Páginas

Mostrando postagens com marcador cultura brasileira. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cultura brasileira. Mostrar todas as postagens

23/04/2014

Da queijadinha sucesso da Páscoa

Uma amiga brasileira resolveu juntar umas pessoas soltas (leia, sem família aqui) para celebrar a Páscoa. Tinha os colegas de faculdade da filha (todos americanos que não viajaram para ver a família porque estavam estudando para as finals), tinha americano casado com brasileira, tinha criança e claro que tinha brasileiro. Minha função foi de levar a sobremesa e claro que eu logo pensei na queijadinha que é facil e sempre é sucesso. A minha receita foi desenvolvida a partir de outras receitas. Sempre quando levo as queijadinhas, recebo muitos elogios. As que levei para Páscoa eu não sei se estava boas, não sobrou nenhuma para eu experimentar :). Abaixo vou colocar a receita porque algumas pessoas me pediram:

-4 gemas

-300g de coco ralado (Se você mora nos EUA, lembre de não usar o coco ralado com açúcar porque vai ficar muito doce!)

-2 colheres de queijo  ralado (atenção, não pode ser queijo “de verdade”, tem que ser aquele pozinho, caso contrário vai mudar a liga da queijadinha)

-1 lata de leite condensado (eu indico o leite moça, especialmente se voce mora aqui, porque os outros leites condensados são horríveis)

-4 colheres de leite

 Mistura tudo, coloca na forma de cupcake (ou empada) e coloca no forno. Aqui eu coloco 400F por 12 minutos. Espera ficar levemente bronzeado e esta pronto. Se ficar muito bronzeado, fica mais duro e eu não curto tanto. Depois eu coloco na geladeira e pronto. rende umas 14 queijadinhas.


Dica: como a massa é bem liquida, eu coloco a forminha de papel de cupcake dentro da forma de cupcake (aquela de alumínio, tipo a forma de petit gateau), desse jeito todas as queijadinhas saem parecidas.

Bom, a Páscoa foi muito legal. Teve caça aos ovos. Teve feijão. Teve muita conversa. Teve a companhia do marido.

02/06/2013

4 médicos na família e a questão dos médicos cubanos



Hoje oficialmente tenho 4 médicos na família. 2 "meninos" e 2 meninas. 2 são Bittencourt e 2 são Almeida. Os 2 meninos foram colegas de turma em "1900 e bolinha" e as 2 meninas também. Hoje (no caso, sexta), tenho o dia de comemoração para fechar com chave de ouro os primeiros 6 anos de estudo em medicina das meninas e para abrir com muitas boas energias os milhares de anos de trabalho que elas terão. Vocês sabem que eu convivo com um médico e sei bem que esse glamour todo ligado à profissão é uma falácia, especialmente para os pobres coitados dos familiares, mas ouvir um causo do seu marido super empolgado de um diagnostico de um paciente e na consulta de retorno o pacientinho estava melhor e agradeceu ao doutor, não tem preço (ahahahhaa, tem preço sim e eu pago a conta viajando sozinha, acordando várias vezes no meio da noite com o pager gritando, dormindo sozinha...). Só desejo melhores condições de trabalho para a classe, porque o sistema tá bruto.


Falando nisso, antes da minha viagem, o tema sobre os médicos cubanos já estava sendo discutido por aqui. Uma amiga postou essa matérias e vi muita gente apoiando a vinda dos médicos. Achei a matéria muito limitada justamente porque só foca em um lado da moeda e resolvi escrever sobre o outro lado. Não que não concorde com os pontos que ela traz. Por exemplo, eu acredito que alunos das universidades públicas deveriam retribuir os anos de aprendizagem pagos pelo país. Não só para o curso de medicina e não só durante a faculdade. E sim, eu sou formada pela Federal da Bahia. Quanto a concentração de profissionais  no Sul-Sudeste-grandes cidades. Por que será? Por que os médicos estão recusando salários nos interiores de até R$30.000,00? Meu primo me disse isso "Não há plano de carreira para médico, assim, eles querem que eu deixe minha vida aqui para mudar para uma cidade pequena sem garantia nenhuma de que quando o prefeito mudar meu emprego continue".

Nesse texto, eles falam que a medicina em Cuba é reconhecidamente excelente e eu não poderia discordar disso, no entanto, é bem diferente do que praticamos aqui. Não que isso seja ruim, mas também pode não ser bom. Por exemplo, a medicina nos EUA é excelente certo? No entanto ela é curativa e por isso diferente da brasileira (que no meu entender tenta equilibrar a medicina curativa e a preventiva). Já em Cuba a medicina seria mais preventiva. Isso nada tem de errado, mas está ligada a cultura/movimento/desenvolvimento dos países. O que eu acho errado é você afirmar que a medicina de tal lugar é boa e achar que importar os médicos que seguem aquele modelo será a salvação do seu país. Tenta trazer os médicos americanos pra cá, pra você vê o que aconteceria. Medicina não é igual no mundo, o olhar do médico é diferente e os tratamentos e protocolos também "vareiam"dependendo dos tratamentos disponíveis e da forma que a medicina se desenvolveu no país. Nada que uma validação do curso, com um internato prático não resolvesse, né isso que meu marido faz nos EUA?

Algumas pessoas falaram que seria melhor para o pobrinho do interior mais longínquo ter um médico qualquer (mesmo sem validação de diploma) do que não ter nenhum. Sim, esse pensamento me emputece. Por que cargas d'água a gente acha que o pobre merece qualquer migalha? Tipo, é pobre mesmo, qualquer coisa é qualquer coisa. Nossa que isso mexe com meus demônios. Por outro lado, ofertar saúde para a população e não cumprir é fogo. E aí, o que fazer? Eu também não entendi exatamente porque os médicos viriam especificaente de Cuba e não de outros países. Outra questão a se pensar é quem garante que os médicos cubanos ficariam nos interiores (e não diga que a garantia seria um contrato, porque eu não sou boba)? Digo isso porque se os médicos brasileiros se recusam a ficar nessas cidades mesmo ganhando bem, porque a gente tem certeza que os cubanos ficariam fixados de fato lá?

Eu, do alto de toda minha leiguisse (leiguice?), acho que a solução para o problema está bem aqui no Brasil. Acho que no lugar de trazer médicos, deveríamos modificar o sistema aqui, dar garantia aos nossos médicos brasileiros. Tem como implementar plano de carreira para médico? Tem. Tem como abrir concurso? Tem. Tem como melhorar as condições de trabalho fornecendo condições mínimas (Como disse meu marido depois do primeiro plantão como médico da vida dele "o que adianta eu estar aqui trabalhando se o paciente chega e eu não tenho nem termômetro para medir a temperatura dele?")? Tem sim senhor. Meu primo me disse algo do tipo "Ló, você acha que depois de 1 ano de cursinho, 7 anos de medicina (desses, 1 ano foi de greve), 1 ano de aeronáutica (o médico é obrigado a servir depois de formado) e 5 anos de residência, eu não gostaria de trabalhar em um interior desses ganhando 30 mil reais por mês? Claro que gostaria, mas o sistema dificulta e não e garante nada".

Abaixo, deixo a foto do (des)conforto médico de um grande hospital público da Bahia. Um local que deveria possibilitar que o médico tirasse um cochilo durante as 24 horas de trabalho. Isso é condição e respeito por algum profissional? Eu imagino que se normalmente a classe médica recebe a melhor e maior atenção como é que os outros profissionais de saúde são tratados? E os pacientes?

Imagem tirada do FB

04/06/2012

21 dias de férias e das coisas que aprendi

21 dias comendo filé mingnon e picanha. 21 dias sem limpar nada e encontrando tudo limpo. 21 dias sem cozinhar e comendo tudo de melhor. 21 dias recebendo amor da família e amigos. 21 dias dizendo "que calor nessa cidade!". 21 dias tendo o mar como plano de fundo. E agora, o que faço? Quero voltar...

Pois então, as férias acabaram e não deu tempo de fazer nem a metade das coisas. Tivemos muitos contratempos, o que gerou ansiedade e confusão nas férias, mas né, fazer o quê? Agora estou tentando entrar no eixo novamente.

Sim, aprendi que:

* A comida em Salvador é cara pra caramba (eu achava que aqui as coisas eram caras, mas tomei um susto nos mercados e restaurantes). E eu estou falando de comida porque  roupa, sapato e afins é um absurdo de caro!

* Como eu conseguia dirigir em Salvador? Que loucura é aquela gente?

* A saudade que sentia não era da comida, não comi nem metade das coisas que queria. A saudade era das pessoas, era de ir com minha mãe, irmã e cunhado comer a torta carequinha e não a torta carequinha em si. Saudade de conversar com a parentada e rir dos causos antigos que vivemos juntos ou de outros que cada um viveu. Saudade de ir no Maná com a amiga ou de acompanhar o crescimento dos filhinhos dela.

* Comparada com a vida e a correria de Salvador, B'ham é maravilhosa e embora eu não queira voltar a morar no Brasil, na volta, eu chorei de saudade e fiquei pensando em mil possibilidades de voltar a morar na terrinha, "só" para ficar perto das pessoas que me fazem feliz.

* Não posso viajar de ônibus, passo muito mal e não tem remédio de enjôo que dê jeito! (preciso ler isso aqui antes de viajar). Agora, se for viajar para o interior, alguém precisa me buscar. Sofri muito viajando de ônibus!

*Eu estou confortável com a distância entre pessoas exigida pela etiqueta americana e me senti invadida. Também senti falta da educação (mesmo que falsa) dos funcionários dos supermercados e da agilidade como as coisas são resolvidas.

* Não devo tirar visto em Recife, mesmo que a primeira vista haja uma economia nas passagens. Eles são muito atrapalhados, mal treinados e claro, muito mal educados! E apesar de eu já ter saído com o visto aprovado dos EUA, perdi 4 dias das férias e mais uns 5 dias de ansiedade por conta de tamanha incopetência.

e por último, essa vale para todo mundo:

* Nunca, jamais, em hipótese alguma acredite quando olhar no painel do aeroporto que o seu vôo está 2 horas atrasado. Mesmo que você se dirija ao portão de embarque e o funcionário da América Airlines confirme que o vôo vai atrasar. Não confie nunca! Você pode perder sua conexão para casa e isso não é nada agradável, Hunft!

Bom, agora é tentar entrar no ritmo outra vez!

Todo dia que planejava ir à praia, chovia, mas tive que ir mesmo assim, né?

04/12/2011

Das diferenças culturais

1. "Aí, né", marido está fazendo rodizío de carona com 2 colegas que moram aqui pertinho e nos dias que vou trabalhar, ele aproveita e dá carona para "os meninos" (já que é mais prático), então eles saem do hospital e vão me buscar. Essa diferença de rota aconteceu pela primeira vez na sexta e só tinha um amigo do marido no carro. O amigo, óbvio, estava no banco do carona. O que aconteceria se estivéssemos em Salvador? Quando chegasse no meu trabalho, o carona abriria a porta do carro e iria para o fundo ou pelo menos perguntaria se deveria mudar de lugar. No caso, o colega (egípcio) do marido permaneceu lá e eu que sou brasileira fiquei meio sem saber o que fazer. Não, não é que eu me incomode em ir no fundo e sim, é muito mais prático que ele permanecesse lá sentadinho, mas é aquilo né, minha vida toda foi dessa maneira e eu jamais havia pensado no ritual, era automático. Fiquei pensando como as pequenas diferenças culturais impactam no dia a dia e me perguntei o que eu já devo ter feito "de errado" segundo a cultura dos outros.

2. Americano tem uma cultura de mandar cartão por tudo. No final do ano então, "avi, Maria", uma chuva de cartões que são carinhosamente expostos nas geladeiras. Sinceramente, acho isso o máximo! Acho tão legal que resolvi adotar. Agora não pense que é um simples cartão que você compra em qualquer loja não (que também é muito legal, diga-se de passagem), mandamos personalizar, com direito a mensagem em inglês e português, com foto e com envelope personalizados. Lindo de se ver! Já enviamos todos e estou na expectativa, se o pessoal gostar, ano que vem tem mais!
Ps: o comércio de cartões aqui, bomba! Tem de vários valores, personalizados ou não. O que eu acho mais legal é o carinho mesmo. Você não precisa gastar em presente (embora isso de presente seja levado muito a sério por essas bandas), mas manda um carinho para aqueles que fazem parte da sua vida. Só tenho uma crítica a fazer: com essa cultura de enviar cartões, fora a cultura de enviar cartas, pagar contas pelo correio e tal, com tanto envelope que é necessário, por quê cargas d'água a cola do envelope não tem um gosto bom? Sei lá, menta, por exemplo! Não sei como os americanos conseguem lamber aquele treco, fica um gosto horrível na boca (é muito anti-higiênico, eu sei, mas fiz para testar né. Afinal, essa é a graça.)
Prévia do nosso cartão
 3. Um casal de indianos veio almoçar com a gente e trouxe "umas várias" comidas (normalmente a gente não faz isso no Brasil, assim, talvez uma sobremesa ou um vinho, ou liga perguntando o que pode levar, mas eles trouxeram muita comida mesmo e tiveram a gentileza de colocar pouca pimenta porque sabem que eu não consigo comer comida ardida). Aí, ele foram embora e claro que sobrou muita comida, eu estava ajeitando para que eles levassem as vasilhas, mas eles falaram que de jeito nenhum, que era pra gente comer e depois develveria as vasilhas. Até aí, bem brasileiro mesmo. Bom, comemos e lavei as vasilhas para devolver. Mas assim né, na Bahia quando você devolve as vasilhas, é de bom tom que coloque uma coisinha de agradecimento, tipo um chocolate. E foi isso que fizemos. Marido entregou as vasilhas numa sacolinha e, como é algo automático, não comentou dos chocolates. Aí que o amigo, uns dias depois, manda um email as 3 da madruga (ele estava de  plantão) dizendo para Leo que dentro da vasilha havia uns chocolates e que segunda ele devolveria. Eu ri horrores! Nem passou pela cabeça dele que os chocolates eram para ele e que essa seria uma maneira da gente agradecer. Vê isso!

4. Aqui também tem amigo secreto, amigo da onça e um tal de troca de cookies. Sim, aqui eles comem muito desses trecos-deliciosamente-gordos-que-eu-adoro. Só que a gente não sabia fazer e marido só sabia que queria cookie recheado com brigadeiro (pela regra da brincadeira, o cookie tem de ser feito em casa, empacotadinho e com uma cópia da receita), achei a receita e testamos. Olha que gostoso!
Essa foi nossa versão dessa receita aqui

19/10/2011

"pé de pato, mangalô 3 vezes!"


"-E aí, como vai o casamento?
-Ótimo!
-Ah, isso é porque é o começo...aproveita que com o tempo piora!"

Sim, esse diálogo aconteceu e não foi comigo. Ainda bem, porque do jeito que eu ando nervosa/chateada a pessoa iria ouvir por 10 dias e 10 noites!
Vem cá, eu estou errada ou isso é no mínimo falta de educação? Você diz para uma pessoa que acabou de comprar uma casa "você vai ver o trabalho que dá!", ou que comentou alegremente que está grávida "filho, nesse mundo! Não dá não", ou de um cidadão que acabou de comprar um cachorrinho "vixe, dá muito trabalho, faz xixi em tudo, morde os móveis"? Se você disse sim para alguma das perguntas, você precisa rever os seus conceitos. Porque gente, todo mundo sabe que ter uma casa é bom, mas trabalhoso; que ter um filho nesse mundo não é fácil e cachorro também não é anjo, mas porque você vai dizer isso para a pessoa? Para diminuir a felicidade dela? Tenha dó!

A recém-casada não perguntou nada, porque cargas d'água a 'amiga' (porque quem avisa amigo é?) resolve fazer um comentário desses? Eu até entendo que você pode ter um casamento de anos e anos e eu imagino (porque ainda não vivi, mas li nos livros) que casamento não seja fácil e com o tempo, pessoas crescendo para lados opostos, pode dificultar, mas gente, falar uma coisa dessas é sem noção (até para os padrões baianos, porque né, baiano se acha no direito e até no dever de falar o que acha) ou eu estou doida mesmo? Eu achei de uma grosseria tão estúpida, tão desnecessário. Mas tá bom, eu ando muito 'cheia de não me toque', vai que isso é comum. Já aviso que se for comum, não fale comigo, porque a resposta será de uma grosseria imensa! Porque se tem algo que eu aprendi desse lado do mundo (mentira, eu aprendi em casa com minha maravilhosa mãe a máxima "se não for para acrescentar, guarde para você") é que a vida do outro é a vida do outro.

29/07/2011

Bilinguismo: questão complicada

Vejo direto nos blogs de exportados o assunto do bilinguismo. Mães preocupadas porque os filhos têm 3 anos e ainda não falam. Mães sentindo-se culpadas pois seus pequenos lindos e inteligentes não se comunicam oralmente. E não, não adianta um especialista (que pode ser o psicopedagogo da escola, o pediatra ou até mesmo a psicóloga que vos fala) dizer que é comum, que é o normal (no sentido de norma mesmo, de que é o esperado) que aconteça um 'delayzinho' nessa pequena parte da função linguistica, que elas (as mães) não aceitam, dão exemplo de filhos dos amigos que com 1 ano já falava 3 idiomas. Bom para seu amigo, mas a verdade é que para cada criança vai acontecer de uma maneira diferente.

A confusão já começa pelo conceito de bilinguismo. Existem infinitos conceitos tipo aquele que a gente mais usa que é se a pessoa fala 2 línguas é bilingue. Para as neurociências, o bilingue é aquele que aprende 2 idiomas ao mesmo tempo e que consegue usá-los de maneira eficaz (tem de saber ler, entender, ouvir e falar como nativo). Bom, o que se sabe é que quanto mais cedo a criança for exposta as línguas, mais fácil ela irá aprendê-las. E depois que ela conseguir se expressar com essas duas línguas, mais fácil será para ela adquirir outras.

Vejo nos blogs pessoas falando que a mãe só deve falar português com a criança, que não deve responder se a criança fala a outra língua. Bom a verdade é que não existe regra e cada criança vai fazer de um jeito. Conheço mães que só falam português e outras que falam misturado e as crianças entendem e muitas já falam misturado também. Crianças com dificuldade de linguagem ou acadêmicas as vezes passam por maus bocados tentando entender a lógica  das 2 línguas e as vezes é mais interessante focar em 1 língua e depois começar a introduzir a outra (sendo que  estímulo das 2 línguas como dvd, músicas podem e devem permanecer no ambiente). Então, infelizmente para as mães, não tem regra para o bilinguismo, mas as crianças vão dando dicas de suas dificuldades. A questão é ter paciência e aprender a não sentir a tal da culpa (mas eu não sei se isso é possível, nunca conheci uma mãe que não encontrasse algum motivo para sentir-se culpada).

O que eu acho importante é perceber se a criança entende o que você fala. Se ela entende e consegue se comunicar com gestos ou "quase" palavras (e tem menos de 4 anos, nessa idade já é esperado que a criança fale) está ótimo. É muito importante que a criança tenha contato com outras crianças, porque aí ela aprende a se comunicar também. Se a criança tem um irmão ou irmã mais velha que já fale, ajuda no desenvolvimento da linguagem também.

Ai como eu queria trabalhar com americanos brasileirinhos ou brasileirinhos americanos, ensinando a cultura brasileira, alfabetizando essa galerinha em português  tendo em vista a condição mais que especial de se ter duas nacionalidades. Saudade da vida de psicóloga!

27/07/2011

Meu português está indo embora

 Eu já falei em algum lugar aqui que meu português está se perdendo, mas assim né, se você não usa uma informação, seu cérebro sabido como é, vai diminuindo as conexões para acessá-la, porque espaço para aprender coisa nova é importante, ainda mais quando você está em um país novo. Meu inglês tem melhorado, não tanto quando o do marido que passa 12 horas do dia só falando/pensando/escrevendo inglês, mas enfim, estou caminhando, no entanto, meu português está péssimo e nesse caso nem a minha dislexia é capaz de explicar. As vezes releio um post antigo e corrijo algo ou minha mãe, irmã e marido apontam o erro e  vou levando, mas tem coisa que não dá para errar!(Vocês estão entendendo que é um  pedido de desculpa pelas pedradas que venho dando né?)
Esses dias uma amiga postou algo interessante no facebook, eu copiei e postei também e foi tanta conversa que resolvi escrever aqui. Olha aí o que ela postou:
CAMPANHA:
DESDE - se escreve JUNTO;
MENAS - NÃO existe;
SEJE - está ERRADO;
COM CERTEZA - se escreve SEPARADO;
DE REPENTE - se escreve SEPARADO;
MAIS - Antônimo de MENOS;
MAS - Sinônimo PORÉM;
A GENTE (NÓS) - se escreve separado.
E, por favor, passado é passado, infinitivo é infinitivo!
"Eu ri" - nunca foi e nunca será "eu rir"
Parto do princípio de que ninguém escreve ou fala errado porque quer, sempre tem uma falta de atenção, uma forma errada de aprendizado. O sotaque também dificulta, na Bahia a gente não fala comer e sim "cumê". Bom, eu não sou expert no assunto, mas resolvi colocar aqui para gente se ajudar, né? Afinal é muito chato falar e escrever errado.
Vou acrescentar algumas coisas na lista e vocês me ajudam ok?
Não existe "para mim fazer", mim não conjuga verbo é sempre para eu fazer.
"Tudo haver" e "nada haver" não existem, o correto é tudo a ver e nada a ver.
Mau é contrário de bom e mal de bem.
Advérbio não tem gênero então meia cansada não existe é sempre meio cansada. (sempre que ouço alguém falar assim, imagino uma meia vermelha fedendo a chulé com a língua de fora)
A palavra é reGistro e não "resistro".
Ansioso escreve só com "s".
 Eu "quiz" dizer está errado, o certo é eu quis dizer :).
Eu tinha "falo", pô, eu juro que só imagino um...hum...enfim, um falo na mão da pessoa (como se ela tivesse construído um) e é péssima essa imagem. Eu tinha falado é melhor.

Qualquer dia desses vou escrever como venho traduzindo o inglês para o português, assim, na conversa do dia a dia, meu Senhor, sai cada coisa!
 

21/07/2011

Aulas de português

É né, já que não posso trabalhar de verdade, estou dando um mãozinha para um francês que vai passar 3 meses no Brasil. E sabe o que eu descobri? Português é difícil demais. Avi! Para melhorar, ele vai para São Paulo e tem amigos paulistas que já avisaram que o sotaque baiano é bem diferente (essa parte foi a que ele me disse, mas vai saber o que os paulistas falaram mesmo). Eu tentei achar pela net algumas coisas típicas de lá, mas enfim, embora meu sotaque não seja carregado, sou baiana né. A primeira coisa beem diferente é a quinta letra do alfabeto, a letra "e" que na Bahia falamos "é" e em São Paulo "ê", mas a lista é grande..

O francês (que é super gente fina, por sinal) veio carregado de dúvidas culturais (preconceitos?) que ele aprendeu com os amigos paulistas, olhe aí alguns: porque homem do Rio Grande do Sul é gay? Porque paulista detesta carioca? Porque baiano é preguiçoso?

Aí, meu sangue ferve, sabe, não com o francês, mas com os paulistas (brincalhões? preconceituosos?). O bichinho nem chegou lá e já ouviu isso. Sei que nem todo paulista pensa assim, mas taí algo que me deixa triste. Enfim, expliquei para eles as questões culturais atrás dessas inverdades.

Quer me ver braba? Fale mal do meu sotaque! PQP! Cada um tem o seu e pronto, tem explicação histórica para isso e tal. Agora vem paulista ou paulistano (desculpa gente, até hoje só o pessoal de São Paulo falou MAL do meu sotaque) achar que fala sem sotaque ou que eu falo errado é demais né? Tendo em vista que a primeira cidade brasileira foi na Bahia e Salvador foi a primeira capital, se existisse um jeito certo, um sotaque certo de falar, seria aqui né? (Claro que não existe o melhor sotaque nem coisa do tipo, só para deixar claro!).  A gente não fala que o mineiro fala errado só porque eles falam "pãozin" né? Ou quando o carioca acrescenta uns "ssss" a mais.Então, só porque eu falo "cumê", "bebê", "repeti" (verbos no infinitivo), eu falo errado? Não minha gente, é o sotaque da Bahia. Já ouvi até que "oxi" (que vem de "oxente" e significa "oh, gente") é coisa de gente pobre que não frequentou escola. Acredita? Aí né, embora seja completamente contra "carteirada", tenho que falar: eu estudei em uma das melhoras escolas de Salvador, fiz Psicologia na então única Universidade Federal do meu Estado e que está na lista (grande lista, mas se é para colocar moral né...) das melhores Universidades do mundo, fiz especialização e mestrado na mesma Universidade na área de neurociências. Passei a maior parte da vida estudando e falo "oxi" sempre. Porque o "oxi" não tem a ver com escolaridade e sim com a cultura de um povo (gostaria de falar, seu imbecil! Mas como sou uma baiana educada terminei aí).

24/06/2011

"Onde junta brasileiro só se fala em alegria"

(música de carnaval para introduzir o post do São João é ruim né?)

Tem uma coisa que eu fico me perguntando: como os brasileiros que eu encontro aqui são todos legais? Juro, até o momento todos eles que cruzaram o meu caminho foram legais. E claro que não sou amiga de todos que encontrei por razões diferentes, mas até o momento só encontrei gente legal.

Sim, mas o post é sobre o são João. O dia é bem comemorado no nordeste (que vira dias). Eu gosto mais daquela festa "de raiz", forró pé de serra e tal. Mas o que amo nessa época do ano é o clima, o clima de felicidade que paira no ar, com as músicas, as pessoas de férias (ou folga). É diferente! Fora a temperatura que fica mais amena e para quem vai dançar forró no interior, pode usar e abusar de botas e acessórios de frio (taí uma coisa que achava chato de morar em Salvador: o clima não permitia roupas mais pesadas e "chiques"). Tá que aqui nos EUA não se comemora São João, mas quando junta alguns brasileiros com vontade de curtir sua cultura, se encontrar e comer feijão (oi?) nada é impossível.

A associação brasileira daqui encontrou o lugar, cuidou da decoração e da logística. Cada um levava um prato e a noite foi boa (só não foi ótima, pois, pra variar, marido não foi, ficou estudando). Conheci muita gente, conversei, dei risada e comi, ah se comi, comi muito. Só de pensar fico com a boca cheia d'água. Tutu, caldo de carne, arrroz, feijão, quiche, pão de queijo, canjica,  arroz doce, pudim, brigadeiro, salada de frutas (estava ótima!). Tinha mais, porque a toda hora chegava mais alguém com mais comida. Infelizmente, na noite passada tinha ido num aniversário e comi, comi muito (queijadinha, torta de limão, brigadeiro, torta de frango) e tomei muito guaraná (que saudade) e decidi (que diacho que eu só quero escrever descidi,oxe!) comer pouco, só o básico para matar a fome (eh, desde quando brigadeiro mata a fome?)

Bom, teve quadrilha e tudo o mais e até noiva matuta (uma gostosura de meu Deus!). Adorei!



No final da festa ainda tinha comida.