem. Mas aí, quando ele me deixou no carro, eu chorei, chorei...aqueles 10 minutos de desespero que são necessários para eu me reestruturar.
Sorte minha que Luffy tinha chegado na noite anterior, pois ficamos os dois aqui enquanto marido estava na Austrália. Depois do susto, passei uns dias até decidir mesmo se faria o tal procedimento (ablação) e resolvi colocar no youtube para ouvir a experiência de outras pessoas. Ô arrependimento!
O médico não queria fazer logo, mas marido queria que eu fizesse em junho porque o fellow estaria se formando, se eu fosse fazer em julho, iria pegar alguém sem experiência. Resultado, marido marcou a data e quem fez foi o próprio médico, já que era a última semana de aula e os fellows estavam de mudança e não mais no hospital. Eu claro, nem tinha pensado nisso. Como era São João, meus pais estavam viajando e eu resolvi não falar nada pra não estragar os festejos. Falei com algumas amigas e só. Não gosto de ficar pensando muito nessas coisas. Deixo a ansiedade para a hora mesmo.
A grosso modo, meu coração estava batendo devagar e com um batimento extra. Se o normal é TUM-TUM o meu estava tum-tum-TUM. Os exames mostraram que fora isso, meu coração estava bem saudável, só havia um batimento extra e era do lado direito, portanto o médico iria usar a veia para o procedimento e não a artéria. O que diminui as chances de coisas ruins. Esse procedimento consta em colocar uns fios pelo vaso da virilha, chegar até o coração e queimar as células doidas que estavam fazendo meu coração bater errado e devagar (tipo uma cauterização). A UAB mandou todo material explicando o procedimento, bem como a medicação que precisaria tomar antes (pense numa coisa amarguenta e ruim), pelo correio. Eu poderia ligar ou mandar email para o médico se quisesse tirar alguma dúvida. Chegamos no hospital com minha sacolinha pronta para passar a noite lá, caso fosse necessário.
Me senti uma estrela porque nunca antes nessa minha vida tinha visto tanta gente tomando conta de mim. O anestesista veio trocar uma palavra, depois veio uma enfermeira, depois um enfermeiro veio colocar um acesso, mas chegou um professor com uma aluna de enfermagem de último ano e duas do começo do curso. Daí eles pediram a minha autorização para que a estudante tirasse meu sangue. A UAB é um hospital universitário e esse é o único jeito de se aprender. Eu concordei, mas disse que ela teria uma única chance. Ela conseguiu. Nesse tempo, chegou a enfermeira do médico que fez o procedimento junto com ele. Eram 9 pessoas no quarto! Saiu todo mundo, meu marido entrou e logo em seguida fui para a sala do procedimento com outros 2 enfermeiros. Eu gostei de todo mundo. A equipe era bem brincalhona e engraçada. Cheguei na sala do procedimento. Tinham 5 pessoas lá e o médico ainda iria chegar. Pedi uma coberta, eles colocaram uma aquecida. Aí me ligaram a trezentos fios e começaram a anestesia. Nossa, uma sensação deliciosa! Apaguei. No final, lembro de ter chorado e alguém me perguntar o motivo de estar chorando e eu pensando "nossa! Eu estou chorando porquê?" (depois o médico disse que é comum por conta da anestesia, mulheres jovens chorar). Quando acordei, meu marido foi me dar um beijo rápido e voltou ao trabalho. Eu teria que ficar com a perna esticadinha por 6 horas. Nessa altura, estava alucinada de fome. Já tinha quase 20 horas em jejum! Eles me deram um refrigerante e um sanduiche (leia pão gelado, maionese, queijo e presunto) que eu comi afoitamente. Fiquei esperando meu marido acabar de trabalhar e ir lá ficar comigo. Quando ele chegou, o médico veio conversar e falar sobre o procedimento. Graças a Deus, recebi alta no mesmo dia. A recuperação é tranquila, com algumas dores na perna e o coração demorou muitos dias para se recuperar, mas ó, estive no cardiologista esses dias e ele me deu alta da cardiologia. Fiquei muito feliz e vamos comemorar em Paris, porque né, eu que não vou esperar outro susto desses para conhecer a cidade.
PS: encontrei esse post na pasta do rascunho. É tão bom estar aqui em na Europa e saber que esse problema está no passado.
Eu já falei que não gosto do sistema de saúde americano. E se você procurar nos blogs dos expatriados, acho que a maioria é categórica em dizer que o negócio é ruim. Porém, nunca tinha visto relato de alguém que tinha um problema de saúde grave, daqueles com risco de morte mesmo. Bom, no ano passado, meu marido foi ao médico com uma queixa e lá foi diagnosticado com outra coisa. Coisa séria mesmo. O quadro dele estava tão grave que por pouco ele não tinha entrado em coma. Bom, ele foi para consulta e saiu com a medicação em mãos, com aulas marcadas para aprender a administrar a doença, com médico marcado etc. Nossa, foi excelente! E no meu caso foi parecido. Eu acho que para coisas mais graves, o sistema é bom.
Eu tinha dito que estava com um probleminha no coração, mas o cardiologista não conseguiu achar nada e me mandou para outro especialista. Fui para o Brasil e deixei para resolver essa questão na volta. A consulta foi no dia 12 de junho e só pra variar, eu estava sozinha. Fui atendida pela enfermeira, um amor de pessoa. Daí ela disse a palavra "cirurgia" e eu pensei "não vou me preocupar porque ela não é médica". A verdade é que eu estava tensa, mas esperançosa e sei que as enfermeiras sabem do que falam. O médico entra, senta virado pra mim e eu já pensei "fudeu! Se os médicos mau olham pra gente, ele sentando assim perto, olhando no meu olho...a coisa é séria!". Não era assim sério que eu iria morrer naquele momento. Aparentemente, meu coração estava batendo devagar, uma arritmia qualquer e eu precisava de um procedimento (agora é fácil diminuir a gravidade). Ele repetiu mil vezes que não era cirurgia, que era algo simples, que medicação não funciona bem etc. Eu parei de prestar atenção e quase chorei, mas pedi para ligar para meu marido.
Mandei uma mensagem para o pager do marido com algo do tipo "terei que fazer cirurgia, liga agora", pra ele não ter dúvida de que a coisa estava tensa. Marido estava finalizando um evento em outro departamento, mas conseguiu me ligar. Ele atravessou o hospital ao meu encontro e esperamos o médico voltar para explicar tudo para meu marido. Mas pra mim essa foi a pior parte, porque né, meu marido começou a perguntar das chances de eu ter um derrame (e eu pensei, nossa, nem sabia que poderia acontecer isso), um monte de estatística e dúvidas médicas. Aí sim eu fiquei nervosa. Na minha cabeça só vinha "puta que pariu! E se eu morrer sem conhecer Paris?". Assim, eu não gosto de saber os riscos, se tenho que fazer mesmo, só quero saber o que eu preciso fazer para que obtenha os melhores resultados. Ficar entrando nos detalhes negativos aumenta muito minha ansiedade. Marido iria para Austrália em 2 dias e resolveu cancelar a viagem. Eu disse que não, que estava bem. Mas aí, quando ele me deixou no carro, eu chorei, chorei...aqueles 10 minutos de desespero que são necessários para eu me reestruturar.
Sorte minha que Luffy tinha chegado na noite anterior, pois ficamos os dois aqui enquanto marido estava na Austrália. Depois do susto, passei uns dias até decidir mesmo se faria o tal procedimento (ablação) e resolvi colocar no youtube para ouvir a experiência de outras pessoas. Ô arrependimento!
O médico não queria fazer logo, mas marido queria que eu fizesse em junho porque o fellow estaria se formando, se eu fosse fazer em julho, iria pegar alguém sem experiência. Resultado, marido marcou a data e quem fez foi o próprio médico, já que era a última semana de aula e os fellows estavam de mudança e não mais no hospital. Eu claro, nem tinha pensado nisso. Como era São João, meus pais estavam viajando e eu resolvi não falar nada pra não estragar os festejos. Falei com algumas amigas e só. Não gosto de ficar pensando muito nessas coisas. Deixo a ansiedade para a hora mesmo.
A grosso modo, meu coração estava batendo devagar e com um batimento extra. Se o normal é TUM-TUM o meu estava tum-tum-TUM. Os exames mostraram que fora isso, meu coração estava bem saudável, só havia um batimento extra e era do lado direito, portanto o médico iria usar a veia para o procedimento e não a artéria. O que diminui as chances de coisas ruins. Esse procedimento consta em colocar uns fios pelo vaso da virilha, chegar até o coração e queimar as células doidas que estavam fazendo meu coração bater errado e devagar (tipo uma cauterização). A UAB mandou todo material explicando o procedimento, bem como a medicação que precisaria tomar antes (pense numa coisa amarguenta e ruim), pelo correio. Eu poderia ligar ou mandar email para o médico se quisesse tirar alguma dúvida. Chegamos no hospital com minha sacolinha pronta para passar a noite lá, caso fosse necessário.
Me senti uma estrela porque nunca antes nessa minha vida tinha visto tanta gente tomando conta de mim. O anestesista veio trocar uma palavra, depois veio uma enfermeira, depois um enfermeiro veio colocar um acesso, mas chegou um professor com uma aluna de enfermagem de último ano e duas do começo do curso. Daí eles pediram a minha autorização para que a estudante tirasse meu sangue. A UAB é um hospital universitário e esse é o único jeito de se aprender. Eu concordei, mas disse que ela teria uma única chance. Ela conseguiu. Nesse tempo, chegou a enfermeira do médico que fez o procedimento junto com ele. Eram 9 pessoas no quarto! Saiu todo mundo, meu marido entrou e logo em seguida fui para a sala do procedimento com outros 2 enfermeiros. Eu gostei de todo mundo. A equipe era bem brincalhona e engraçada. Cheguei na sala do procedimento. Tinham 5 pessoas lá e o médico ainda iria chegar. Pedi uma coberta, eles colocaram uma aquecida. Aí me ligaram a trezentos fios e começaram a anestesia. Nossa, uma sensação deliciosa! Apaguei. No final, lembro de ter chorado e alguém me perguntar o motivo de estar chorando e eu pensando "nossa! Eu estou chorando porquê?" (depois o médico disse que é comum por conta da anestesia, mulheres jovens chorar). Quando acordei, meu marido foi me dar um beijo rápido e voltou ao trabalho. Eu teria que ficar com a perna esticadinha por 6 horas. Nessa altura, estava alucinada de fome. Já tinha quase 20 horas em jejum! Eles me deram um refrigerante e um sanduiche (leia pão gelado, maionese, queijo e presunto) que eu comi afoitamente. Fiquei esperando meu marido acabar de trabalhar e ir lá ficar comigo. Quando ele chegou, o médico veio conversar e falar sobre o procedimento. Graças a Deus, recebi alta no mesmo dia. A recuperação é tranquila, com algumas dores na perna e o coração demorou muitos dias para se recuperar, mas ó, estive no cardiologista esses dias e ele me deu alta da cardiologia. Fiquei muito feliz e vamos comemorar em Paris, porque né, eu que não vou esperar outro susto desses para conhecer a cidade.
PS: encontrei esse post na pasta do rascunho. É tão bom estar aqui em na Europa e saber que esse problema está no passado.
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