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21/09/2014

Das Judites americanas

Coisa boa do mundo é ter de lidar com empresas telefônicas, não é mesmo? (#sqn). Quando mudamos para Flórida, o sinal do nosso celular ficou péssimo. Dentro de casa então, não funcionava. Tínhamos que literalmente sair de casa para fazer uma ligação. Aí não dá mesmo. Como eu queria mudar o número do celular (não queria que aparecesse o Alabama quando eu ligasse e sim Flórida), fiquei super animada com a mudança de telefonia.

ABRE PARÊNTESES
Aqui nos EUA, você não precisa mudar o número do celular quando muda de cidade/estado porque não existe isso de preços diferentes para ligações feitas entre telefones de cidades diferentes. Uma ligação dentro do país, é uma ligação comum. Por exemplo, se eu ligar para alguém na Califórnia, para alguém no Alabama ou para meu vizinho, o custo será o mesmo.
FECHA PARÊNTESES

Daí, pesquisamos (Leo pesquisou, né) qual a melhor empresa aqui e fomos lá. Trocamos os celulares e escolhemos os números, daí, na hora de assinar, a tela do ipad do homem (eles usam um ipad aqui) travou e ele teve que começar outra vez. Repare, ninguém assinou nada! Marido ainda perguntou outra vez para se certificar que não receberia cobrança. Fomos adiante, escolhemos outro número, pegamos nossos telefones e fomos embora.

Imagem daqui

No primeiro mês, gastamos mais internet do nosso pacote e pra minha surpresa, eles vão disponibilizando mais internet, sem a gente pedir, sem nossa autorização, a um preço extremamente alto. Eu fiquei tão p. da vida. Marido mexeu nas configurações do nosso aparelho e ajeitou as coisas, daí isso não aconteceu mais. De qualquer forma, achei um absurdo eles colocarem mais internet sem nossa autorização. A conta do primeiro mês foi absurda!

1 mês depois da compra dos aparelhos, marido recebe a cobrança de um celular. Aquele que a tela travou, que ele não assinou nada, lembra? Ele liga para Judite #1. 1 hora depois, Judite #1 se desculpa, e diz que está tudo certo. No mês seguinte a mesma cobrança chega. Marido liga para Judite #2 e ela diz que a Judite #1 só havia cancelado a linha, mas não o aparelho e  que ela faria isso. Desligou o telefone garantindo que tudo estava perfeito. No mês seguinte, chega uma cobrança dizendo que caso Marido não resolva pagar o que deve, o nome dele iria para o SPC. Vê isso, que maravilha! Marido liga e fala com Judite #3. Ela diz para ele aguardar enquanto o sistema abria e 15 minutos depois, a ligação reinicia com a Judite #4. Só sei que depois de muito tempo, Judite #4 garantiu que o nome não foi para o SPC e que ele colocou o cancelamento em vias de urgência. Reza a lenda que até sexta marido irá receber uma ligação confirmando o cancelamento.

Daí, eu entro na nossa conta e vejo que a empresa de telefonia que usávamos no Alabama continua descontando a mensalidade. Marido liga para eles e descobrem que eles só cancelaram uma das linhas (embora nenhuma das duas estejam funcionando). Aí é dureza! Reza a lenda que eles irão devolver o dinheiro roubado. Aguardemos e oremos para que esse assunto de telefonia seja encerrado!

PS: tá vendo, e você aí pensando que só tem Judite no Brasil..

08/09/2014

fotos para visualizar os dias

Estou naquele momento: não sei se paro com o blog ou espero essa vontade passar. Vejamos o que irá acontecer...

Coloquei algumas fotos acumuladas no meu dropbox que são dígnas de nota

1. Começando pela primeira multa em terras americanas que meu marido tomou logo um dia depois que começou o fellowship. O motivo? Ele estacionou de ré (como aqui só há uma placa no fundo do carro, a placa precisa ficar a vista. É a lei do estado). Literalmente, o guardinha passou 12 minutos antes dele voltar para o carro, sorte hein? (só que não). Eu já havia lido isso em algum lugar, e já havia falado para ele (que adora estacionar de ré!) que na Flórida isto nõa é permitido. Como a multa foi dentro do campus, ele escreveu uma carta pedindo para ser desculpado, pois não sabia dessa regra, já que era novo no estado. E uns 40 dias depois, o cheque com o ressarcimento da multa, chegou aqui em casa.



2. Dá série "coisas que não fariam sucesso no Brasil". Quem aqui compraria um suco com esse nome?!




3.E essa fruta (tipo uma ameixa) com sabor de granada?




4. Achei babosa e comprei para cuidar dos cabelos!


5. Eu não sei como é no resto do Brasil, mas aipim faz parte da refeição do baiano. Estamos planejando fazer uma carne do sol aqui em casa, para assim completar em grande estilo essa combinação típo queijo e goiabada.

6. Tem inhame também! Eu amo inhame!!!!!



7. Fruta do dragão e essa ameixa ovo de dinossauro para fechar a parte de comida, quem vai? (PS: estamos testando novos sabores, por enquanto não saímos da parte de temperos, mas iremos expandir para frutas já!)


8. E claro, a prova viva que depois de uma super tempestade, com direito a raios, trovões e muita água, ás 8pm, o céu ficou lindo desse jeito!


9. Para finalizar, fomos almoçar na casa de uns amigos e olha o vasinho de plantas inusitado que o vizinho deles usa.

19/08/2014

O pesadelo

Estamos começando a olhar de leve as possibilidades de emprego para marido, já que nos próximos 12 meses ele precisa ter um contrato assinado para dar entrada nos papéis do waiver. Infelizmente vai ser  bem difícil ficarmos na Flórida (questões do waiver), então estamos olhando as vagas, pensando nos salários e outras possibilidades. Meu marido resolveu brincar da possibilidade de voltarmos para o Alabama, o que gerou um pesadelo na noite. Visualiza o meu sonho pesadelo:

Eu sentada na calçada do lado de fora da casa, com a cabeça apoiada nos joelhos, chorando desesperada dizendo que não queria ir para o Alabama. Meu marido me explicando que não tínhamos outra opção, não dava nem para voltar para o Brasil, o Alabama era a única possibilidade.

Pois bem, eu acordei tão tensa. Foi horrível mesmo!


A minha primeira opção ainda é a de voltarmos para o Brasil. Por n motivos. Meu marido quer voltar para o Brasil, assim como eu quero voltar para o Alabama.

Pois então que mudamos de assunto e eu fui falar com ele sobre uma brasileira que tinha conhecido, que ela estava de mudança daqui e estava super triste de deixar Gainesville. Que ela tinha morado 6 anos em um estado frio (esqueci o lugar) e que ela tinha detestado e que agora estava voltando. Marido interrompe o meu causo para questionar o porquê alguém mora em um lugar por tanto tempo sem gostar. Primeiro eu achei que ele estava brincando, mas quando olhei para cara dele, ele estava bem sério mesmo. Daí, eu coloquei o sorriso mais irônico no rosto e falei a verdade "por conta do trabalho do marido dela". Ele entendeu o recado, fez um carinho no meu ombro e achou por bem ficar calado. Eu também achei...

13/08/2014

O mundo segundo os brasileiros e das diferenças culturais que fazem pensar

Assim que cheguei aqui na Flórida, fiz a matrícula em um curso de gramática para estrangeiros. Antes das aulas começarem, tivemos um encontro com professores, coordenadores etc para que eles passassem informações pertinentes, como as rotas de ônibus, as regras em sala de aula etc. Um dos tópicos discutidos foram questões relativas a cultura americana. Por exemplo, eles falaram da questão do uso de desodorante, do uso apropriado do vaso sanitário (ele serve para sentar, não para ficar de cócoras), de que aqui se joga papel higiênco no vaso, de que assistir aula de short e camiseta é super ok. Eu achei sensacional!!! Tem gente que vem de culturas tão diferentes que esses pontos são desconhecidos. Especialmente a questão do desodorante. Tem gente que usa muitas roupas e nesse calor infernal, desodorante é importante....



Quando estou com gente de buracos diferentes desse mundão, sempre pergunto coisas. Óbvio que tudo começa com palavrão e eu já sei xingar em várias línguas (embora em italiano seja a minha versão favorita). Por aqui, a piada está relacionada com sunga, inclusive, esses dias teve um churrasco e um brasileiro estava usando sunga (por baixo do calção) e foi sensação de gente pedindo para ver, pode? Uma sunga fez isso...ahahahaa

Daí que descobri um programa da Band "o mundo segundo os brasileiros" e não consigo parar de assistir. Os brasileiros vão mostrando pontos das cidades que moram mundo afora e aos poucos eles trazem questões culturais. Por exemplo, no episódio de Dubai, um brasileiro contou os porquês dos muçulmanos preferirem comer de mão, não comerem porco e o motivo da mão direita estar associado a coisas boas e a esquerda é usada para limpeza. Eu achei sensacional!!!! Gostei muito do episódio no Quênia e claro, em Israel. Simplesmente maravilhoso isso de conhecer outros países a partir do olhar de um igual. Se tiverem tempo, joga no youtube e assiste. Já adianto que o problema não é só que o programa é viciante, mas especialmente que ele vai gerar uma urticária louca de querer viajar o mundo, então, cuidado!!!!

27/07/2014

Vamos a la playa oh-o-o- oh

Dias desses resolvemos ir á praia. 1h e 40 minutos de estrada...é muita vontade mesmo! Passamos no mercado e compramos parte da tralha necessária para o passeio, chamamos um amigo especial e fomos curtir o sol destruidor da Flórida. Eu não curto ficar fritando no sol, eu curto uma sombrinha, conversa, banho de mar, uma comida, mais banho de mar e pronto.

A praia escolhida foi no Anastasia State Park porque lá não tem carro dirigindo na areia (pois é, coisas dos EUA) e é bem tranquila. Eu só conseguia falar "ai, eu estou tão feliz, tão feliz" e estava mesmo! O calor estava matador e saímos antes da chuva cair. Paramos na cidade americana mais antiga para um almoço e depois voltamos para casa. Ainda tentamos andar um pouco e  conhecer a  cidade, mas o calor estava demais!!!



Nota mental: na próxima ida a praia, precisamos comprar coisas mais profissionais para relaxar melhor.


A empolgação estava tanta que só lembrei de tirar uma foto (e olha que eu levei o celular e a máquina fotográfica também!).



Não, não é tão linda quanto as praias do Brasil (pelo menos as que conheço), não tem a vista das praias da Califórnia, mas o mar é quente e foi muito bom encontrar o Atlântico. Da próxima vez, iremos em uma praia do Golfo do México.

16/07/2014

Curtas direto da Flórida


1. Aí você está traduzindo uns documentos jurídicos para o inglês, daí fica presa numa frase difícil e resolve perguntar para seu marido se ele teria alguma ideia para tradução, eis que ele responde "Eu não entendi essa frase em português, imagina sugerir uma tradução". É para rir ou para chorar?

2. Você é convidada para um churrasco brasileiro (feita pelo americano mais brasileiro que você conhece) e coloca o endereço no GPS. Infelizmente o GPS não reconhece o número da casa e você precisa ficar atenta para achara  a casa. Você avisa ao marido qual a casa. Ele pergunta se você tem certeza e claro que você tem. Não há vaga na frente, você decide entrar na garagem da sua amiga, até que sai de dentro de casa um senhor bem gordinho com um cachorro. Você tem certeza que não é sua amiga e seu marido se desculpa com o senhorzinho enquanto você tenta controlar a crise de riso.

3. Você vai ao mercado e compra 1 galão de leite, na volta para casa, a porcaria cai e abre. Você não percebe na hora que o carpete ficou sujou, mas percebe o fedor de coisa podre cozido pelo sol da Flórida mais tarde.

4. Você fica triste com a derrota do Brasil, nem tanto porque o time desistiu e não jogou, nem pelo placar absurdo, mas principalmente porque se acostumou aos banquetes nos dias de jogo. Teve acarajé, caruru, feijão fradinho e frango imitando casquinha de siri. Tudo gostosamente preparado pela conterrânea que teve a delicadeza de não usar camarão (dessa forma, você poderia comer tudo). Teve churrasco brasileiro com direito a farofa com farinha vinda da Bahia. E eu acho que o próximo banquete seria feijoada...que dó de mim!

5. A empresa telefônica que usávamos no Alabama não pegava direito aqui dentro de casa. Era impossível usar o telefone! Daí, marido estava ao telefone resolvendo algo e teve que sair de casa para conseguir um sinal bom. Ele deixou a porta aberta e Luffy saiu correndo para caçar uma família de patos que mora no lago ao lado de casa e que ele estava de olho fazia tempo. Como ele estava sem coleira e é pequeno, conseguiu passar por debaixo da grade que fica ao redor do lago e se jogou no lago para caçar os patos. Quando ele fica desse jeito, simplesmente não ouve nada! Leo pulou a grade do lago e ficou chamando ele. Eu fiquei do lado de cá, tensa porque sei que no lago (é tipo um pond...sei lá) tem tartaruga também e tartarugas podem machucar cachorros pequenos (e metidos a valente). Lá para o terceiro grito do marido, Luffy saiu do transe que se encontrava e foi ao encontro do pai com o rabo entre as pernas. Já sabia que iria aprender o significado de time-out "de com força". Olha, vou te dizer, esse cachorro chegou comportadinho, mas depois que teve certeza que ganhou nossos corações, resolveu aprontar umas. :)

05/07/2014

Bye, bye Bham!

Chegamos em Bham na quinta direto para um bota fora que uma amiga organizou para gente. Muito fofa! Sexta foi a formatura de Leo e finalmente, sábado foi o dia oficial da nossa mudança. Era para a gente acordar mais tarde, mas 5:30a eu já estava super agitada. Saímos antes das 6am e fomos nos despedir de Bham.

Passamos no busto de Tinsley Harrison (esse médico Alabamense trabalhou na UAB e desenvolveu muito o hospital, além de claro, ser o autor de um dos livros mais conhecidos de clínica médica do mundo: Harrison's Principles of Internal Medicine.). Depois fomos nos despedir da cidade mesmo, fomos no Vulcan Park e nos despedimos da vista e do hospital. Lá de cima, a gente agradeceu ter sobrevivido 4 anos e pelo Leo ter tido um treinamento excepcional. Depois paramos para tomar um super café da manhã americano e voltamos rolando para Gainesville.


Reza a lenda que ali atrás fica a maior estátua de aço do mundo

Café da manhã no the egg & I. Como que alguém consegue comer tanto assim? Eu levei o muffin para comer durante as 8hs de viagem.

Não teve aquela foto clássica que eu sonhei por messes "dessa terra não quero nem o pó", porque eu achei que não faria mais sentido. Não gostei desses 4 anos lá, mas aprendi tanto, passei por tanta coisa, conheci tanta gente legal, que de alguma forma, muito dequela terra vem comigo para Gainesville. Obviamente que só trouxe a parte boa.

Na saída da cidade, eu até chorei. Choro de alívio, de felicidade, um pouquinho de tristeza de deixar tudo o que conheço dos EUA para trás, mas principalmente, chorei de gratidão por ter a oportunidade de mudar e correr atrás da nossa felicidade. Nesse meio tempo, a Pandora começou a tocar "dog days are over" e eu achei que foi um sina maravilhoso das coisas boas que nos aguardam.

Chegando na Flórida, teve um chuvisco sem vergonha que me fez pensar na música "Let the rain wash away all the pain from yesterday" e eu tive certeza que a coisa aqui vai andar direitinho.




PS: no meio do caminho tinha um flea market. Era interior, do interior, do interior do Alabama. Paramos para dar uma olhada, porque né, precisávamos dessa experiência 100% pescoço-vermelho para fechar a  com chave de ouro.