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05/07/2014

Bye, bye Bham!

Chegamos em Bham na quinta direto para um bota fora que uma amiga organizou para gente. Muito fofa! Sexta foi a formatura de Leo e finalmente, sábado foi o dia oficial da nossa mudança. Era para a gente acordar mais tarde, mas 5:30a eu já estava super agitada. Saímos antes das 6am e fomos nos despedir de Bham.

Passamos no busto de Tinsley Harrison (esse médico Alabamense trabalhou na UAB e desenvolveu muito o hospital, além de claro, ser o autor de um dos livros mais conhecidos de clínica médica do mundo: Harrison's Principles of Internal Medicine.). Depois fomos nos despedir da cidade mesmo, fomos no Vulcan Park e nos despedimos da vista e do hospital. Lá de cima, a gente agradeceu ter sobrevivido 4 anos e pelo Leo ter tido um treinamento excepcional. Depois paramos para tomar um super café da manhã americano e voltamos rolando para Gainesville.


Reza a lenda que ali atrás fica a maior estátua de aço do mundo

Café da manhã no the egg & I. Como que alguém consegue comer tanto assim? Eu levei o muffin para comer durante as 8hs de viagem.

Não teve aquela foto clássica que eu sonhei por messes "dessa terra não quero nem o pó", porque eu achei que não faria mais sentido. Não gostei desses 4 anos lá, mas aprendi tanto, passei por tanta coisa, conheci tanta gente legal, que de alguma forma, muito dequela terra vem comigo para Gainesville. Obviamente que só trouxe a parte boa.

Na saída da cidade, eu até chorei. Choro de alívio, de felicidade, um pouquinho de tristeza de deixar tudo o que conheço dos EUA para trás, mas principalmente, chorei de gratidão por ter a oportunidade de mudar e correr atrás da nossa felicidade. Nesse meio tempo, a Pandora começou a tocar "dog days are over" e eu achei que foi um sina maravilhoso das coisas boas que nos aguardam.

Chegando na Flórida, teve um chuvisco sem vergonha que me fez pensar na música "Let the rain wash away all the pain from yesterday" e eu tive certeza que a coisa aqui vai andar direitinho.




PS: no meio do caminho tinha um flea market. Era interior, do interior, do interior do Alabama. Paramos para dar uma olhada, porque né, precisávamos dessa experiência 100% pescoço-vermelho para fechar a  com chave de ouro.




29/06/2014

Formatura da residência

Eu queria dizer que os últimos 4 anos passaram voando, mas não é verdade. O que importa é que acabou. Saímos de Gainesville rumo a Bham para o jantar de formatura do meu digníssimo marido. Viagem longa. Eu só lembrava que seria a última vez.

Na sexta tivemos que resolver mil coisas, o tempo passou rápido e tive que cancelar o salão. Nos arrumamos rápido e chegamos lá no jantar na hora. Tinha um coquetel de entrada, com queijos e uns petiscos. Enquanto isso Leo falava com os professores, colegas e amigos. Ah, 4 professores tocavam uma musiquinha boa. Achei tão legal essa homenagem. Para variar, na nossa mesa estava só os formandos internacionais e suas respectivas.  Fomos jantar, comemos a sobremesa e a cerimônia começou. Só sei que marido recebeu 3 certificados (completou o PGY1, foi residente chefe e claro, o certificado da residência de neurologia) e 2 prêmios. Só lembro do prêmio mais importante que foi o de excelência clínica, o que diz muito a respeito do perfil dele.

Depois cada residente ia lá falar algo e meu marido foi o único que agradeceu a família, especialmente eu, né. Achei essa falta de reconhecimento dos colegas, meio estranho, mas né, vai ver é algo cultural. Fomos os últimos a sair, mas a festa acabou bem cedo (10:30p), todo mundo estava apressado para fazer a mudança de estado no dia seguinte. Fomos dormir cedo e acordarmos 5:30a, nos despedimos de Bham e voltamos correndo para casa (próximo post eu falo disso).


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Será que estamos felizes?

25/06/2014

Aqui na Flórida

Aqui na Flórida*:
*Estive em Orlando, Tampa area e Gainesville

-Tem casais jovens andando de mãos dadas;
- Tem casais do mesmo sexo andando de mãos dadas;
-Tem pouca panelinha: negro anda com branco, com latino, com oriental
-As pessoas são excepcionalmente mais abertas aos estrangeiros (porque né, tem gente de tudo que é buraco)
-Tem gente de todo lugar dos EUA e todo lugar do mundo, tem gente que veio de lugares que eu nem sabia que existiam;
-Faz um calor desgraçado e a umidade deixa tudo mais difícil, o cabelo fica a lá Monica Galler

-Tem chuva todos os dias (literalmente!), com direito a raios e trovões de dá medo. Agora eu entendo o porquê de Marley (de Marley & eu) ficar doido e quebrar a casa toda quando tinha tempestade
-As casas são coloridas
-As pessoas se vestem diferente, com muitas cores e sem nenhum padrão de estampa
-As pessoas são religiosas, mas não são pudicas
-As pessoas são mais informais e mais próximas. A bolha individual existe, mas é pequena
-As pessoas estão muito preocupadas em ser felizes, trabalham muito para isso, mas sabem da importância de ter tempo para gastar com sua vida pessoal
-Tem muito da "esperteza" latina, algo que tinha desacostumado
-Até os funcionários do walmart são simpáticos. Juro!
-Eles sabem lidar com os documentos dos estrangeiros, com todas as peculiaridades e melhor, eles são super simpáticos e atenciosos.
-As pessoas dirigem mal e não são muito educadas no trânsito;
-Horário nem sempre é cumprido
-Tem muito pedinte e mendigo...uma dó!
-Tem pouca gente muito acima do peso (bom, menos que no Alabama)
-Hotel de cachorro é caríssimo
-É fácil encontrar frutas
-As pessoas não são muito de falar bom dia/oi/ boa tarde para todo mundo que cruza seu caminho
-Muita gente fala português e quando descobrem que sou brasileira, sempre falam algo em português
-Tem muito bicho, especialmente répteis e anfíbios. Isso não é legal!
-Serviço e produto é bem mais barato do que estava acostumada. Sem falar da taxa que é 50% mais barata
-Tem mais gente doida e passional. Aqui a policia trabalha muito!
-Tem muita praia e o cheiro salgado do mar é maravilhoso.
-Ah sim, tem muito restaurante que vende suco de fruta natural...era tão ruim ter sempre que pedir água nos restaurantes (eu sou chata e não gosto de chá, nem bebida alcoólica, nem refrigerante e nem de suco pronto).
-Tem uma variedade de sobremesa. Aqui eles sabem que tem um mundo inteiro além de canela, pasta de amendoim e cupcake (tudo por conta da cultura latina).
-Tem campo de futebol para adultos. Não que eu goste de futebol, mas é algo diferente

Aqui em Gainesville, a vida é mais colorida e mais feliz.

PS: óbvio que eu generalizei minhas experiências em 3 cidades para o estado todo e óbvio que sou estou aqui há 2 semanas e a minha visão é bastante romântica, no entanto, gosto de fazer o registro e lá na frente, olhar o que aconteceu.

04/06/2014

Mudança de estado com um cachorro

Antes mesmo da mudança, Luffy já ficou estressado, tadinho. Alguém batia na porta, ele era levado para o quarto e quando saía, a casa estava sem algum móvel (doamos e vendemos muita coisa). Tinha também caixas espalhadas pela casa (o que significa menos lugar para brincar) e toda nossa falta de tempo para brincar com ele, pois estávamos empacotando, cancelando serviços e arrumando as coisas para a mudança.

Luffy usava um cinto de segurança. Ele ficava super tranquilo e feliz durante as viagens. No entanto, o danado descobriu como sair do cinto e ele solto no carro, fica impossível para dirigir (lembre que ele é um Jack Russel e nunca para no lugar, além de ser perigoso). Compramos então uma sacola bem acolchoada para a viagem de 8 horas (a sacola foi carinhosamente apelidada pelo marido de camisa de força).

O cinto dava uma certa mobilidade para ele- aqui ele estava "caçando" a sombra do relógio do marido

No dia da mudança, o carro estava lotado e Luffy foi na sacolinha entre eu e Leo. Pense em um cachorro estressado! Quando fizemos a primeira parada, o bichinho correu de felicidade ("Freedom, freedom"). Que dó! Paramos algumas vezes para ele esticar as patinhas e  beber água.

Antes da viagem, fizemos alguns testes com ele na sacolinha, pela carinha fica claro o quanto a sacolinha (aka camisa de força) foi um sucesso

Chegamos em Gainesville meia noite. Estávamos mortos, mas Luffy não gostou da mudança e resolveu fugir. Imagina a nossa alegria! O bichinho saiu correndo de casa, olhou para os lados e como não conhecia nada, saiu correndo em direção ao carro, como quem diz "quero voltar para casa!". resolvemos dormir na sala com ele, quer dizer, ficar na sala com ele porque ele se assustava com tudo e latia toda hora. Demorou uns 3 dias até ele se adaptar e parar de fugir. Agora ele já escolheu o spot dele no sofá (#SheldonCooperFeeling) e voltou a saber que ele é o dono daquela casinha colorida.

PS: Lá pelo terceiro dia, Luffy, que já é treinado para ir ao banheiro durantes as suas 4 caminhadas diárias (é muita energia que o cachorro tem para ficar preso em casa), resolveu deixar um "presente" lindo para mim. Ainda bem que não foi no carpete.



Acordando da soneca da tarde no lugar dele no sofá

Super livre no parque de cachorro em Gainesville

PS: estou em Bham finalizando um trabalho e Luffy ficou cuidando do marido em Gainesville.

26/05/2014

O fim das aventuras na Magic City

Pois então, chegamos em Gainesville!!! Depois de muita confusão com a assinatura do contrato, depois de mais confusão com a empresa de mudança, depois de muita dor nas costas de tanto empacotar, depois de 4 anos morando em um lugar que não gosto e claro, depois de 8 horas dentro de um carro lotado com nossos cacarecos e com um cachorro que não consegue parar quieto (ele estava numa sacolinha, mas ficou bem estressado), chegamos nos primeiros minutos do dia 24/05 na nossa nova moradia.

Teve choro e riso, assim mesmo, tudo misturado, ainda lá em Bham. Eu não conseguia acreditar que o dia da mudança tinha chegado. Dizer que estava feliz não faz jus ao turbilhão de bons sentimentos que estava sentindo. Feliz é muito pouco para tudo isso.

Aqui em Gainesville as pessoas se vestem coloridas, cada um tem seu próprio estilo. Aqui a população é de jovens e tudo parece tão leve. Aqui é muito, muito iluminado. Aqui tem transporte público e tem passeio(ou calçada) nas ruas. Aqui você pode pedir suco natural de frutas em alguns restaurante (não-brasileiros) e até guaraná Antartica. Aqui a bolha individual é menor e é muito mais gostoso. Aqui tem gente que sonha em conhecer o Brasil e que fala português. Aqui as coisas são bem mais baratas. Aqui as pessoas vão almoçar com saída de praia, pois saem da piscina ou dos springs direto para os restaurantes. Aqui a coisa é mais informal. Aqui fala-se muito espanhol. Aqui o ritmo é desacelarado. Aqui não tem tanta panelinha por etnia. Aqui os casais andam de mãos dadas. Aqui é tudo bem pequeno e pertinho. Aqui a gente vai ser feliz!

Pois então que ainda volto para Bham (medo!) para finalizar um trabalho e óbvio, para a formatura do neurologista mais sabido que esse mundo já viu. São mais 3 semanas que ficarei lá e cá e depois oficialmente termino as aventuras na magic city.

Na estrada
No meio da bagunça

Suco de goiaba de verdade

15/05/2014

Residencia medica nos EUA: o caminho do meu marido

“Como foi o caminho do seu marido ate chegar ai?” Essa eh uma das perguntas que mais me fazem. Entao, abaixo vou colocar os principais pontos. E gostaria de lembrar que esse foi o caminho do meu esposo, mas conhecemos medicos brasileiros que fizeram outros caminhos ate a residencia e deu certo tambem.

1.       Intercambio de pesquisa- Leo foi selecionado para fazer um intercambio de pesquisa atraves de uma parceria entre o governo brasileiro e o governo americano. Ele fez um semestre de pesquisa na LSU. Nesta epoca (jan/2008) ele estava no 11o  semestre da faculdade e estava no internato. Ele aproveitou para fazer o rodizio (ou rotacao, parece que cada estado chama de um jeito) de pediatria la. Alem disso, passou umas semanas em um service da neuro la em Minessota. Dai, alem de querer fazer a residencia aqui, ele conseguiu 3 cartas de recomendacao: 2 neurologistas e 1 neuropediatra.

2.       Provas dos steps- quando voltou ao Brasil, jah definido que queria fazer a residencia nos EUA, ele comecou a estudar para o step 1 em set/2009, se formou em dezembro e fez a prova do step 1 em jan/2009. Em marco ele fez o step 2 (o CK) e em julho o step 2-pratico (o CS), que eh feito nos EUA. PS: nao eh necessario finalizar o curso de medicina para comecar a fazer as provas.

2.1- a burocracia: ate voce se inscrever no ecfmg, conseguir todos os papeis, as traduces, etc pode demorar. No caso do meu marido demorou bastante. Eu acho que uns 4 meses ate ele receber o ok para fazer os steps.

3.       As entrevistas- depois dos resultados das provas, ele pesquisou na internet todos os servicos de neuro. Separou os que ele mais se interessou e fez a inscricao. Ele foi chamado para as entrevistas e passou 1 mes aqui para ser entrevistado (isso foi em dez/2009).

4.       Resultado- o match saiu em mar/10 e ele conseguiu a vaga na UAB (aqui o sistema de residencia eh um so e cada candidato so passa em um unico hospital)

5.       A papelada- Depois foi corer atras da carta do ministro da saude, tirar o visto, vender nossas coisas e mudar.

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Observacoes:

Mestrado- Quando acabou a faculdade, meu marido comecou o mestrado no Brasil o que ajuda a fazer curriculo.

Dinheiro gasto- Comentei aqui qual foi nosso investimento para embarcar nessa viagem e comentei aqui sobre o salario do residente
Links interessantes

09/05/2014

Das boas mudancas

Porque eu tanto falei das coisas ruins, que quando melhora, tambem merece post. Pois entao que estamos de mudanca. Voce sabe o dia? Nem a gente...aquele longo processo de muita enrolacao que so acontece aqui nessa terra perdida. Oremos para que tudo ocorra bem. Mas a ideia hoje nao eh reclamar e sim contar como uma simples mudanca melhora a vida de todo mundo.

Marido e eu tivemos varios problemas com os documentos quando chegamos. Joazinho responsavel pelo nosso DS, escreveu nossos nomes errado. Jose responsavel pelo social security tambem e ai a coisa foi ficando complicada. Meus documentos estao ok, mas os do marido nao. Dai que ele foi corrigindo os documentos ao longo desses anos e chegou a hora do tao temivel social security*. Ele foi la ajeitar o nome porque queremos comecar tudo certinho na Florida. Marido estava tao empolgado com o que presenciou que me ligou ainda da estrada. Ele disse que esta tudo reformado por la e que muitas mudancas foram adotadas. Primeiro que tiraram aqueles vidros enormes que separa voce do atendente, o que me faz ter a certeza que algumas pessoas espertas leram estudos socias e resolveram colocar em pratica (ponto para elas!). Segundo que a fila eh bem pequena porque muita coisa pode ser feita na internet. E terceiro, tem gente treinada para fazer o basico e 1 funcionario especialista em corrigir as merdas que eles fazem  os problemas.

Claro que quando meu marido explicou a situacao, o cara ja foi questionando se ele tinha tirado o social la, meu marido disse que sim e que inclusive, ele tinha feito com aquele funcionario. Eu sei que conversa pra ca, conversa para la o cara disse que nao tinha como resolver. Marido pegou a pasta de documentos e explicou ponto a ponto, ate que o funcionario entendeu a situacao e nao so disse que poderia resolver como resolveu a parade. Meu marido disse que ele fez ate piadianha sobre os Gators e apertou a mao dele quando ele saiu. Ate  desejou boa sorte na Florida. Serio, mudou muito e ficou melhor. Desse jeito, eu ate estou pensando em adotar o nome do marido como ultimo nome (brincadeira, eu ainda acho esquisitissimo e nao vejo nenhum sentido em mudar o nome depois de casar, mas com tanta agilidade se um dia mudar de ideia, sei que seria facil)

* o social security eh uma especie de cpf aqui nos EUA