Esses dias, estávamos a caminho do hospital e marido
diz com ar saudoso “daqui um ano e pouco, nossa paisagem vai ser outra”. Senti
um frio na barriga, um frio bom. Mas não é verdade? Em julho de 2014, estaremos
nos situando no nosso novo espaço. Marido estará preocupado com a prova de
título. Vamos comprar móveis, renovar os sonhos. Coisa boa!
Fiz 3 anos nos EUA e comemorei no Brasil. Nossa,
pensando na mudança, comecei a sentir saudade de Birmingham, vocês sabem, eu
reclamo mas vou sentir falta do..... da.... hum.... vejamos ....zzzzzz. Fora
alguns poucos amigos e minha chefe, vou sentir falta de nada desse lugar
tenebroso. Minha sorte é que minha memória é péssima e sei que depois de um
tempinho, vou esquecer esse período aqui.
Falando nisso, marido já fez algumas entrevistas e
já escolheu 2 possíveis lugares (ele cancelou o restante das entrevistas,
porque segundo ele “não tem como ser melhor que esses dois programas”). A responsabilidade de escolher o lugar é
minha, assim ele disse. E nossa, que difícil!!! Tipo, muito difícil mesmo. Não
quero errar. Não posso errar!
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| Imagem daqui acompanhada de um aposia que descreve bem meu momento |
Um lugar é no norte, cidade grande, com metrô e
transporte público, cara e muitíssimo fria! O outro lugar é no sudeste, “perto”
da praia, mais quentinho, mas muito pequeno.
Em um dos lugares, precisaremos fazer muitas contas
e rebolar para esticar o dinheiro. No outro lugar, vai sobrar um pouquinho para
fazer viagens.
NENHUM DOS DOIS TEM PLANTÃO NOTURNO E FINAL DE
SEMANA É DIA DE FOLGA!
Em um dos lugares, marido sai com mestrado em
pesquisa clínica, mas ele trabalhará sozinho (sem nenhum colega, todos os dias,
por 2 anos). No outro lugar, todos os dados dos pacientes fica em um banco de
dados infinito para pesquisa e eles preparam os fellows para coordenar centros
quando se formarem (o pessoal se forma e vira diretor de centro, massa né?).
Em um dos lugares, o tom é mais formal. No outro
lugar a galera é mais “ninhuma”.
Ambos os locais são reconhecidos como centros de
excelência.
Em um lugar, marido já tem um médico conhecido para
acompanhá-lo (para quem tem doença autoimune, isso é bem importante e dá tranquilidade),
em outro lugar não.
Em um lugar eu poderia comprar uma casinha (não que
vá comprar, porque vamos ficar só 2 anos) ou alugar uma casa grande com um
quintal ótimo, no outro lugar vai ser difícil achar algo com máquina de lavar
dentro.
Em um lugar
posso visitar meus primos no Canadá de carro, no outro lugar tem promoção para
tudo que é canto e fica perto de Salvador.
Marido disse que ficará contente em qualquer um dos
lugares. Eu não sei o que quero, estou tentada a escolher a cidade menor pela
possibilidade das viagens e de outras coisitas, mas tenho receio de perder a
oportunidade de morar na cidade grande. Além do que, estou bem empolgada para
ter a experiência de viver 5 meses com neve. Só serão 2 anos e eu tenho até
setembro para escolher junto com o Dr meu marido em que buraco iremos nos
enfiar. Escolher é meio ruim porque o impacto dessa escolha será vivido por
muito mais que 2 anos, no entanto, estou amando saber que ano que vem, nessa
época, estaremos arrumando as malas e sonhando com tudo de melhor.(Acredite que
eu já tenho a pose da minha última foto por aqui)
Ps: talvez eu sinta saudade daqui sim, se for para
um lugar muito frio, se for para um lugar muito quente, se estiver parada no
meio de um engarrafamento, se tiver que limpar neve, se minha casa for
minúscula etc. Só mudando para saber, talvez eupasse a gostar mais e valorizar
B’ham depois da mudaça.