
Eu e Leo começamos a pensar/planejar nossa mudança para os EUA m 2006 e só em 2010 a mudança realmente aconteceu (claro, ele precisava se formar em medicina para depois começar a residência). Para poder concorrer, o médico (ou estudante de medicina, porque você já pode fazer as provas antes de finalizar a faculdade) terá de fazer algumas provas, os
steps, e tirar notas boas para se tornar competitivo para concorrer de igual para igual.
O
step 1 está mais relacionado a bioquímica,anatomia, fisiologia ou seja, começo do curso e esse Leo penou mais para relembrar. A primeira parte do
step 2 é mais tranquila, é a parte clínica, medicina mesmo (se é que eu posso falar asssim), a segunda parte do
step 2 é uma prova prática, o candidato atende 15 pacientes (na verdade são atores) e tem de escrever no prontuário, apontar o diagnóstico, enfim. Há também o
step 3 (que Leo ainda não fez, já compramos o livro e ele tem até o meio do ano para fazer a prova), que são rotinas médicas. O legal de deixar essa prova para fazer esse ano é que Leo já sabe muitas rotinas na prática, mas ter esse
step concluído conta ponta para entrar na residência também.
Esses testes servem como uma validação do diploma. Todo médico que conheço no Brasil disse que era super difícil passar na residência aqui, mas eu estudei com Leo e não achei nenhum bicho de sete cabeças. Claro, tem que estudar bastante, mas acho o vestibular bem mais difícil. Leo esolheu o material da
Kaplan para estudar para o
step 1 e o
UMSLE World para os
steps 2 e 3. Ele comprou os livros, banco de questões digitais e treinou muita coisa. Essa preparação de entender como é a prova foi fundamental, afinal essas provas levam 8hs, em um dia, de vez, e o candidato deve aprender o máximo de macetes sobre elas, pois segundo Leo, depois de 5hs, você já está tão cansado que fica difícil até de entender as questões.
O que eu achei complicado foi a parte burocrática, a UFBA perdia a documentação, não enviava e isso sim foi uma dor de cabeça e agonia. Fora isso, é fundamental que o candidato passe antes uma temporada aqui nos EUA, com professores daqui, pois ele vai precisar de cartas de recomendação e as cartas de professores do Brasil não têm muita validade por aqui. Leo veio em 2008- quando era estudante, a UFBA abriu um programa com universidades americanas e ele foi selecionado- passou um semestre na
LSU, fez pesquisa e conseguiu as cartas de recomendação de professores na área de neurologia (outro fator importante é que as cartas de recomendações sejam de professores da sua área de escolha).
Depois, com a tradução dos documentos, com a nota das provas, com as cartas de recomendação, ele aplicou para algumas universidades, foi chamado para 3 entrevistas (ele aplicou para 20 lugares, o que é considerado um número muito baixo por aqui). Leo passou 1 mês aqui indo para as entrevistas nas 3 universidades. Uma professora sugeriu que uma segunda visita seria muito bom pra quem é estrangeiro, pois mostra interesse e ele voltou (agora comigo) para essa segunda visita. Depois, o candidato tem de
ranquear (essa palavra não existe né?) as universidades e as universidades também fazem o mesmo com os candidatos. Esses dados são cruzados e em março sai o resultado. Leo conseguiu a vaga no lugar favorito dele.
Tem muita burocracia envolvida, muitas taxas, provas, vistos diferentes (um pra fazer a prova o outro quando você passa), passagens, transporte, hotel. Além disto, quando você muda, precisa ter o dinheiro do primeiro mês, fora que se morar em cidade pequena, tem de comprar carro. Nossos gastos giraram em torno de R$ 45.000,00, isso mesmo, e o melhor é saber que cada centavo desse montante foi fruto do nosso suor. Claro que esse valor varia, depende do tamanho da família e de como o processo corra. No caso de Leo, ele teve que pagar algumas coisas duas ou três vezes, pois faltava uma assinatura da UFBA e isso foi encarecendo um pouco mais.
Foi uma jornada bem estressante principalmente porque os documentos demoravam para chegar, chegavam com 1 ou 2 dias antes do prazo final. A gente só conseguiu tirar o visto duas semanas antes da viagem, e o meu passaporte ficou perdido pelo consulado de Recife só chegou 2 ou 3 dias antes da viagem. Desespero total!!!! Agora cá estamos tentando sobreviver a esse primeiro ano de residência...
Quer saber mais sobre como ser médico aqui nos EUA? Acesse
mediconoseua.com
Imagem: google
UPDATE: Mais informações sobre a residência médica no site
ECFMG e para saber se a sua universidade/faculdade está cadastrada no sistema americano e portanto se você poderá aplicar para residência médica nos EUA clica
aqui.
UPDATE2: NÃO é necessário fazer o TOEFL para a residência médica aqui nos EUA nem nenhum outro tipo de prova para comprovar a proeficiência na língua. A parte prática do step 2 serve como forma deles testaram o inglês do candidato, bem como as entrevistas.
UPDATE3: Para conseguir fazer estágio aqui pode ser através da sua universidade (muitas universidades têm parceria com universidades estrangeiras, principalmente as Federais , além disso, podem oferecer bolsas e programas específicos), através de um professor (muitos professores conhecem professores daqui e eles fazem um acordo para receber o estudante ou médico como forma de estágio) e por sua conta. Você pode procurar nos sites http://www.usmletomd.com/tips4match/2007/09/hospitals-offering-clinical-electives.html,
UPDATE4: Há uma comunidade no orkut que ajudou muito meu marido no processo até chegar a residência: a USMLE- residencia EUA BR. Sugiro que você passe lá. Tem muita coisa, muita informação e é um bom começo.
UPDATE5: escrevi mais um pouquinho sobre o assunto aqui
UPDATE6: O Lucas Eduardo, leitor aqui do blog, encontrou uma página ótima com dicas http://usmlematch.com sobre o processo.
Ps: Pessoal, pode mandar perguntas e emails que
respondo numa boa. Peço que antes, leiam os comentários dos posts sobre o tema,
pois ando recebendo perguntas que já estão no blog. Eu escrevi mais alguns
posts sobre residência médica nos EUA, procura nos marcadores ao lado. Se
continuar com dúvida, pode entrar em contato.