1. "Aí, né", marido está fazendo rodizío de carona com 2 colegas que moram aqui pertinho e nos dias que vou trabalhar, ele aproveita e dá carona para "os meninos" (já que é mais prático), então eles saem do hospital e vão me buscar. Essa diferença de rota aconteceu pela primeira vez na sexta e só tinha um amigo do marido no carro. O amigo, óbvio, estava no banco do carona. O que aconteceria se estivéssemos em Salvador? Quando chegasse no meu trabalho, o carona abriria a porta do carro e iria para o fundo ou pelo menos perguntaria se deveria mudar de lugar. No caso, o colega (egípcio) do marido permaneceu lá e eu que sou brasileira fiquei meio sem saber o que fazer. Não, não é que eu me incomode em ir no fundo e sim, é muito mais prático que ele permanecesse lá sentadinho, mas é aquilo né, minha vida toda foi dessa maneira e eu jamais havia pensado no ritual, era automático. Fiquei pensando como as pequenas diferenças culturais impactam no dia a dia e me perguntei o que eu já devo ter feito "de errado" segundo a cultura dos outros.
2. Americano tem uma cultura de mandar cartão por tudo. No final do ano então, "avi, Maria", uma chuva de cartões que são carinhosamente expostos nas geladeiras. Sinceramente, acho isso o máximo! Acho tão legal que resolvi adotar. Agora não pense que é um simples cartão que você compra em qualquer loja não (que também é muito legal, diga-se de passagem), mandamos personalizar, com direito a mensagem em inglês e português, com foto e com envelope personalizados. Lindo de se ver! Já enviamos todos e estou na expectativa, se o pessoal gostar, ano que vem tem mais!
Ps: o comércio de cartões aqui, bomba! Tem de vários valores, personalizados ou não. O que eu acho mais legal é o carinho mesmo. Você não precisa gastar em presente (embora isso de presente seja levado muito a sério por essas bandas), mas manda um carinho para aqueles que fazem parte da sua vida. Só tenho uma crítica a fazer: com essa cultura de enviar cartões, fora a cultura de enviar cartas, pagar contas pelo correio e tal, com tanto envelope que é necessário, por quê cargas d'água a cola do envelope não tem um gosto bom? Sei lá, menta, por exemplo! Não sei como os americanos conseguem lamber aquele treco, fica um gosto horrível na boca (é muito anti-higiênico, eu sei, mas fiz para testar né. Afinal, essa é a graça.)
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| Prévia do nosso cartão |
3. Um casal de indianos veio almoçar com a gente e trouxe "umas várias" comidas (normalmente a gente não faz isso no Brasil, assim, talvez uma sobremesa ou um vinho, ou liga perguntando o que pode levar, mas eles trouxeram muita comida mesmo e tiveram a gentileza de colocar pouca pimenta porque sabem que eu não consigo comer comida ardida). Aí, ele foram embora e claro que sobrou muita comida, eu estava ajeitando para que eles levassem as vasilhas, mas eles falaram que de jeito nenhum, que era pra gente comer e depois develveria as vasilhas. Até aí, bem brasileiro mesmo. Bom, comemos e lavei as vasilhas para devolver. Mas assim né, na Bahia quando você devolve as vasilhas, é de bom tom que coloque uma coisinha de agradecimento, tipo um chocolate. E foi isso que fizemos. Marido entregou as vasilhas numa sacolinha e, como é algo automático, não comentou dos chocolates. Aí que o amigo, uns dias depois, manda um email as 3 da madruga (ele estava de plantão) dizendo para Leo que dentro da vasilha havia uns chocolates e que segunda ele devolveria. Eu ri horrores! Nem passou pela cabeça dele que os chocolates eram para ele e que essa seria uma maneira da gente agradecer. Vê isso!
4. Aqui também tem amigo secreto, amigo da onça e um tal de troca de cookies. Sim, aqui eles comem muito desses trecos-deliciosamente-gordos-que-eu-adoro. Só que a gente não sabia fazer e marido só sabia que queria cookie recheado com brigadeiro (pela regra da brincadeira, o cookie tem de ser feito em casa, empacotadinho e com uma cópia da receita), achei a receita e testamos. Olha que gostoso!
Essa foi nossa versão dessa receita
aqui